Destrutivo

1467 Words
Meu mundo havia sido destruído a minha pequena não estava mais com a gente. Não consegui lidar com a culpa que sentia a voz da Chloe me perguntando se eu a estava vendo ecoava e repetia em minha mente como disco arranhado. Paul meu amigo não estava muito diferente a gente bebia, saia com garotas que nem sabia os nomes cada dia uma garota diferente. Além da Victoria, irmã do Tripp meu amigo de infância. Que claramente mostrava o quanto eu estava "no fundo do poço"! Victória era uma mulher muito atraente e sabia disto. Eu sempre a achei fútil e vazia, e eu estava com ela no momento em que a Chloe ligou, mas cedia aos caprichos da Victória como uma espécie de punição. Eu bebia e ficava com ela sempre muito bêbado. Até que, não deu mais para olhar para Victoria sem me lembrar de onde estava a boca dela quando a Chloe ligou. Afastei-me de meus amigos, da minha família e quando não estava bebendo na rua, estava bebendo no quarto dela. Até que um dia peguei minha moto e sai sem rumo, bebi demais e me envolvi em uma briga e acabei preso. Meus pais foram avisados, mas antes de me tirar de lá minha mãe entrou na cela. Eu estava com uma ressaca do c*****o. Minha mãe sentou-se ao meu lado e me surpreendeu com uma voz doce e calma ela me encarou. — Filho, antes que você saia daqui, eu preciso te pedir desculpas! — p***a mãe, sem drama agora vai! — Eu tentei pará-la. — Nick, sua irmã nos deixou sem que eu pudesse pedir perdão, eu fui uma péssima mãe para vocês. Eu acreditei que estava fazendo tudo certo, mas a morte da minha filhinha me mostrou o quanto falhei com vocês! — Mãe para com isso! — Espere, deixe-me terminar. Fui incapaz de ajudar sua irmã, nem se quer pude dizer adeus, eu não pude proteger a Chloe e temo não poder fazê-lo por você. Meus filhos sofrendo diante dos meus olhos e eu me sinto incapaz de salvá-los. Filho eu enterrei a Chloe e não posso enterrar você também. Eu não suportaria meu filho, eu não suportaria outro telefonema. A dor nos olhos dela me corroeu e a culpa por causar mais dor a minha mãe me fez despertar. — Desculpa mãe, eu não vou morrer, não vou mais beber prometo! Eu sinto falta dela mãe, porque eu não vi mãe. Ela tentou me mostrar, mas eu não vi, e agora não sei como lidar com isso! — Eu sei que você está sofrendo, mas não foi sua culpa e se nos destruirmos aquele desgraçado terá vencido e a morte da Chloe não será vingada. Eu preciso de você filho, não me deixe também, nós precisamos de você! — Porque ela não nos contou mãe? — Não sei filho, talvez um dia a gente entenda. — Será mãe? Eu só sei que ela me disse várias vezes que eu não veria nem se estivesse tatuado nos seus olhos. Ela morreu porque eu não vi, porque eu não vi mãe? E eu chorei, chorei como não havia chorado desde a morte da minha irmãzinha. — Não foi sua culpa filho, você foi o herói dela! — Herói de merda! — Não diz isso, ela te amava não se torture tanto! Minha mãe estava certa, mas não me torturar era algo que eu não podia evitar. Eu não poderia evitar me torturar, mas não seria mais causa de dor e lágrimas para minha família. Meu pai já não queria mais saber dos hotéis então o convenci a vendê-los assim poderíamos cuidar apenas da "Tech-Bio". A empresa da família. Ele concordou desde que eu cuidasse pessoalmente das vendas, eu não teria escolhas, mas sabia que seria bom ocupar-me disso. Um ano após a morte da Chloe eu me preparava para ir ao Brasil para resolver o problema dos hotéis. Eu estava em meu quarto abri a gaveta de jogos e encontrei um pequeno caderno cor de rosa, que reconheci como sendo o diário da Chloe. Ele o colocou lá por que sabia que eu só mexeria nessa gaveta quando estivesse pronto. Eu tranquei a porta e me deitei na cama e comecei a lê-lo. As páginas mudaram de descrição de sonhos de menina para uma narrativa de torturas, estupro, dor e violência. Eu corri ao banheiro e vomitei todo meu jantar. Ela descreveu cada detalhe, cada palavra que ela pode se lembrar. Enquanto as lágrimas de ódio e de dor rolavam meu rosto eu passei a próxima página e nela havia um texto emocionante. — Vou estudar bastante, vou me formar em psicologia depois vou matá-lo e quando ele morrer, eu ajudarei pessoas que sofrem como eu, vou vingá-los, eu juro. Então vou poder ajudar, porque vou saber o que elas sentem e elas não precisarão dizer eu verei, porque sei o que estará em seus olhos...! — Droga Coe! Porque você não confiou em mim? Porque não me contou? Eu teria te protegido com a minha vida bebê, porque você me afastou? Eu deixei a dor rasgar a minha alma, enquanto eu chorava agarrado ao seu diário, senti raiva dele por ela confiar nele e ele não a protegeu. Eu sabia que era minha função cuidar dela, mas ela não confiou em mim. Ela queria que eu tivesse visto, mas ela estava certa em algo, eu não conhecia aquele tipo de dor. Eu não teria como saber. Arranquei aquela página, e dei o diário a minha mãe. Guardei a página no bolso e sai. Era noite de reunirmos no bar do Tripp e da Lisie, Tripp a conheceu no primeiro ano da faculdade e se identificaram de cara e nós também claro. Eles eram tão loucos que um dia resolveram criar algo mais louco junto. Ela abriu mão da medicina e ele da engenharia ambiental para se tornarem donos de uma casa noturna, um dos pubs'S mais bem frequentados nas noites de Boston. Desde a morte da Chloe nos tornamos mais sensíveis a esse tipo de coisa. Éramos um grupo e tanto com algumas histórias fortes também. Além do Paul, agora agente federal, como ele sempre sonhou, tinha o Ryan e a Lucy a quem chamávamos de mãe por ser a mais emocional da turma sempre cuidando de todos. Ele cirurgião e ela pediatra. O Julian gênio da informática e Tecnologia, e com o Franco criou uma das mais importantes empresas do ramo da segurança da informação do país sendo requisitados até pelo governo. O Franco é como o Paul um solteirão convicto, mas o Julian está amarrado até os fios de cabelo na Beck nossa psicanalista, uma linda garota n***a. Dona do mais lindo sorriso do mundo, claro, mais pirada do que seus pacientes. Jean é jornalista, era de um importante jornal de Nova York, mas ele denunciou um figurão por abusar da sua enteada adolescente. O cara saiu limpo e ele se frustrou e voltou para Boston. Jean namora a Sabrina desde o ensino médio, o relacionamento mais longo e bonito da turma. Chamamo-los de Sabrina ou Bee, são ginecologista e obstetra. A Sabrina é única herdeira de um imenso complexo hospitalar em Boston. Ryan e Lucy trabalham no mesmo hospital. O Antoine e sua irmã Marshelie, ela está na França estudado gastronomia, Antoine é dono de um grande restaurante francês com uma fila de espera gigante. Ele e sua irmã tem uma história triste de abuso, seu padrasto abusou dele e de sua irmã e quando sua mãe descobriu se matou e eles foram morar com o tio. E tem ainda Armand, meu louco amigo e advogado na empresa da minha família, ele tem a minha idade, estudamos na mesma universidade com o Jean a Jaqueline e o Paul. Armand namora Jaqueline, a mãe dela é brasileira, quando o pai morreu sua mãe voltou para São Paulo e lá se envolveu com um canalha que tentou abusar dela. Na época com 14 anos ela gravou tudo, ela fingiu aceitar e quando ele se descuidou ela cortou o p*u dele e ainda enfiou na boca dele enquanto ele gritava. Nós a chamamos "Jackie a estripadora" que ela odeia claro, ela voltou para Boston para morar com os avôs. Jaqueline também é advogada e trabalha com meu pai. Nossos encontros já se tornaram um ritual, no mínimo uma vez por mês no bar do Tripp e da Lisie ou na casa de um do grupo. É sempre em alguma aventura, que vai desde meros acampamentos a saltos de pára-quedas. Jean e Franco sempre têm as melhores ideias para as nossas aventuras principalmente as espontâneas. Mas nesta noite o nosso encontro não estava no mesmo clima de sempre, havia algo triste e pesado no ar e em todos nós.
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