Descolori meu cabelo para um loiro platinado, coloquei lentes de contato azuis e, agora, encaro meu reflexo. Estou usando um conjunto de saia e cropped brancos bem justos, botas de cano fino até o joelho e uma jaqueta de couro preta para completar o visual.
Por que estou assim? Para me infiltrar no território humano. Preciso parecer uma mulher comum, embora eu não tenha nada de normal. Fui criada a vida toda para ser a Luna perfeita; aprendi a seduzir, a lutar e a matar. E quem me ensinou isso? Certamente não foi meu pai, nem o Gael. Foram os irmãos Lancaster. Dario, Damian e Dylan me moldaram para ser a mulher que qualquer homem desejaria, independentemente da raça. Sei me defender com facas, punhais, flechas e artes marciais.
Mas, apesar do treinamento, o medo é meu companheiro constante. Não temo por mim, mas pelo bebê em meu ventre. Prometi a Dylan que teria cuidado, e Gael me fez jurar que voltaria inteira depois de me roubar um beijo de despedida. Na hora, minha vontade foi de matá-lo, mas acabei correspondendo. Minha mente dizia não, mas meu corpo e minha loba necessitavam do toque dele, lembrando-me de que nosso laço ainda pulsa, por mais fraco que pareça.
Agora, estou aqui, montada em minha Ducati, com uma tatuagem falsa na coxa, cruzando a fronteira humana. Os meninos escolheram este território primeiro porque, apesar de ser habitado por humanos, é um refúgio para diversas raças que buscam o sigilo das grandes cidades.
Rodei pela cidade durante o dia e não encontrei absolutamente nada. Hospedei-me em um hotel em frente a uma cafeteria e, confesso, minha vontade era nunca mais sair de lá após provar um tal de "pão de queijo"; desejei comer aquilo pelo resto da vida. Mas o dever chamava.
Ao cair da noite, vesti um preto nada básico, calcei os saltos e fui para uma boate. Estou sentada à mesa, fingindo beber como qualquer humana solitária em busca de diversão, enquanto meus ouvidos captam cada conversa, tentando localizar qualquer rastro de bruxas na cidade.
— Posso acompanhá-la? — um homem perguntou, sentando-se ao meu lado.
Admito que ele era a própria definição de perfeição. Cabelos negros em corte militar, olhos verdes intensos, corpo definido e braços tatuados. A pele excessivamente pálida o entregava: era um vampiro.
— Já sentou, não é? — respondi, levando o copo aos lábios. Dei um pequeno gole no Sprite com limão — outra invenção humana que, para mim, é apenas um refrigerante comum.
— Posso saber o nome desta bela dama?
— Que tal brincarmos de perguntas e respostas? — sugeri, olhando-o nos olhos e levando o canudo aos lábios de forma provocante, colocando em prática tudo o que o i****a do Damian me ensinou.
O plano era simples: seduzir o alvo, apagá-lo e levá-lo para ser interrogado pelos meninos. Torturá-lo se necessário e, depois, eliminá-lo para não deixar rastro.
— E você não acha joguinhos entediantes? — ele retrucou, com um sorriso de lado.
— Jogos só são entediantes para quem não sabe jogar.
Levantei-me e saí da boate, certa de que ele me seguiria. Caminhei até minha moto e, segundos depois, ele apareceu. Parou na minha frente, sustentando meu olhar, e me surpreendeu ao segurar meu pescoço com firmeza. Minha vontade era rasgar a garganta dele ali mesmo, mas me forcei a dar um sorriso malicioso, fingindo prazer enquanto fervia de raiva por dentro.
— Na minha casa ou na sua? — mordi o lábio, sedutora.
— Apenas vamos.
Ele subiu na minha Ducati e me entregou o capacete para que eu fosse na garupa. Após uma hora e meia de estrada, paramos em frente a uma casa amarela com um jardim impecável — o típico cenário de comercial de margarina.
— Bela casa — comentei, descendo da moto.
— É da minha irmã.
— Achei que vampiros não pudessem procriar.
— Não podem. Minha irmã e eu fomos transformados no mesmo dia — ele explicou, abrindo a porta para que eu entrasse. A decoração era sofisticada e organizada.
— Você costuma ficar muito aqui? — Tirei a jaqueta, revelando mais do meu corpo.
— Às vezes, quando não estou no trabalho.
— Um vampiro que trabalha? Isso é novidade. Posso saber qual é o ramo, se não for sigilo? — Sentei-me na bancada da cozinha.
Ele se aproximou, levantando meu queixo com o dedo, obrigando-me a encará-lo.
— Você não veio até aqui para me fazer centenas de perguntas, veio? — Ele sorriu, o rosto tão próximo que nossos lábios quase se roçavam. Meu corpo ameaçou responder à proximidade, mas minha loba permaneceu em silêncio.
— Sinto muito por isso, mas é o único jeito — sussurrei.
Em um movimento rápido, cravei uma seringa com sonífero potente em seu pescoço. Ele rosnou e me deu um tapa forte no rosto antes de cambalear e cair. Enquanto ele apagava, fiz o elo mental com Dylan.
— Onde vocês estão?
— A cinco metros de distância, lembra? — a voz de Dylan ecoou na minha mente.
— Podem vir. O alvo caiu.
Minutos depois, um SUV preto parou com os faróis desligados. Dylan e Gael saíram, usando roupas escuras e bonés. Abri o portão para eles.
— O que aquele i****a fez com você? — Dylan segurou meu rosto, analisando o corte no meu lábio e a bochecha avermelhada.
— Me pegou desprevenida — dei de ombros.
Gael tinha uma expressão assustadora. Os olhos dele brilhavam em um tom perigoso.
— Eu vou adorar matar esse filho da p**a — rosnou ele, entrando na casa e puxando o vampiro desacordado pela perna.
— Vamos logo. Preciso de um banho; ele está fedendo — reclamei, sentindo um enjoo súbito. O cheiro do vampiro estava me revirando o estômago. Dylan e Gael já sabiam que perfumes e cheiros fortes me afetavam e pararam de usá-los perto de mim, mas aquele vampiro cheirava a morte e colônia barata.