Capítulo:56-Dylan POV

890 Words
Faz dias que Anika aceitou minha rejeição. Desde então, sinto nosso laço de companheiros enfraquecer a cada manhã; se continuarmos nos evitando, ele se tornará quase inexistente. Stella também tem me evitado desde o dia em que a marquei. Já tentei me aproximar, mas ela foge como se eu fosse o próprio inimigo. Decidi dar um tempo para que os ânimos se acalmassem. ​Após a conversa que tive com Damian, nossa relação de irmãos está voltando ao normal. Eu estava em patrulha com os guerreiros quando ele me avisou pelo elo mental que Stella estava doente e a caminho do hospital. Achei estranho. Stella quase nunca adoece; sempre fomos nós, os irmãos, que ficávamos de cama após brincarmos na chuva, enquanto ela cuidava da nossa cura. Mudei minha rota imediatamente e corri para o hospital. ​Ao chegar, encontrei apenas Romeu na sala de espera, com uma expressão carregada de preocupação. ​— Onde está a Stella? — perguntei, sem rodeios. ​Romeu hesitou e desviou o olhar. Sem paciência, usei minha autoridade de Alfa para obter a resposta. ​— Ela está lá dentro, com a Dra. Ana. ​Avancei para a porta, mas uma enfermeira tentou me barrar, segurando meu braço. ​— Desculpe, Alfa, mas o senhor não pode entrar agora. ​— Eu vou entrar, e nenhum de vocês vai me impedir. Se tentarem, eu não responderei por mim — sibilei, já no limite do meu controle. ​Abri a porta de um soco. Stella estava sentada na maca e me encarou com surpresa. A médica fez um breve aceno com a cabeça e voltou a analisar os exames. ​— Exatamente como eu suspeitava. Parabéns, Stella. Você está esperando um filhote — anunciou Ana, entregando os papéis para ela. ​Stella parecia em choque. Eu, por outro lado, senti o chão sumir. ​— Grávida? — a palavra saiu como um sussurro. Eu não conseguia entender como aquilo era possível se sempre tomávamos cuidado. ​Stella levantou-se e agradeceu a Ana com a voz embargada. A médica recomendou uma ultrassonografia em breve para checar o bebê, e Stella apenas assentiu antes de sair da sala, ignorando minha presença. Eu não podia acreditar que ela continuaria me evitando mesmo carregando um filho meu. Saí atrás dela e segurei seu braço no corredor. ​— Precisamos conversar. ​— Não temos nada para falar, Dylan. ​Ela tentou continuar andando, mas eu não lhe dei opção. Passei meus braços ao redor de suas pernas e a joguei sobre o meu ombro. ​— Dylan! O que está fazendo? — gritou Romeu, aproximando-se. ​— Precisamos conversar a sós. Empresta-me a chave do carro — pedi, estendendo a mão com o olhar fixo. ​— Eu não quero falar com você! Ponha-me no chão agora! — Stella protestava, batendo nas minhas costas. ​— Cuidado com minha filha — Romeu avisou, entregando a chave com relutância. — Se a machucar, esquecerei que você é meu Alfa. ​— Sabe que eu nunca a machucaria, Romeu — respondi, indo em direção ao estacionamento. ​Joguei-a no banco do passageiro e bati a porta. Ela cruzou os braços, bufando de raiva, enquanto eu assumia o volante. ​— Para onde está me levando? — perguntou, olhando pela janela. ​— Para a cabana. ​— Não quero ir para lá. Aquele lugar era seu e da Olívia. Não quero contaminar a memória da minha irmã com nossas brigas. ​— Então vamos para a mansão. ​— Menos ainda! A Anika está lá e, assim como eu, ela não merece sofrer vendo sua maldita indecisão, Dylan. ​— Me desculpe... eu realmente agi m*l — admiti, sentindo o peso dos meus erros. ​— Quero ir para casa — ela pediu, sem me olhar nos olhos. ​Quando chegamos à casa de Romeu, ela desceu rapidamente e foi direto para a cozinha. Encheu um copo de água, as mãos levemente trêmulas. ​— Stella... eu preciso saber. Esse filho é mesmo meu? ​Ela parou com o copo no meio do caminho e me encarou com um olhar que eu não soube decifrar. ​— Você realmente é um i****a, Dylan. Não sei como pude me apaixonar por você. ​— Eu só estou perguntando porque nós sempre usamos proteção! ​— Pois bem... o bebê não é seu — ela disparou, fria. ​O sangue ferveu em minhas veias. — O que você quer dizer com isso? ​— Encontrei meu par destinado durante as férias no Leste — mentiu ela, sustentando meu olhar. ​Segurei o braço dela com força, a simples ideia de outro homem tocando-a me cegando de fúria. — Você está me dizendo que me traiu? ​— Isso não te interessa mais, Dylan. O filho é meu, e você não tem nada a ver com ele. ​— Como "nada a ver"? Eu sou o pai dessa criança! ​— Não, não é. Assim como você encontrou a Anika, eu encontrei o meu par. E você terá que aceitar isso. ​Ela olhou fixamente nos meus olhos, e a única coisa que consegui sentir foi uma mistura corrosiva de raiva e desprezo. Eu não podia acreditar que, depois de tantos anos, ela havia me traído e escondido que encontrara seu companheiro de alma.
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