Já se passaram duas semanas desde o dia em que rejeitei Dylan e Damian. Damian até tentou conversar nos primeiros dias, mas acho que desistiu ao perceber que eu não pararia para ouvi-lo. Dylan, por outro lado, limitava-se a me lançar olhares distantes, sem qualquer tentativa real de redenção — o que me deixava ainda mais furiosa.
Uma parte de mim está em paz por ter apenas Dario ao meu lado, sem as complicações do trio; no entanto, outra parte ainda sente o vazio deixado pela ausência dos outros dois.
Fiquei animada quando Dario anunciou que meus treinamentos começariam hoje, com quatro professores para quatro disciplinas diferentes. Acordei cedo, decidida a me preparar sozinha. Após um banho quente e demorado, escolhi roupas esportivas: uma legging preta e um top branco que deixava minha barriga à mostra. Prendi o cabelo em um r**o de cavalo alto, calcei os tênis e saí em direção ao campo de treinamento.
Ao chegar, vi guerreiros em combate e Damian instruindo alguns adolescentes, mas Dario não estava em lugar nenhum. Fiz um elo mental com ele, que respondeu, com voz de sono, estar ainda no quarto. Sem alternativa, voltei à mansão disposta a arrancá-lo da cama. Bati na porta e, ao ouvir seu resmungo autoritário para entrar, escancarei a entrada. O quarto estava mergulhado na escuridão das cortinas fechadas.
— Dario, anda, levanta! Esqueceu que hoje é meu primeiro dia de treinamento? — falei, abrindo as cortinas para que a claridade invadisse o ambiente.
— Anika, por favor... ainda são sete da manhã. Podemos treinar depois, ok?
Fiquei confusa. Foi ele quem insistiu para que eu acordasse cedo e agora se recusava a levantar?
— Nada disso. Levanta agora, Dario! Não me faça ter que tirar você daí à força — ameacei, segurando a ponta do cobertor.
— Eu, se fosse você, não faria isso, Anika — ele avisou, com um sorriso de canto.
Ignorei o aviso e puxei o lençol de uma vez. Ele estava apenas de cueca branca.
— Eu te avisei — ele disse, com um brilho malicioso no olhar.
— Eu... bem... estou te esperando lá fora. Não se atrase! — gaguejei, saindo do quarto a passos largos, sentindo minhas bochechas queimarem de vergonha.
Meia hora depois, Dario apareceu no corredor, já devidamente vestido e impecável.
— Jura que ficou mesmo me esperando aqui fora? Por que tanta vergonha, se você já viu tudo o que tinha para ver?
— Eu prefiro não falar sobre isso agora — cortei o assunto, impaciente. — Vamos para o campo?
— Hoje sua aula será no jardim.
— Como assim, no jardim? O campo de treinamento não é o local adequado para aulas de combate?
— Sua aula hoje é com a Sabrina.
Parei de caminhar e cruzei os braços.
— E quem é Sabrina?
— Sabrina é uma professora de etiqueta. Ela vai te ajudar a aprender tudo o que uma futura Luna precisa saber antes de assumir o trono da alcateia.
— Como assim, Dario? — perguntei, sem entender a urgência daquilo.
— Apenas venha. Depois conversamos — ele disse, pegando minha mão e me guiando até o jardim.
Ao chegarmos, uma mulher de meia-idade estava sentada à mesa de café da manhã, concentrada em um livro. Ela se levantou ao notar nossa presença.
— Quanto tempo, Dario! Nossa, como você cresceu, menino! Nem parece aquele moleque cujas fraldas eu troquei — ela exclamou, puxando-o para um abraço caloroso.
— É um prazer revê-la, Sabrina.
— Esta deve ser sua noiva, Anika, certo? — ela perguntou, avaliando-me de cima a baixo. — Devo admitir, Dario, sua noiva é realmente muito bonita. Prazer em conhecê-la, Anika. Meu nome é Sabrina.
Cumprimentei-a com um sorriso educado e apertei sua mão estendida.
— Prazer em conhecê-la também.
— Sabrina, vou deixá-las sozinhas. Tenho compromissos da matilha para resolver. Vejo você depois, Anika — disse Dario, despedindo-se antes que eu pudesse protestar.