Fui até o campo de treinamento, tirei minha blusa e comecei a treinar até minha raiva amenizar. Eu estava me esforçando para não perder a cabeça.
Eu sabia que meus irmãos também eram companheiros dela, mas só de pensar em um deles a beijando, tocando nela, me deixava louco. E quando se tratava de Anika, de alguma forma, eu não conseguia me controlar.
Depois de treinar a tarde toda, voltei para a mansão, ainda queimando por dentro.
Subi as escadas e fui ao meu quarto.
Tomei banho e vesti uma calça de moletom, ficando sem camisa.
Peguei a garrafa de uísque do minibar e levei à boca. Senti o líquido descer, queimando minhas entranhas, mas nem o álcool estava diminuindo a raiva dentro de mim. Joguei a garrafa contra a parede e dei um soco na parede, fazendo os nós dos meus dedos sangrarem.
Eu precisava de Anika. Eu precisava do cheiro da minha companheira se não quisesse botar a casa abaixo.
Saí do meu quarto e fui até o quarto de Anika. Bati na porta, ainda com a respiração irregular. Bati novamente na porta e, na segunda batida, a porta se abriu.
Ela piscou algumas vezes, me olhando com aqueles olhos azuis confusos, com seus cabelos vermelhos soltos e vestindo uma camisola preta que me fazia querer tocá-la.
"Damian, aconteceu alguma coisa?", perguntou ela, olhando para minha mão sangrando.
"Anika, eu preciso de você. Por favor, somente alguns minutos," falei, ainda com a respiração irregular.
Ela hesitou por alguns segundos, mas abriu a porta, dando espaço para eu entrar.
Sentei-me na cama e ela foi ao banheiro, voltando com o kit de primeiros socorros.
"Deixa eu cuidar da sua mão," me pediu, sentando ao meu lado.
Dei minha mão para ela, e seu toque me confortou.
Observei-a limpar, passar pomada e fazer um curativo um pouco exagerado.
"Pronto," falou ela, indo ao banheiro com a caixa na mão.
Eu permaneci sentado, respirando fundo, tentando me controlar para não fazer nada imprudente.
Ela voltou e sentou-se ao meu lado, me olhando.
"Quer me contar como você se machucou?", ela me perguntou, desviando o olhar.
Não falei de imediato. Como iria falar que era porque eu estava com ciúmes e a raiva estava me dominando?
"Problemas da matilha," menti descaradamente.
"Entendo."
"Posso dormir aqui?", perguntei sem pensar muito.
Ela me olhou e soltou um suspiro.
"De jeito nenhum," falou, indo para seu lado da cama e deslizando para debaixo do cobertor.
"Eu prometo não tocar em você," falei, tentando convencê-la.
"Promete?"
"Eu prometo. Não vou te tocar sem sua permissão," prometi, mesmo sabendo que seria torturante desejá-la e não poder tocá-la.
Ela me olhou por alguns segundos e concordou com a cabeça.
"Está bom, mas sem gracinhas."
Eu me deitei e a puxei para perto. Deslizei meu braço por debaixo do pescoço dela e joguei meu outro braço por cima, abraçando-a. Aproximei meu nariz do pescoço dela e respirei fundo. Aquele cheiro que me despertava tantos desejos me dava conforto e trazia calma.
Ela não protestou e não se afastou.
Fechei meus olhos, mas não conseguia dormir. O desejo de possuí-la estava me deixando maluco.