Acordei e Anika ainda dormia profundamente em meus braços. Olhei para a marca em seu pescoço, passando o polegar por cima da pele sensível, e me perguntei se Dylan também sentiria o desejo de marcá-la. Sei que aquele i****a está tentando fazer o que acha certo ao se manter distante, mas acabará sendo movido pelos sentimentos. Tanto eu quanto Damian teremos que aceitar o que for melhor para Anika.
Levantei-me devagar para não acordá-la, vesti-me e saí do quarto em direção à cozinha. Todos estavam ocupados com suas tarefas, mas pararam imediatamente quando me viram.
"Quem são as servas responsáveis pelas refeições de Anika?", perguntei, varrendo o local com o olhar.
"Somos nós duas, Alfa," respondeu uma serva de cabelos curtos, prontamente.
"Quero que levem o café da manhã no quarto para ela."
"Sim, Alfa," disse ela, baixando a cabeça em sinal de respeito.
Enquanto saía da cozinha, recebi um chamado por elo mental de Damian, pedindo para encontrá-lo no escritório.
"O que houve?", perguntei ao entrar na sala.
"Dylan antecipou o retorno. Recebi um elo dele avisando que está chegando com nossos pais e Stella."
"E o que o levou a voltar antes?", perguntei, arqueando uma sobrancelha.
"A súbita aparição da sua bruxinha," Damian respondeu com amargura. Respirei fundo.
"Não temos como evitar esse encontro. Só não queria que fosse justo hoje, logo após eu ter marcado a Anika."
Um silêncio pesado se instalou no escritório. Eu sabia que a ideia de partilhar Anika ainda era complicada para nós, especialmente quando nós três carregávamos um instinto de posse e obsessão quase incontrolável.
"Como assim? Ela permitiu?", perguntou Damian, sentando-se no sofá de canto.
"Nós transamos e eu a marquei," falei, apontando para a marca em meu próprio pescoço que Anika havia feito em mim.
"Ela escolheu você?", Damian perguntou, o olhar fixo no vazio.
"Não. Ela ainda é virgem... Mas, por mais que isso nos agrade agora, temos que aceitar que, em algum momento, ela terá que escolher um de nós."
"Tenho um leve pressentimento de que esse será o i****a do Dylan," Damian disse, cerrando a mandíbula.
"Será uma decisão dela. Não podemos interferir."
"Espero que Anika seja diferente da Olívia," rosnou Damian, socando o encosto do sofá.
"Não tenho dúvidas disso. Somos companheiros dela; o amor é recíproco."
"Isso talvez mude quando ela se envolver com o Dylan, não vamos esquecer...", Damian parou de falar quando a porta se abriu bruscamente.
"Foi só eu sair por duas semanas e as bruxas fazem a festa?", Dylan entrou no escritório com seu tom autoritário, seguido por Stella.
"Falando no diabo...", Damian murmurou, levantando-se e saindo sem olhar para trás.
"Senti saudades, Dario!", Stella exclamou, jogando-se em meu colo e me abraçando.
"Seja bem-vinda de volta, estrelinha. Também senti sua falta," respondi, retribuindo o abraço de forma fraternal.
"Vou deixar vocês conversarem. Amor, vou ver meu pai," ela disse, dando um selinho em Dylan antes de sair.
Assim que a porta fechou, encarei meu irmão. "Não quero ser inconveniente, mas já contou a ela sobre a Anika?"
"Ainda não. Eu a rejeitei, mas Anika resolveu complicar as coisas não aceitando a rejeição," Dylan falou, sentando-se exausto na cadeira atrás da escrivaninha.
"Não aceitar a rejeição significa que vocês ainda têm um laço. E pior: vocês sentirão a dor da traição se não tiverem as marcas de companheiros."
"Isso será um problema enorme. Toda vez que vocês a tocarem ou a beijarem, eu sentirei. Se forem os dois juntos, sentirei a dor em dobro," Dylan disse, a preocupação estampada no rosto.
"Quem é Anika?", a voz de Stella ecoou, tempestuosa, enquanto ela entrava novamente pela porta, tendo ouvido claramente o nome proibido.