Capítulo:53-Damian POV

874 Words
Eu estava desesperado. Deixei que a mágoa que carrego por Dylan tomasse conta de mim e precisei quase perder a Anika para perceber a estupidez que estava cometendo. Eu estava me transformando em alguém horrível, e a ficha só caiu quando vi Dylan sentado sozinho na floresta, agonizando de dor. Pela primeira vez na vida, vi meu irmão chorar. Eu tinha ido longe demais por causa do meu maldito egoísmo, machucando aquele que me protegeu desde que me conheço por gente. ​FLASHBACK ON ​Aproximei-me em silêncio e sentei-me atrás dele, dando-lhe espaço; sabia que seria desconfortável para ele ser visto naquele estado. ​— Eu sinto muito — comecei, com a voz embargada. — Deixei uma competição i****a do passado falar mais alto do que nossa união. ​— Você não tem culpa — Dylan respondeu, sem se virar. — Eu deveria saber o que realmente quero, mas falhei. Acho que não sirvo nem para me tornar um Alfa. ​— Devo admitir que parte da culpa é minha. Eu não deveria ter beijado a Stella, nem ter tentado impedir você de se aproximar da Anika. Fui egoísta. ​— Damian, eu prometi trazê-la viva e não cumpri — Dylan disse, referindo-se à perda que nos assombrava. — Aceitei suas ofensas calado por anos, achando que era sua forma de me punir. Mas o tempo passou e você nunca mais foi o mesmo. Continua me culpando por algo que eu não tive como evitar. ​— Eu sinto muito... Estava dominado pela raiva. Tratar você com indiferença foi o único jeito que encontrei para não demonstrar que eu também estava sofrendo. ​— Somos uns bastardos — Dylan suspirou, amargo. — Fizemos não só um ao outro sofrer, como também despedaçamos a Anika e a Stella. ​— O que você vai fazer agora? — perguntei, observando o céu estrelado. ​— Eu não sei. A Anika aceitou a minha rejeição e a Stella tem me evitado desde que a marquei. ​— Dylan, você precisa decidir. Está machucando as duas com essa indecisão. Se quer um conselho: siga o seu coração — falei, dando um tapinha em seu ombro e me levantando. ​— E você? Não vai aceitar a rejeição da Anika? ​— Não. Vou fazer o que é certo: vou reconquistá-la. E se você realmente escolher ficar com ela, sugiro que faça o mesmo. ​FLASHBACK OFF ​Após aquela conversa, tentei falar com Anika, mas ela me evitou por duas semanas. Decidi mudar de estratégia. Se ela não queria ouvir minhas palavras, eu a faria lembrar, através de um beijo, que não importa o quanto ela me rejeite: eu a amo. ​Na primeira tentativa, quase fomos às vias de fato, mas o "empata-prazer" do Dario apareceu para estragar tudo. Então, resolvi tentar de novo, mas de um jeito diferente; eu sabia que ela não cairia na mesma armadilha duas vezes. ​Durante a tarde, enquanto resolvia problemas da matilha, vi Romeu e Stella em frente à mansão. Inventei um álibi sobre alguns papéis para ganhar tempo e avisar Dylan. Fiz um elo mental com meu irmão, informando que ela estava ali. Romeu, no entanto, parecia apressado. ​— Vai passear com sua filha? — perguntei, fingindo desinteresse enquanto fingia revisar os documentos. ​— Infelizmente, não. Estamos indo ao hospital da matilha. Stella não tem passado bem. ​Olhei para Romeu e vi a preocupação genuína em seu rosto. Mantive Dylan informado pelo elo mental durante todo o tempo. Passei o resto do dia treinando os novos guerreiros para ocupar a mente. Quando voltei para casa, vi Anika com Sabrina no jardim; era a minha chance. ​Entrei no quarto dela, apaguei as luzes e esperei na poltrona. O cansaço me venceu e acabei cochilando. Despertei com o barulho dela tropeçando no tapete e soltando um xingamento baixo. Estranhei o fato de ela não ter sentido meu cheiro nem minha presença — ela realmente precisava de um treinamento sensorial urgente. ​Levantei-me e a enlacei por trás assim que ela acendeu a luz. Ela tentou gritar, mas eu a contive. Com aquele jeito marento que sempre me excitava, ela mandou que eu saísse. Sem perder tempo, prensei-a contra a porta e a beijei com vontade. Desta vez, ela não resistiu. Pelo contrário, entregou-se ao beijo com uma fome que igualava a minha. ​Só paramos quando o fôlego nos faltou. Colei minha testa na dela, observando seu rosto corado e a respiração ofegante. ​— Estava com saudades — confessei. ​— Eu também estava — ela admitiu, ainda de olhos fechados. ​— Me desculpa... Fui um completo i****a. Eu não queria ter magoado você. ​Ela abriu os olhos, e aquele azul profundo me encarou com intensidade. ​— Me promete que nunca mais vai me trair? ​— Eu prometo. Nunca mais olharei para outra mulher. Eu estava fora de mim, Anika. Eu te amo. Nunca senti nada pela Stella; era apenas provocação contra o Dylan. ​— Só não me faça sofrer novamente, Damian. Não seja como o seu irmão. ​— Jamais. Eu te amo — reafirmei, tomando seus lábios novamente, desta vez em um beijo lento e carregado de promessas.
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