Passei a vida inteira nas sombras. Eu me acovardava diante das pessoas, permitindo-me ser submissa, invisível e calada. Mas agora, eu serei uma Luna. Aquela diante de quem toda a alcateia se curvará; aquela que exigirá o respeito de qualquer lobo. Eu não sou mais fraca. Pelo contrário: sinto meus poderes cada dia mais vibrantes, fluindo como fogo em minhas veias.
Com a determinação de nunca mais ser chamada de "aberração" e movida por uma sede de vingança que me servia de combustível, coloquei os livros sobre a cabeça. Respirei fundo e comecei a caminhar. Cabeça erguida, coluna reta, passos leves e precisos.
Fui até as escadas e voltei sem deixar que um único volume caísse. Sabrina dava pulinhos de alegria, incapaz de conter o entusiasmo.
— Isso foi incrível! Finalmente você aprendeu a caminhar como uma verdadeira Luna.
— Na verdade, nem eu acredito que consegui — confessei, sentindo um raro brilho de satisfação. — Mas agora estou pronta para a próxima lição.
— Suas aulas comigo acabaram, Anika. Eu lhe ensinei a se portar, mas isso não se trata apenas de etiqueta. A postura de uma Luna diz tudo sobre ela. Aprender a andar de cabeça erguida serve para mostrar superioridade. Jamais abaixe a cabeça para ninguém, ouviu bem? Bom, amanhã vamos às compras. Ordens dos seus futuros maridos.
Franzi a testa, formando uma carranca. "Futuros maridos"? Eu ainda não tinha aceitado nenhum deles. Percebendo minha confusão, Sabrina cessou o riso e me encarou com seriedade.
— O que houve, Anika?
— Nada demais. Só estou um pouco cansada. Podemos continuar amanhã? — perguntei, forçando um sorriso diplomático.
— Claro. Vá descansar. Conversamos amanhã.
Fiz um breve aceno de cabeça e saí em direção ao meu quarto, rezando para não encontrar nenhuma "surpresa" de Damian me esperando. Abri a porta, entrei e a tranquei imediatamente; queria garantir que nenhum deles invadisse meu espaço enquanto eu estivesse no banho. Tirei os sapatos, mas estranhei a escuridão absoluta do cômodo.
Antes que eu pudesse alcançar o interruptor, um par de mãos me envolveu por trás. Uma palma firme tapou minha boca, abafando o grito que o susto arrancou de mim. Meu coração disparou e minhas pernas tremeram como vara verde. Tentei me debater, lutando contra o dobro da minha força e altura, mas hesitei em usar meus poderes para não feri-lo gravemente.
— Você ficou completamente maluco? — sibilei furiosa assim que ele retirou a mão.
— Você realmente precisa de um treinamento intenso, lobinha. Que tipo de loba é você, que nem sentiu meu cheiro ao entrar no quarto? — Damian perguntou, mantendo as mãos em minha cintura e pressionando nossos corpos.
O pior é que ele tinha razão. Eu não sentira sua presença, mas a fúria falava mais alto que a lógica. Eu não admitiria que ele estava certo.
— E quem você pensa que é para invadir meu quarto desse jeito?
— Sou seu companheiro e futuro Alfa. Não preciso de autorização para andar na minha própria casa.
— Eu não acredito que estou ouvindo isso! Você é um folgado, Damian. Saia do meu quarto agora! — exclamei, empurrando-o.
— Calma. Eu vou sair... mas antes, vou pegar o que vim buscar.
— Pegar o quê? — olhei em volta, confusa.
— Um beijo seu.
Antes que eu pudesse protestar, ele me prensou contra a porta e esmagou seus lábios nos meus. Em vez de empurrá-lo, traí a mim mesma. Abri a boca, dando passagem para a língua dele, que devorava a minha sem qualquer pudor. Minha consciência gritava para que eu o afastasse, mas meu corpo, traidor e sedento, implorava por mais.