Quando Dylan chegou à casa de praia, notei que ele parecia exausto; algo estava profundamente errado. Ele não me deixava mais dormir na mesma cama e evitava me tocar. A única vez que transamos, ele estava bêbado e, por um momento, tive a nítida sensação de que ele me chamou pelo nome de outra. Isso estava me deixando frustrada. Ontem, antes de Dylan anunciar que voltaríamos para a matilha, ele estava agindo de forma estranha. Preocupada e sem conseguir dormir, fui até o quarto dele. Ouvi gemidos abafados e abri a porta devagar, temendo que ele estivesse me traindo sob o mesmo teto, mas a cena que vi partiu meu coração.
Dylan estava sentado no chão, com as mãos e os pés sangrando, perfurados pelos cacos de vidro espalhados pelo quarto. Ele suava frio, respirando com dificuldade, e sua expressão era de pura agonia. Eu o ajudei a se deitar e cuidei de seus ferimentos, mesmo enquanto ele gritava e protestava para que eu o deixasse sozinho. No processo, acabei cortando meus próprios pés nos vidros. Fiquei triste ao ver meu sangue, pois o Dylan de antigamente nunca me deixaria chegar perto com receio de que eu me machucasse. Agora, olhá-lo naquele estado — distante e perdido — me feria mais que o vidro.
Depois de alguns minutos, a dor dele pareceu diminuir e ele adormeceu de cansaço. Passei a noite acordada ao seu lado, temendo perdê-lo. No dia seguinte, quando perguntei o que havia acontecido, ele desconversou, dizendo ser apenas um m*l-estar. No entanto, algo mudou: ele estava mais carinhoso, como se o meu verdadeiro Dylan tivesse retornado para meus braços.
Fiquei feliz ao chegar à alcateia; estava com saudades de meu pai e de meus melhores amigos, Dario e Damian. Eu e minha irmã, Olívia, crescemos com os três irmãos. Meu pai, Romeu, o Beta da matilha, e Augusto, o antigo Alfa e pai de Dylan, sempre foram grandes amigos.
Mas o clima no escritório estava tenso. Damian saiu chateado, e Dario, embora receptivo, parecia esconder algo. Dei um selinho em Dylan e saí para ver meu pai, mas, ao passar pela entrada da mansão, ouvi as servas fofocando. Eu não costumava dar ouvidos a "pobres coitadas", mas elas falavam tão alto que foi impossível ignorar. Quando mencionaram que uma tal de Anika era a companheira destinada não de um, mas dos três Alfas, meus pés congelaram no degrau da escada. Meu coração disparou, lágrimas ameaçaram cair e a fúria da traição fez minha loba arranhar minhas entranhas com desejo de matar.
Voltei para dentro, decidida.
"Quem é Anika?", gritei, encarando Dylan e Dario, que arregalaram os olhos.
"Stella, acalme-se," disse Dylan, segurando minhas mãos trêmulas. A ideia de perdê-lo me enlouquecia.
"Vou deixá-los sozinhos para conversarem," disse Dario, dando-me um beijo na testa antes de sair.
Encarei Dylan. "Companheira? Sua companheira, Dylan?", perguntei, sem conseguir mais conter o choro.
"Sim. Anika é minha companheira destinada, e também de meus irmãos," ele disse, afastando-se quando puxei minhas mãos.
"Você vai me deixar? Vai reivindicá-la como Luna?"
"Eu... eu a rejeitei. Não vou te deixar. Você ainda será minha e a futura Luna desta alcateia."
Ele hesitou. Seus punhos fechados e a mandíbula cerrada denunciavam que aquelas palavras eram uma luta interna. Aquilo despedaçou meu coração.
"Eu te amo, Dylan," falei, abraçando-o.
Ele retribuiu e acariciou meu cabelo, mas, quando levantei o rosto para beijá-lo, ele se esquivou e beijou minha testa.
"Dylan, o que houve?"
"Nada, só estou cansado."
"Vamos tomar um banho e descansar agarradinhos?", pedi, fazendo biquinho. Ele negou com a cabeça.
"Me diga, Dylan, o que você está escondendo?"
"Anika não aceitou a rejeição."
Quando ele confessou, meu sangue ferveu. Eu não podia acreditar que todo aquele sofrimento de Dylan, na noite anterior, havia sido causado por aquela vadia