“Perigos do Silêncio”

1273 Words
Rua Floriano Peixoto – Curitiba Fábio espera, de pé, ansioso, uma moto preta para diante dele, capacete removido, Milena. Ela sorri leve, mas o olhar… gela os ossos. — “Então é verdade...” — diz ele. — “Tudo que você teme… volta um dia. Às vezes mais bonita.” — “Onde você esteve, Milena?” — “Agora tô aqui pra ver se sobrou alguém que ainda sabe me olhar nos olhos.” Fábio se aproxima. — “Eu sonhei com tua volta.” — “Eu também, nos meus, você sempre acabava morto.” Ele recua, ela dá dois tapinhas no ombro dele, quase carinhosos. — “Mas hoje não vim fazer guerra, Fábio, vim avisar: quem quiser paz… que me receba com respeito, quem quiser guerra…que venha com tudo. Porque agora eu não corro. Eu danço com o caos.” Ela coloca novamente o capacete e acelera, o cheiro de ameixa fica no ar por mais quatro minutos, Fábio ainda está parado quando Thiago liga. — “E aí? Era ela?” — “Não era só ela.” — “Como assim?” — “Era… a Milena que a gente criou, mas com o sangue da Milena que a gente perdeu.” Bruno (na Grécia) A TV mostra um recorte de reportagem sobre o reaparecimento de uma figura internacional não identificada em Curitiba, ele não pisca, Alessandra entra no quarto com café. — “Você viu?” — “Sim.” — “Vai pra lá?” Ele deixa o café na mesa, pega a jaqueta. — “Ela voltou, eu preciso saber se ainda existe amor no meio daquela escuridão.” Milena se afastou da yakuza e do Cv,mais ainda tem negócios com os dois,tipo uma negociadora, Bruno ao saber se sua volta ,decide também voltar ao Brasil, junto da sua irmã Alessandra, eles voltam para Curitiba,para antiga casa deles,a historia a partir de agora vai tomar um rumo mais leve,ninguém sabe ao certo o trabalho da Milena mais sabem que ela esta montada na grana,uma verdadeira soberana. Vila Izabel – Curitiba – 17h42 O portão se abre devagar, vidros escuros, segurança privada, jardim zen com esculturas orientais. Milena agora tem um invejável padrão de vida, ela recebe visitas com hora marcada, nunca repete roupa, tem um contador suíço, um consultor japonês e um sommelier pessoal, ninguém sabe de onde vem seu dinheiro, mas todo mundo sabe que é melhor não perguntar, ela abandonou a Yakuza e o Comando, mas ainda fecha acordos entre eles ,como quem brinca com tigres, sem medo. Sem lealdade. Sem fraqueza. Mesmo dia – Aeroporto de Curitiba Bruno pisa em solo brasileiro, Alessandra, ao lado, respira fundo. — “Tem certeza disso?” — ela pergunta. — “Não.” — “Você ainda ama ela?” — “Depende… ela ainda existe?” Um tempo depois Fábio abre a porta com uma cerveja na mão, congela ao ver quem está na calçada,Bruno e Alessandra, silêncio por 3 segundos, mas ali, já tem guerra. — “Belo corte de cabelo, Bruno.” — “Você também tá diferente, Fábio… mais velho.” — “Milena não falou que você vinha.” — “Milena não sabe” Eles se encaram. — “Acha que vai reconquistar ela?” — provoca Fábio. — “Acho que nunca perdi.” — responde Bruno, entrando. Dois dias depois – Coquetel beneficente na Casa de Cultura Oriental Milena aparece de vermelho, vestido justo, r**o de cavalo baixo, salto Preto feito a noite, perfume com leve tom de ameixas, todos param, fotógrafos fingem que não estão fotografando, ela caminha como quem desfila num campo de guerra, Bruno e Fábio estão lá, ambos a veem, ambos engolem seco, ela os vê, sorriso leve, vai até eles. — “Os dois no mesmo lugar. Que perigo.” — “Você que é o perigo aqui.” — diz Fábio. — “E o desejo.” — completa Bruno, quase num sussurro, ela sorri, toma um gole da taça. — “Não vim pra reacender passado, mas se for pra brincar com fogo… eu mesma trago a gasolina.” Noite seguinte – Casa de Milena Bruno aparece com uma garrafa de vinho, ela permite a entrada, conversam, lembram, riem, no final, ele segura sua mão. — “Você é a mesma de antes?” — “Não! mas parte de mim ainda lembra como era.” Ele a beija, mas ela recua com delicadeza. — “Você e Fábio estão prontos pra isso?” — “Isso o quê?” — “Pra perder… porque só um de vocês vai aguentar o peso de estar comigo agora, o outro… vai cair.” Fábio, observa de longe, os dois se despedindo no portão, Milena entra e Bruno sai ,mas antes de ir embora, Bruno encara Fábio no carro, acena com um meio sorriso,Fábio fecha os punhos,Ele sabe a disputa começou e Milena… é o prêmio e o juiz. Bruno narrando O céu aqui é o mesmo, mas nada mais parece familiar, faz uma mês que voltei, e todos os meus planos derreteram no segundo em que vi Milena com aquele vestido vermelho, ela não sorri como antes, ela calcula, mas mesmo assim, ainda é ela, ou o que sobrou de tudo que a vida queimou, eu deveria fugir, mas tô preso de novo. Três dias atrás – Coquetel beneficente Ela entrou como uma tempestade controlada. Fábio travou ao meu lado, não sei se foi medo ou desejo, talvez os dois, ela nos viu., caminhou devagar, como quem atravessa uma ponte entre dois precipícios. — “Os dois no mesmo lugar. Que perigo.” Fábio se adiantou. Eu deixei. — “Você que é o perigo aqui.” — ele disse. Ela respondeu sem olhar: — “E o desejo.” Nesse momento, tive certeza, Milena sabe, Milena sempre soube. Hoje – Casa Milena Cheguei com vinho, de novo, ea me recebeu com aquele mesmo silêncio cortante, usava uma blusa simples e calça larga, mas em Milena… até o simples parece feito pra guerra, sentamos na sala, ela cruzou as pernas, a boca pintada com tom escuro, olhos que não tremem. — “E Alessandra?” — ela perguntou. — “Foi para o Rio resolve algum negócios.” — “Você devia estar lá também.” — “Talvez. Mas você tá aqui.” Ela não respondeu. Só sorriu, depois do vinho, o clima ficou tenso, ela me encarou como quem analisa um inimigo. — “Você ainda se sente atraído por mim Bruno?” — “Não sei se é atração ou curiosidade de desvendar o seu mistério .” — “Cuidado. Eu não sou mais feita pra ser amada.” — “Então por que me deixa entrar aqui?” — “Pra lembrar que o que arde também pode congelar.” Eu me aproximei, ela não recuou, nossos rostos colados, mas de novo, ela recuou no último segundo. — “Você e Fábio estão numa dança perigosa, e eu… já fui palco demais, agora eu sou plateia. E júri.” Dia seguinte – Escritório Thiago Fui buscar uns documentos do antigo negócio do meu pai, e lá vi o que não devia ver, um dossiê, pasta preta, nome: “Soberana” Milena, negociadora internacional, entra onde o CV e a Yakuza não conseguem entrar, armas. Tecnologia. Contrabando de obras de arte, conexões com políticos intocáveis, um império invisível — comandado por ela, e ao final da ficha, uma observação de Thiago, escrita à mão: “Ela não quer mais poder, ela quer eternidade.” 
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