Capítulo:45-Stella POV

655 Words
Voltei para casa e subi direto para o meu quarto. Meu pai, como sempre, deu-me alguns conselhos e respeitou o meu espaço. Tudo o que eu queria era partir; não suportaria ver Dylan casando-se e construindo com outra a família que eu tanto sonhei para nós dois. Abri a janela, que oferecia uma vista encantadora da alcateia, e deixei o vento bater no meu rosto, buscando um pouco de paz. ​Ser uma loba branca significa ter o dom de curar o próximo, mas nunca a si mesma. É em momentos como este que a saudade da minha irmã se torna insuportável. Sempre cuidamos uma da outra; quando Olívia morreu, perdi minha confidente. E agora, sem Dylan, o vazio parece absoluto. ​Ouvi batidas na porta e, pensando ser meu pai, mandei entrar. No entanto, quando a porta se abriu, o cheiro amadeirado inundou o ambiente. Eu não conseguia acreditar que, depois de tudo, Dylan tivera a audácia de vir atrás de mim. Que canalha sem vergonha. Evitei olhá-lo, pois sabia que meu coração era traiçoeiro: bastaria um pedido de desculpas para que eu cedesse novamente. ​Tentei resistir, lutei contra o desejo, mas pela primeira vez senti como se Dylan também me amasse da mesma forma. Seus toques, o beijo e o olhar possessivo diziam as palavras que ele nunca verbalizara. Entreguei-me de corpo e alma, convencida de que seria a última vez — nossa despedida antes de eu deixar a matilha para sempre. Por alguns minutos, fomos apenas nós dois, esquecidos das consequências e do mundo lá fora. ​Porém, quando senti a pontada dos caninos dele perfurando meu pescoço, o pânico me dominou. Empurrei-o com força, livrando-me do seu peso. Corri para o banheiro e tranquei a porta. Ao me olhar no espelho, o horror: lá estava ela, vívida e sangrando. A marca de Dylan. ​Ele continuou batendo na porta, recusando-se a ir embora, apesar dos meus pedidos. Era Dylan sendo Dylan: teimoso, preocupado, impossível de afastar. Eu sabia que, se achasse necessário, ele passaria a noite inteira ali. Sem outra escolha, preparei-me para encará-lo, mas como fazer isso sem demonstrar minha vulnerabilidade? ​Entrei no box e liguei o chuveiro. A água quente atingiu a ferida, fazendo-a arder enquanto lavava o sangue que insistia em descer. Peguei a esponja, encharquei-a de sabonete e esfreguei minha pele uma, duas, três vezes, tentando arrancar o cheiro e a sensação daqueles toques que ainda queimavam. Minha pele ficou vermelha e em carne viva, mas o rastro dele permanecia lá. Chorei debaixo da água, tentando ignorar as batidas incessantes na porta. ​Minutos depois, desliguei o chuveiro. Meu reflexo no espelho era deplorável: olhos vermelhos e inchados, marcas dos dedos de Dylan nos meus ombros e nas costas, e o pescoço ainda sangrando. Vesti o roupão e girei a tranca, mas, antes que eu pudesse puxar a porta, Dylan a abriu. ​Ficamos em silêncio, apenas nos encarando. A culpa estava estampada no rosto dele, até que seu olhar desceu para a marca. Ele se aproximou, afastando meus cabelos com cuidado para expor a ferida. ​— Me desculpe por fazer isso sem o seu consentimento... eu não sei explicar, mas fico completamente descontrolado quando se trata de você, Stella — sussurrou. ​Ele aproximou a boca da marca e lambeu o sangue. Eu não tive escolha a não ser permitir; a ferida não cicatrizaria até que ele completasse o processo. Senti seus caninos entrarem novamente, desta vez mais fundo, e gemi de dor. Ele sugou e limpou a marca, então segurou meu rosto, forçando-me a olhá-lo. Seus olhos encontraram os meus com uma ternura rara. Com delicadeza, ele tomou meus lábios em um beijo gentil e demorado. ​Quando nos separamos, eu o abracei com força. Era um abraço de adeus, um nó cego de tristeza. Ele retribuiu o aperto, sem ter a menor ideia de que aquela era a minha última despedida.
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