Eu não conseguia entender nada enquanto Dario manobrava o carro em uma ré brusca, retornando em alta velocidade para a mansão. As expressões dos meninos haviam mudado drasticamente; o ar estava impregnado de uma tensão elétrica. Algo terrível estava acontecendo.
— Eu vou descer aqui. Levem a Anika para a sala de segurança da alcateia! — ordenou Damian, já rasgando a blusa para se transformar.
— O que está acontecendo? — perguntei, sentindo o pânico subir pela garganta enquanto olhava para Dario.
— Bruxas... Elas entraram no nosso território — ele respondeu, os olhos fixos na estrada.
— E o que elas querem?
— Não sei, mas elas não estão sozinhas — ele disse, freando o carro bruscamente perto do jardim da mansão.
— Aonde vamos? — questionei, saltando do veículo.
— Existe um bunker no labirinto do jardim. É um abrigo subterrâneo para proteger as mulheres e crianças em casos de emergência — explicou Dylan, segurando minha mão com força e me puxando para segui-lo.
— Leve-a! Eu vou circular a área para garantir que ninguém os veja — avisou Dario, desfazendo-se das roupas para assumir sua forma lupina.
Corri o mais rápido que minhas pernas permitiam ao lado de Dylan. Mesmo à distância, os gritos desesperados dos membros da alcateia ecoavam pela noite, me deixando apavorada. Ao entrarmos na imensidão do labirinto de cercas vivas, Dylan estancou o passo, me puxando para trás dele enquanto farejava o ar, em alerta máximo.
— O que houve?
— Mudança de planos. Temos que correr, há alguém nos seguindo! — Ele apertou minha mão e recuamos em disparada.
Retornamos para o carro e Dylan assumiu o volante, partindo em velocidade máxima. Ele era o Alfa, o líder, mas parecia mais apavorado do que eu, o que me aterrorizava ainda mais.
— Dylan, calma! Desse jeito você vai nos...
Antes que eu pudesse terminar, um impacto brutal atingiu o veículo. O carro foi arrancado da estrada e arremessado para longe, como se fosse um brinquedo. A porta se abriu com a violência do impacto e eu fui arremessada para fora no momento em que o carro começou a capotar.
Tentei me levantar, com as pernas trêmulas e o corpo ardendo pelo atrito com o solo. Olhei em volta, atordoada, procurando por ele.
— Anika! — o grito de Stella ecoou. Ela freou o carro logo adiante, acompanhada por Gael.
— Stella! O Dylan ainda está lá dentro! — apontei para o rastro de destruição.
— Gael, ajude a Anika a chegar ao carro! Eu procuro pelo Dylan! — Stella ordenou, correndo em direção aos destroços retorcidos. — Gael, preciso de você aqui! A perna dele está presa e temos que ser rápidos, há muita gasolina vazando!
— Espere aqui, eu já volto! — Gael me acomodou no banco de trás do carro deles e correu para ajudar Stella.
Eu estava ali, assistindo impotente enquanto eles lutavam para salvar Dylan das ferragens, quando o horror me encontrou. Duas mãos frias me seguraram por trás, cobrindo minha boca antes que eu pudesse emitir qualquer som. Comecei a me debater desesperadamente, mas uma mulher de olhos vermelhos como sangue tocou minha testa.
O mundo girou. Minha visão turvou instantaneamente, a força abandonou meu corpo e tudo mergulhou na escuridão profunda enquanto eu perdia a consciência