Foram longos minutos torturantes de agonia. Eu suava, meu peito ardia, minhas pernas e mãos tremiam enquanto as lágrimas lavavam meu rosto. Naquele momento, em meio à dor, fiz uma promessa a mim mesma: jamais permitiria que me machucassem assim outra vez.
— Aguenta, Anika. Lembre-se: você é mais forte do que imagina — Rose me incentivava, embora para ela o sofrimento do laço agredido também fosse quase insuportável.
Limpei o rosto com as mãos e forcei meu corpo a reagir.
— Não toque em mim! — disparei com fúria para Damian, que tentava segurar meu ombro.
— Deixa eu te ajudar com a dor... — ele pediu, com os olhos carregados de uma preocupação que agora me parecia falsa.
— Eu não preciso da sua ajuda. O Dario vai me ajudar.
Virei-me para caminhar em direção à mansão, mas fui surpreendida quando Dario me pegou no colo. Soltei um grito de susto, mas ele me segurou com firmeza.
— Na minha frente, você não precisa ser forte o tempo todo — sussurrou, olhando fixamente em meus olhos.
Encostei a cabeça em seu peito e chorei. Chorei tudo o que estava guardado, permitindo-me, pela primeira vez, desabar. Mas, enquanto as lágrimas caíam, uma certeza se solidificava: eu nunca mais seria a mesma. Quando chegamos ao quarto de Dario, a dor física parou, deixando em seu lugar apenas a raiva e um vazio gelado.
— Faça um elo mental com seus irmãos. Chame-os aqui agora — ordenei, encarando o nada.
— Anika, não é melhor descansar um pouco? Pense com calma antes de falar com eles... — sugeriu Dario, hesitante.
Olhei para ele com a fúria faiscando em minhas pupilas.
— E eles pensaram em mim? Pensaram se isso me machucaria ou se eu sentiria na pele a agonia da traição? Não. Eles não pensaram. Então não me peça para poupá-los, porque eles não tiveram misericórdia quando foi a minha vez!
Minha voz saiu alterada, e pude sentir o poder das bruxas fluindo em minhas veias, aquecendo meu sangue. Dario recuou um passo, surpreso, e assentiu. Minutos depois, a porta se abriu. Damian e Dylan entraram.
— Anika, eu sei que errei, movido pela raiva e pelo ciúme — Damian começou, sentando-se ao meu lado. — Sei que não há desculpa que justifique, mas prometo que jamais farei de novo se você me der uma chance de me redimir.
Eu não respondi. O silêncio se instalou no cômodo, pesado o suficiente para que ouvíssemos apenas nossas respirações descompassadas.
— Eu quero a rejeição de ambos — anunciei, decidida.
— Nem pensar! Eu não vou te rejeitar! — Dario exclamou, nervoso.
Levantei-me e encarei Dylan, que permanecia em silêncio desde que entrara.
— Eu tentei fazer você me amar, Dylan. Mas acho que cheguei tarde demais na sua vida. Você ama a Stella, e só você ainda não percebeu isso.
— Anika, eu sinto muito... não queria que fosse desse jeito. Eu te amo e jamais quis machucá-la, mas quando se trata da Stella e...
— Você perde o controle — interrompi-o. — E, por mais que nosso laço seja forte, ele nunca será maior do que o seu amor por ela.
Fui até ele e mergulhei nos seus olhos verdes, outrora tão desejados.
— Eu, Anika Gauthier, da matilha Lua Crescente, aceito a rejeição de Dylan Lancaster como meu companheiro.
No instante em que as palavras foram ditas, senti como se uma adaga em brasa atravessasse meu peito. A dor do rompimento foi atroz; as lágrimas ameaçaram cair, mas eu as reprimi com uma força que não sabia que possuía. Recusei-me a derramar uma gota sequer na frente dele.
Dylan cambaleou, encostando-se na parede com as mãos no peito, rugindo de dor. Dario correu para me abraçar, tentando me estabilizar através do nosso elo, enquanto Damian permanecia estático, olhando-me como se estivesse vendo um fantasma. O laço triplo acabara de ser quebrado.