Eu fiquei ainda mais encantado quando ela finalmente acordou e me olhou com aqueles olhos azuis. Ronne se agitou dentro de mim, esperando pela loba dela, mas nada; era como se ela não sentisse que éramos seus companheiros.
Olhei para meus irmãos, que estavam sentados no nosso escritório. Damian tinha a mesma expressão de preocupação que eu. Já Dylan estava perdido em pensamentos, com aquele olhar vazio, e era difícil saber o que ele realmente estava sentindo.
Ficamos alguns minutos sem falar, até Damian ser o primeiro a quebrar o silêncio.
"Como ela não sentiu a ligação de companheiros?", perguntou, passando a mão no rosto.
"Eu realmente não sei. Ela não demonstrou nenhuma emoção ou reação," respondi.
"Só há duas explicações: deve ter algo errado com o lobo dela, ou ela está fingindo não sentir," falou Dylan, ainda com a expressão séria.
"Vamos esperar. Ela tinha acabado de acordar e talvez ainda tenha acônito no organismo dela, o que a impede de sentir seu lobo," falou Damian, jogando-se no sofá de canto como se um peso estivesse sobre ele.
"E o que vamos fazer? Perguntar a ela?", perguntei, abrindo uma garrafa de uísque.
"Se ela sentiu, não terá como esconder. O laço de companheiros trai o corpo dela. A atração é inevitável," falou Damian com um sorriso malicioso no rosto.
"Então, vamos descobrir logo. Dylan, vá buscá-la para o jantar."
"E por que diabos tem que ser eu? Mande uma serva trazê-la."
"Eu vou buscá-la," falou Damian, se levantando.
O Jantar
Eu e Dylan fomos para a mesa de jantar. Depois de alguns minutos, Damian voltou, e logo atrás dele estava Anika, deslumbrante com aquele vestido que caía bem em suas curvas.
Ela estava me olhando novamente, mas com uma expressão totalmente diferente: confusão e nervosismo. Eu me perguntei se ela finalmente sentiu a ligação de companheiros. Mas ela simplesmente respirou fundo, sentou-se e olhou para mim e meus irmãos, sem falar nada.
Um silêncio ensurdecedor se instalou no cômodo, e nenhum de nós falou nada. Damian lançava olhares entre mim e Dylan, que, ao contrário de nós dois, estava mais empenhado em focar na sua refeição.
"Anika, não é? É de qual matilha?", perguntou Dylan, sem tirar os olhos do prato.
Ela ficou ainda mais nervosa. Segurei uma de suas mãos, entrelaçando nossos dedos. O corpo dela respondeu ao meu simples toque. Ela mordeu o lábio inferior, tentando se concentrar no que Dylan havia perguntado, mas não tirou a mão.
"E-eu, hum... não tenho matilha. Sou uma renegada," mentiu ela descaradamente.
Assim como eu, meus irmãos também perceberam.
"Renegada? Interessante," falou Dylan, levando sua taça de vinho à boca.
Eu não estava entendendo o comportamento de Dylan, mas sabia que era pelo laço de companheiros. Em relação ao meu irmão e seu gosto peculiar em relações sexuais, eu tinha quase certeza de que isso seria um problema.
A Caminhada Noturna
Depois do jantar, conversamos por alguns minutos antes de Anika ir dormir. Voltei para o meu quarto, tomei um banho e me deitei.
"Eu a quero," reclamou Ronne.
"Eu também a quero, Ronne, mas não podemos pressioná-la agora."
"E o que você vai fazer? Esperar até que um dos seus irmãos a tome de nós?"
"Isso tem que ser uma escolha de Anika, e meus irmãos também são companheiros dela, então temos que ser pacientes."
Falei, tentando dormir, mas Ronne era muito impaciente. Às vezes, eu pensava que ele deveria ser o lobo de Dylan; eles se dariam bem.
"Infelizmente, não estou conseguindo dormir, então vamos dar uma caminhada," falei para Ronne, pegando uma jaqueta e saindo do meu quarto.
Desci as escadas, mas o cheiro de pêssego e baunilha chamou minha atenção, vindo da cozinha. Fui até a cozinha, e Anika estava comendo, mas se levantou quando me viu entrar.
Eu pude ter um vislumbre de sua camisola curta de seda e como ela a fazia ficar tão sexy.