Capítulo:44-Anika Pov

564 Words
Respirei fundo, fechei os olhos e tomei coragem para fazer o que acreditava ser o certo. ​— Eu, Anika Gauthier, da matilha Lua Crescente, rejeito Damian Lancaster como meu companheiro. ​Senti, mais uma vez, como se estivessem arrancando meu coração do peito. Desta vez, uma lágrima solitária escapou e escorreu pelo meu rosto. Damian cambaleou, apoiando-se na cama para tentar se manter em pé. ​— Eu, Damian Lancaster... recuso a sua rejeição — ele declarou, fitando-me enquanto lutava para respirar. ​— Damian, você não tem esse direito! — exclamei, a raiva pulsando em minha voz. ​Ele não respondeu. Apenas se levantou com dificuldade, abriu a porta e saiu. Dylan me lançou um último olhar indecifrável antes de segui-lo. ​— Venha, deixe-me ajudar você — disse Dario, guiando-me suavemente para que eu me sentasse na cama. ​— Desculpe por descontar em você a raiva que eu sentia deles. ​— Tudo bem... desde que você não venha com esse papo de rejeição para o meu lado de novo — ele respondeu, ajoelhando-se para tirar meus sapatos de salto. ​— Obrigada por cuidar de mim. Sem você, eu não sei o que seria de mim aqui. ​— Eu te amo, Anika. E quem ama, cuida. ​Olhei nos olhos dele e soube que era hora de confiar. Se havia alguém em quem eu podia me apoiar para enfrentar os fantasmas do meu passado, esse alguém era Dario. ​— Eu menti para vocês, Dario. Não sou uma renegada qualquer. Pelo contrário: tenho uma família horrível e pertenço à matilha Lua Crescente. ​Esperei que ele ficasse chateado ou surpreso, mas ele apenas sorriu com doçura e acariciou minhas pernas. ​— Meus irmãos e eu já sabemos de tudo, Anika. Desde o momento em que Damian te encontrou na fronteira. ​— Vocês sabiam o tempo todo? Por que nunca me questionaram? ​— Porque resolvemos esperar o seu tempo. Queríamos que você se sentisse segura para se abrir. Mas... há coisas que ainda precisam ser esclarecidas. ​Respirei fundo e, pela primeira vez, deixei as palavras fluírem. Contei sobre o meu passado, sobre os castigos cruéis, as noites intermináveis presa na escuridão do porão e, finalmente, sobre a minha "morte". Enquanto eu falava, Dario fechava os olhos e cerrava os punhos, sua respiração tornando-se pesada. ​— Então você nunca tentou matar sua irmã? Foi tudo uma mentira para encobrir o fato de que ela tentou assassinar você? ​— Sim. Eu jamais ergueria a mão contra ela. Em troca, ela ordenou a minha execução. ​— E o que você pretende fazer agora? — ele perguntou, fitando-me com seriedade. ​— Quero a sua ajuda, Dario. Quero que me ensine a lutar. Preciso encontrar uma forma de controlar e canalizar meus poderes. ​— Se você quer aprender, eu serei seu mestre. Mas a pergunta que não quer calar é: o que você pretende fazer com essas habilidades? — Ele franziu a testa, buscando a verdade em meu olhar. ​Olhei para ele com uma determinação que nunca sentira antes. Falei com voz firme, pausada, deixando cada sílaba ecoar no quarto: ​— Eu quero vingança. ​Por muito tempo, permiti que me maltratassem, desprezassem e agredissem. Mas essa mulher morreu naquele porão. A que está aqui hoje não aceitará nada menos que a justiça.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD