O Preço de Amar um Fantasma

1299 Words
Uma noite antes O silêncio do quarto é quente, Bruno dorme ao meu lado, o braço em volta da minha cintura, a minha filha ,dorme no quarto ao lado, pensa que em outros tempos,isso era o que eu esperava ,eu e ele juntos e nosso filho, mas hoje somos nos e minha filha com outro,a paz parece possível, mas meu corpo não acredita, ele nunca soube descansar em segurança, nunca soube relaxar no amor. Essa noite foi nossa, sem máscaras, sem disputa, sem raiva, ele me tocou como se pedisse perdão com os dedos, e eu deixei, beijei seus lábios como quem beija uma memória, transamos com saudade, não com fúria, e quando terminamos, ele disse: —“Se você me pedir, eu fico, por você, por ela, pela gente.” — eu fechei os olhos e menti — “Não preciso disso.” Na m manhã seguinte, café em silêncio — “Você se arrepende?” — ele pergunta, a voz firme. — “Não.” — “Então por que a cara de quem tá fugindo?” — “Porque eu tô fugindo.” — “De mim?” — “De mim mesma, com você eu me lembro demais do que fui, das coisas que destruí, das vida que levei comigo.” — Bruno aperta o copo de vidro, morde o lábio, não responde, meu o telefone toca, e tudo muda. Ligação de número mascarado voz rouca, conhecida — “Saudades, princesa? Que tal começarmos do zero… com a sua filha agora aos meu cuidados?” — Gustavo e ao fundo… uma risada que me provoca calafrios — “Ela vai amar brincar de novo com a gente ” — o sangue some das minhas mãos, e Bruno percebe. — “Quem era?” — “Fantasmas.” — “O que disseram?” — “Que a guerra voltou, e que agora… eles não estão vindo por mim, estão vindo pela nossa filha.” — Eu fecho a porta do quarto com força, encaro Bruno com olhos frios — “Você tem que ir embora.” — “O quê? Agora?” — “Você, Ela, Sumam, vão pra casa do Bene, pra fora do mapa, pede para o Thiago e meu vô cuidarem dela — “E você?” — “Eu volto a ser o que sempre fui, Bruno, uma máquina de guerra, eu matei uma parte de mim pra ser mãe… agora vou enterrar o que sobrou da menina que voce algum dia possa ter gostado” Bruno tenta impedir, segura meu braço, grita meu nome, mas eu já estou longe, já sou pedra, A paixão entre nós que um dia foi fogo agora, so resta agora… cinza Sol Dois dias depois do telefonema , em algum lugar do centro-oeste, encontrei Gustavo, claro que seria ele, a isca, o verme, estava cercado por dois cães de aluguel, um cigarro barato na mão, e aquele olhar doentio que sempre teve. — “Veio me m***r, Milena?” — ele sorriu. — “Se eu quisesse, não estaria te olhando, estaria limpando a lâmina.” — “Então veio saber por quê, né?” — ele tossiu — “Por que eu voltei , Solange quer tua alma numa bandeja, mas… não foi ideia dela.” — “De quem foi?” — minha voz firme, Gustavo abaixou os olhos, e sussurrou: — “ Minha mesmo ,temos assuntos que se cruzam ” — “ O que ela teria em cumun com você ? ” — “ Eu quero a mãe e ela a filha, o que mais seria ? ” — A mulher que me apadrinhou nesse sub mundo, que me chamou de filha,que me entregou o Fábio,que me abraçou no enterro dele, — “Mentira.” — falei, num fio de voz, Gustavo riu amargo. — “Ela acha que você matou o filho dela, não com a mão, mas com o sangue, com o mundo que você levou pra cama dele.” Flashback – 6 anos atrás – conversa entre Milena e Solange — “Eu vou sumir, Solange, o Fábio não vai aguentar esse mundo ” — “Se ele quer estar contigo, eu não voi impedir,mas traz ele inteiro de volta.” — Eu não trouxe. Flashback fim Estou no quarto de hotel, sozinha, com arma sobre a cama,não sei o que me espera,ela sempre foi, imprevisivel,Solange é poderosa, letal, ainda mais com o império que construi com as migalhas que um dia ela me confiou em um momento perigoso, o que avia no pen drive, que por anos carreguei comigo,explica é o origem de todo o meu impreio e o dela,agora ela quer justiç, mas o que ela realmente quer… é me ver ajoelhada, recebo uma caixa no hotel, dentro, um lenço usado, uma foto do Fábio bebê, e uma bala com meu nome gravado, leio o bilhete. — “Você me deu uma neta, mas levou meu filho, agora eu vou escolher qual vale mais.”— Fecho os olhos, levanto,coloco a arma na cintura, amarro meu cabelo em um coque alto,eu não vou correr,não vou chorar,irei invadir o coração do imperio que ajudei a contruir,e vou destruir Narrado em terceira pessoa Local: Antigo galpão de reuniões de Solange – Zona portuária, Rio de Janeiro Hora marcada: 18h.Condição: Sem armas. Só as duas. Milena chegou primeiro,cabelos presos num coque firme, terno preto,sem maquiagem,sem expressão,olhos de quem não teme morrer,porque já morreu por dentro muitas vezes;Solange chega com elegância silenciosa,saia lápis,salto fino,perfume leve,mas nada nela é frágil,sentam-se,em lados opostos da mesa,duas gerações de fúria,silêncio,um minuto inteiro,as duas apenas… olhando,testando. — “Você está magra.” — “Você está mais velha.” — “A dor pesa.” — “Então talvez você entenda.” — “Eu te entreguei meu império,você me devolveu um caixão.” — “Eu te dei um neto.” — “Você deu um motivo pra eu continuar viva,só pra depois me lembrar que tudo que toca vira guerra.” — “Fábio escolheu. Ele quis esse mundo.” — “Ele quis você,e você… o levou pra morte.”— a voz de Solange não treme,mas os olhos marejam, Milena não pisca — “Se quer vingança, atira,mas não se finja de santa.” — “Não. Eu não quero vingança,eu quero sua rendição,sua filha,seu nome apagado,um fim digno.” — “Então devia ter vindo armada.” No lado de fora do galpão,Bruno estaciona, desce rápido,arma oculta,respiração descompassada,ele não sabia o plano exato,mas sabia do lugar,e o risco,ao longe, homens observam,olhos treinados,tudo pronto pra o que vier,dentro a tensão atinge o ápice — “Você quer mesmo criar essa criança no caos que matou o pai dela?” — “Quero criar ela livre, de você,de tudo isso.” — “Então abandone tudo,e eu poupo os dois.”— Milena ri baixo,mortal. — “Você acha que ainda me comanda?”— Um tiro é ouvido,Bruno invade o galpão,aponta a arma direto pra Solange. — “Se encostar um dedo na Milena, eu te deixo sem os dois olhos.” — “Impetuoso como o pai,burro como o Fábio.” — ela sussurra,Milena se levanta, em furia — “Bruno, não era pra você vir.” — Outro tiro,Agora próximo,corpo de Milena cai sob a mesa, tentando proteger Bruno, um tiro certeiro,quando ele vira a mesa para tentar de alguma forma protejer ela,Bruno chama por Milena mais a mesma não responde,ele grita seu nome,então sente o gelo do sangue escorrer por seu braço, — “ Não pode terminar assim Mi.” — ele atira sem direção ate não restar mais balas. — “ Deem uma boa surra nele,mais não o matem,ele tem que viver” .  
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