Capítulo:72-Anika POV

504 Words
. Não sei há quanto tempo estou trancada neste lugar. Minhas mãos e pernas estão em carne viva, queimadas pelas correntes de prata. Sinto meu corpo definhar a cada dia; perdi a conta de quanto sangue removeram de mim. A mulher de olhos vermelhos vem diariamente injetar acônito em minhas veias, mantendo-me em um estado de torpor onde já não consigo mais sentir Rose. O silêncio da minha loba é o que mais dói. ​Há um prisioneiro na cela ao lado que conversa comigo às vezes. Escutar a voz dele me traz um conforto doloroso, porque é o eco exato da voz do meu pai. Quando a escuridão ameaça me engolir por completo, as lembranças do passado retornam como fantasmas. Meu coração dispara, minha respiração fica curta e ofegante, o ar parece sumir. ​O estranho ao lado me explicou que isso são crises de pânico. Agora, toda vez que o desespero me atinge, fecho os olhos e tento gritar pelo elo mental o quanto amo meus Alfas, mesmo sabendo que o acônito bloqueia nossa conexão e que eles não podem me ouvir. ​— Menina... ainda está viva? — perguntou o estranho, sua voz atravessando a parede de pedra. ​— Sim... mas não sei se aguentarei por muito mais tempo — murmurei com dificuldade. ​O som metálico da porta se abrindo interrompeu nosso diálogo. A morena de olhos vermelhos entrou, exibindo um sorriso gélido. ​— Levem-na para cima — ordenou, olhando-me com um nojo evidente. ​Talvez eu estivesse mesmo repugnante. Desde que me trancaram aqui, não como e não tomo banho. Estou esquálida, com os cabelos grudados e sujos de sangue seco. Dois homens de pele pálida e mãos gélidas — vampiros, eu presumi — seguraram-me pelos braços, arrastando-me para fora daquele porão que tanto lembrava o lugar onde vivi os piores dias da minha vida. ​Mantive os olhos fechados durante todo o trajeto. Quando me jogaram no chão, pisquei várias vezes, lutando para acostumar a visão à claridade depois de tantos dias nas trevas. Arrastei-me para trás, minhas mãos trêmulas falhando pela fraqueza. ​Olhei em volta. O lugar parecia um necrotério, ou talvez um açougue. Havia uma mesa de metal com braçadeiras de couro e poças de sangue envelhecido no chão. Meu coração disparou novamente; a sensação era de estar afogando em águas profundas. ​"Pare de ser fraca uma vez na vida e me prove que o Dylan fez a escolha certa." ​A voz de Stella ecoou na minha mente. Só agora, no limiar da morte, percebi que por trás de todo o deboche e agressividade dela, havia um incentivo torto para que eu não desistisse. Ela estava me desafiando a sobreviver. ​— Desculpe... mas eu não consigo mais — sussurrei entre soluços, sentindo o queimor do acônito invadir meu ser mais uma vez. — Estou cansada de tanto sofrer e lutar. ​A escuridão me tomou novamente, mas desta vez, parecia mais pesada, como se não quisesse mais me deixar voltar
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