Quando acordei naquela cabana, vi Stella parada na cozinha. Ela usava aquele vestido branco estampado com girassóis que dei de presente no aniversário dela; os cabelos estavam presos em um coque bagunçado e ela chorava, mas, ainda assim, estava linda.
No momento em que ela revelou que esperava um filho meu, minha vontade foi de pegá-la no colo, correr para a igreja mais próxima e torná-la minha para sempre. Mas esse sentimento evaporou no instante em que ela mencionou que Anika corria perigo. Meu coração foi tomado por uma aflição esmagadora; era como se eu estivesse perdendo, mais uma vez, a pessoa mais importante da minha vida.
Já se passaram dias desde o desaparecimento de Anika, e o vazio em meu peito está me adoecendo. Não saio daquele escritório, obcecado em encontrar uma maneira de trazê-la de volta. Quando Dario contou que os malditos estavam machucando-a, o arrependimento me corroeu por não tê-la marcado quando tive a chance.
Hoje, ao sair do escritório após ouvir as verdades duras de Damian, senti-me ainda pior. Um nó na garganta, o peito apertado e meu lobo choramingando em agonia. Stella veio em minha direção e eu não a deixei dizer uma palavra; apenas a puxei e esmaguei meus lábios nos dela em um beijo urgente.
Mas não foi como antigamente. Não havia amor ou desejo. Foi como se aquela chama nunca tivesse existido. A única imagem que invadiu minha mente foi a de Anika. Agora eu entendo: eu sempre a amei, mas me agarrei à ganância e à obsessão pela Stella, preferindo negar o que sentia. Fui cego demais para perceber que o meu lugar era, e sempre foi, ao lado de Anika.
Stella se afastou do beijo com uma expressão estranha e me estudou por alguns segundos.
— O que aconteceu? — perguntou, cruzando os braços, desconfiada.
— Nada. Apenas os mesmos problemas — respondi, voltando a caminhar.
— Damian?
— Sim. Tivemos uma briga, nada demais.
Stella parou subitamente e me encarou com seriedade.
— Dylan, você não tem culpa. Você tentou protegê-la e quase morreu. Não deixe o i****a do Damian te culpar por algo que você não pôde evitar. — Ela caminhou até mim e segurou minhas mãos, entrelaçando nossos dedos. — Dylan... eu encontrei o meu par destinado. É o Gael.
Ela me olhou com os olhos castanhos transbordando culpa.
— Desde quando? — perguntei, mantendo a voz calma.
— Desde o dia em que completei dezoito anos — confessou, com as lágrimas já descendo pelo rosto.
— E por que não me contou?
— Porque eu o rejeitei, Dylan. No mesmo dia. E eu... — Ela parou, suspirando fundo e virando o rosto para esconder o pranto.
— Não se culpe. Você era apenas uma menina apaixonada. Eu já desconfiava que isso aconteceria, mas jamais imaginei que seria o Gael.
— Me desculpa por esconder isso de você — ela sussurrou, mordendo os lábios para conter os soluços.
— Não chore. Não gosto de ver você assim. Eu entendo e sei que não fez por m*l. Mas, por favor, de agora em diante, nada de segredos, ok? — Limpei suas lágrimas com o polegar.
— Eu prometo. Nunca mais esconderei nada importante. Eu te amo — ela disse, abraçando-me com força.
Eu também amava a Stella. Sempre cuidaria dela, mas agora entendia que esse amor era diferente. Ela seria minha amiga, minha aliada e a mãe do meu filho. Meu coração, no entanto, pertencia à loba que estava sofrendo em algum lugar nas mãos das bruxas.