Fechei a porta na cara de Dario antes que ele pudesse argumentar para ficar. Fui até a cama, arranquei os lençóis molhados e os joguei no chão. No closet, peguei roupas de cama limpas e refiz tudo com movimentos bruscos.
— Controle-se, Anika. Essa foi por pouco — sussurrei para mim mesma, deitando-me e puxando o cobertor até o queixo. — Não posso chegar tão perto do Damian de novo. Ele que não pense que o perdoarei tão facilmente.
Meu corpo estava tão exausto que apaguei. Só acordei quando Luiza me chamou para a aula com Sabrina. Levantei relutante, fiz minha higiene matinal e voltei para o quarto. Luiza já havia separado um vestido amarelo com detalhes pretos nas mangas e na bainha; desta vez, não protestei. Deixei o cabelo solto e natural, esperando que isso ajudasse a equilibrar melhor os livros, e descartei acessórios ou maquiagem. Eu sabia que ia suar e, ao fim do dia, estaria uma bagunça ambulante.
Olhei-me no espelho e respirei fundo, sentindo um desânimo absoluto.
Quando cheguei ao jardim, Sabrina estava como ontem: impecável em um vestido branco justo até o joelho, os cabelos castanhos ao vento e óculos escuros com detalhes dourados que combinavam com sua bolsa.
— Bom dia, querida — disse ela, vindo em minha direção com um sorriso caloroso.
— Bom dia, Sabrina — respondi, sem fôlego.
— Hoje realizaremos a aula dentro da mansão. Você continuará com os livros — anunciou, entregando-me os volumes com capas de couro.
Meia hora se passou e meu pescoço já estava me matando. Sabrina continuava me incentivando, mas eu não aguentava mais manter aquela postura rígida.
— Eu desisto! Não nasci para ser uma Luna, e isso aqui só comprova o fato — exclamei, arrancando os livros da cabeça.
Só então percebi que Stella estava ali, parada ao lado de Sabrina, observando-me com um olhar de desapontamento. Ela soltou uma risada debochada, cruzou os braços e caminhou em minha direção com aquele ar de superioridade que me irritava.
— É por isso que você não é ninguém, apenas uma ômega de baixo nível — provocou Stella. — Você desiste antes mesmo de começar. Realmente me surpreende que o Dylan tenha me trocado por você.
— Acho melhor você calar a boca, Stella, se não quiser acabar com esse seu traseiro nojento queimado pelos meus poderes.
— Poderes que você nem consegue controlar, assim como esses livros — ela rebateu, aproximando-se. — Deixe de ser fraca por uma vez na vida e mostre do que é capaz.
Ela pegou os livros das mãos de Sabrina e os estendeu para mim. Olhei para ela, confusa, sem saber se aquilo era um incentivo distorcido ou apenas mais uma provocação c***l.
— Prove-me, ao menos, que o Dylan fez a escolha certa — disse ela, virando-se para sair.
Antes que ela cruzasse a porta, respirei fundo e falei:
— Eu e o Dylan não estamos juntos.
Ela parou de andar, mas não se virou. O silêncio pesou no corredor por alguns segundos.
— Nós também não estamos juntos — respondeu ela, por fim, saindo sem olhar para trás.
Aquelas palavras me atingiram como um desafio. Coloquei os livros novamente sobre a cabeça e retomei a caminhada, determinada a não parar até conseguir ir até as escadas e voltar sem deixá-los cair uma única vez.