Capitulo:51-Anika POV

627 Words
Passei a vida inteira nas sombras. Eu me acovardava diante das pessoas, permitindo-me ser submissa, invisível e calada. Mas agora, eu serei uma Luna. Aquela diante de quem toda a alcateia se curvará; aquela que exigirá o respeito de qualquer lobo. Eu não sou mais fraca. Pelo contrário: sinto meus poderes cada dia mais vibrantes, fluindo como fogo em minhas veias. ​Com a determinação de nunca mais ser chamada de "aberração" e movida por uma sede de vingança que me servia de combustível, coloquei os livros sobre a cabeça. Respirei fundo e comecei a caminhar. Cabeça erguida, coluna reta, passos leves e precisos. ​Fui até as escadas e voltei sem deixar que um único volume caísse. Sabrina dava pulinhos de alegria, incapaz de conter o entusiasmo. ​— Isso foi incrível! Finalmente você aprendeu a caminhar como uma verdadeira Luna. ​— Na verdade, nem eu acredito que consegui — confessei, sentindo um raro brilho de satisfação. — Mas agora estou pronta para a próxima lição. ​— Suas aulas comigo acabaram, Anika. Eu lhe ensinei a se portar, mas isso não se trata apenas de etiqueta. A postura de uma Luna diz tudo sobre ela. Aprender a andar de cabeça erguida serve para mostrar superioridade. Jamais abaixe a cabeça para ninguém, ouviu bem? Bom, amanhã vamos às compras. Ordens dos seus futuros maridos. ​Franzi a testa, formando uma carranca. "Futuros maridos"? Eu ainda não tinha aceitado nenhum deles. Percebendo minha confusão, Sabrina cessou o riso e me encarou com seriedade. ​— O que houve, Anika? ​— Nada demais. Só estou um pouco cansada. Podemos continuar amanhã? — perguntei, forçando um sorriso diplomático. ​— Claro. Vá descansar. Conversamos amanhã. ​Fiz um breve aceno de cabeça e saí em direção ao meu quarto, rezando para não encontrar nenhuma "surpresa" de Damian me esperando. Abri a porta, entrei e a tranquei imediatamente; queria garantir que nenhum deles invadisse meu espaço enquanto eu estivesse no banho. Tirei os sapatos, mas estranhei a escuridão absoluta do cômodo. ​Antes que eu pudesse alcançar o interruptor, um par de mãos me envolveu por trás. Uma palma firme tapou minha boca, abafando o grito que o susto arrancou de mim. Meu coração disparou e minhas pernas tremeram como vara verde. Tentei me debater, lutando contra o dobro da minha força e altura, mas hesitei em usar meus poderes para não feri-lo gravemente. ​— Você ficou completamente maluco? — sibilei furiosa assim que ele retirou a mão. ​— Você realmente precisa de um treinamento intenso, lobinha. Que tipo de loba é você, que nem sentiu meu cheiro ao entrar no quarto? — Damian perguntou, mantendo as mãos em minha cintura e pressionando nossos corpos. ​O pior é que ele tinha razão. Eu não sentira sua presença, mas a fúria falava mais alto que a lógica. Eu não admitiria que ele estava certo. ​— E quem você pensa que é para invadir meu quarto desse jeito? ​— Sou seu companheiro e futuro Alfa. Não preciso de autorização para andar na minha própria casa. ​— Eu não acredito que estou ouvindo isso! Você é um folgado, Damian. Saia do meu quarto agora! — exclamei, empurrando-o. ​— Calma. Eu vou sair... mas antes, vou pegar o que vim buscar. ​— Pegar o quê? — olhei em volta, confusa. ​— Um beijo seu. ​Antes que eu pudesse protestar, ele me prensou contra a porta e esmagou seus lábios nos meus. Em vez de empurrá-lo, traí a mim mesma. Abri a boca, dando passagem para a língua dele, que devorava a minha sem qualquer pudor. Minha consciência gritava para que eu o afastasse, mas meu corpo, traidor e sedento, implorava por mais.
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