Enquanto eu estava deitada, uma das servas entrou no cômodo que deduzi ser o banheiro pelo barulho da água corrente. A outra sumiu em outro cômodo e voltou com alguns vestidos nas mãos. Sentei, observando-as fazer suas tarefas, mas ouvi uma voz me chamar:
"Anika."
Dei um pulo e respirei fundo, tentando me acalmar.
"Finalmente estamos juntas, Anika," falou meu lobo para mim.
Não pude deixar de chorar de emoção. Era real, realmente era real: eu tinha um lobo.
"Não acredito. É realmente você? Não estou alucinando?" perguntei, limpando minhas lágrimas.
"A Deusa da Lua nos deu outra chance, Anika, de ficarmos juntas," disse minha loba.
"Eu sou muito grata por ser abençoada com tamanha felicidade," falei, sentindo-me mais forte.
"Meu nome é Rose," falou minha loba.
"Muito prazer, Rose. Não vejo a hora de termos nossa primeira transformação," falei, olhando para a serva que me pediu para levantar e a segui até o banheiro.
"Senhora, tire suas roupas para que eu possa te banhar," pediu a serva, ainda de cabeça baixa.
"Tirar minhas roupas? De jeito nenhum!", falei, envolvendo os braços ao redor dos meus s***s.
"Senhora, por favor, esse é meu trabalho," pediu a serva novamente.
Depois de tantos protestos, resolvi ceder e entrei na banheira, como a serva me pediu. Ela lavou meus cabelos e me banhou.
Depois de alguns minutos, saí e fui enrolada em uma toalha e conduzida novamente ao quarto. Em cima da cama havia um vestido rosa bebê de seda e uma caixa com um par de sapatos altos, brancos com detalhes dourados.
"Senhora, vista este vestido," instruiu uma das servas.
Rapidamente, comecei a vesti-lo.
"Eu irei pentear seus cabelos," falou a outra serva, de cabelos curtos.
Sentei-me de frente para a penteadeira e a observei trançar meu cabelo através do espelho, colocando alguns enfeites de flores que combinavam com meu vestido. Fui maquiada, e meus lábios foram pintados de rosa.
Uma das servas veio de um cômodo com uma caixa nas mãos. Ao abri-la, revelou um conjunto de brincos e um colar feitos de ouro com pequenas pedras de diamantes. Fiquei incrédula, com medo de quebrar ou perdê-los.
"Você está linda, Senhora," falou a serva de cabelos curtos, animada.
Olhei para minha imagem no espelho e não reconheci a mulher à minha frente. Como eu podia ser tão bonita e nunca perceber isso?
"Os Alfas virão buscá-la para o jantar," avisou uma serva de cabeça baixa.
"Alfas? Onde estou?", perguntei, curiosa.
"Na matilha Sombra da Noite, Senhora," respondeu a serva.
Quando soube onde eu realmente estava, fiquei nervosa, pois de tantas matilhas na fronteira, a Deusa da Lua tinha que me colocar logo na que os Alfas eram conhecidos por matar rindo. As servas saíram depois de alguns minutos e eu fiquei sentada, ainda pensando no que faria.
"Estamos ferradas, Rose. Como vamos fazer para fugir desse lugar?", perguntei à minha loba.
Mas, antes de obter uma resposta, um cheiro de damasco preencheu o quarto, fazendo Rose se agitar dentro de mim.
"Companheiro," repetiu Rose.
E uma batida soou na porta.
"Pode entrar," falei, com meu coração disparado.
A porta se abriu e Damian entrou. Permaneci sem dizer nada, tentando disfarçar o máximo possível que senti o laço de companheiros.
"Está pronta? Vim te buscar," falou Damian.
Somente o jeito que ele estava me olhando fazia arrepios percorrerem meu corpo.
"Sim, podemos ir," falei, nervosa.
Ele tocou meu braço para me guiar, e pude sentir faíscas com seu toque. Chegamos a uma grande porta de madeira que tinha um grande espelho. Damian a abriu e me conduziu para dentro.
Quando entrei, senti o cheiro de damasco ainda mais intenso, e Rose se agitou mais uma vez, repetindo: "Companheiros."
Olhei ainda mais confusa para Dylan e Dario, que estavam sentados à mesa.