Capitulo três.

2413 Words
Acordo m*l humorada, tomo um banho rápido, visto um jeans preto e uma regata branca. Na cozinha não vejo meus pais, provavelmente foram para a academia juntos. Depois de um café preto, sigo para a garagem. O trânsito hoje está melhor, chego adiantada e consigo uma vaga mais perto do prédio 3, onde é meu curso. No corredor encontro com a Mel, e seu vestido longo branco deixa seu cabelo ruivo mais chamativo. ― Bom dia, Tina! ― Bom dia, Mel! Como está? Acertou tudo sobre seu carro? ― Sim! O chaveiro que o Rafa ligou, já arrumou. ― Ela falou “Rafa ligou”? ― Perdi alguma coisa? ― Menina, seu maninho é tudo de bom, estou apaixonada ― dou uma risada. ― Como assim, apaixonada? ― Tudo bem que os olhos verdes não saem da minha cabeça. ― Seu irmão é tão gato e fofo, sei que vou me apaixonar, só estou adiantando o fato, tipo, pulando degraus. ― O que o gato fofo acha disso? ― pergunto, achando graça. ― Você vai descobrir e me contar. ― Ai meu Deus! Mas é claro. Apresentei, quero ser a madrinha. ― Isso mesmo. Hoje na academia se prepare, vou gastar energia golpeando você. Assim diminuo a tensão acumulada em mim por causa do seu irmão gato. ― Soca ele uai, não eu! ― Rafa precisa estar inteiro para meus propósitos. Agora vamos falar de você, como vai ficar com o Nando? Não me olha assim, saquei tudo. E o seu irmão mais velho não vai facilitar. ― Nossa, essa garota é mesmo observadora! Ou deixei tão clara assim minhas intenções para com o Nando? Será que Roger também percebeu? ― Precisamos apresentar uma mulher forte e sofisticada para o Roger. O safado sai com mulheres erradas, mas eu acredito que se encontrar uma com personalidade forte, vai gamar. Meu irmão gosta de um desafio então deixa subentendido que só pode ser uma mulher assim. ― Tenho a pessoa certa para isso: uma a advogada linda, toda séria, os homens cortam um dobrado para conseguir um encontro. Como foi traída, não se deixa levar por qualquer um. Ela certamente estará no treino hoje com a Deby, uma amiga da faculdade. Leve o ciumento contigo. Helena é loira, alta, magra, com grandes olhos azuis e lábios carnudos. Tem um estilo todo “executiva”, sempre em seus ternos e saltos. Confie em mim, tenho faro para cupido. Eu a chamo em pensamento de “A dama de ferro” ― rio de seus comentários e apelido. Fico indecisa sobre apresentar essa mulher ao tigrão. Ele pode não gostar e ficar bravo comigo. Na dúvida, prefiro pensar mais a respeito. Seguimos para a aula e nem preciso dizer: não prestei atenção em nada. No intervalo, ainda estou indecisa se concordo, e antes de retornar à sala, digo para Mel: ― Tudo bem! Vamos fazer. Vou ligar para o Rafa convencer Roger a ir. ― Faça-o chegar 20 minutos antes para vê-la chegando. Provavelmente estará no celular, a mulher não para de trabalhar um minuto. ― Ele também é advogado. ― Menina! É o destino conspirando. Meu cunhado vai travar ao vê-la. Vamos para aula e depois partiu confirmar com a Deby se elas irão hoje. Ligo para o Rafa, ele ficou de levar nosso irmão ranzinza para a academia. Chego em casa após um dia cansativo de aulas, trânsito infernal e depois de almoçar as sobras de ontem, deito-me para descansar. Na hora marcada a campainha de casa toca, é a Mel para irmos juntas na academia. Preferi ir de carona por não saber o caminho. Ao chegarmos na academia, aproveito para conhecer o local. A recepção tem uma das paredes pintadas em preto com várias imagens de atletas renomados de algumas categorias de lutas. Mel me mostra a sala de Musculação e Crossfit, o espaço é amplo, com equipamentos e esteiras em preto e verde, muitos deles já ocupados. A sala de Ioga e Pilates é bem mais clean em tons mais leves. Por último o espaço onde acontecem as aulas de luta, diferente dos outros ambientes, é todo em cinza e amarelo. Voltamos para a recepção e avisto meus irmãos chegando. ― Oi, Tina! ― Os dois falam juntos. ― Oi, Roger! ― Cumprimenta a mim e a Mel com um beijo no rosto. O mesmo acontece com o Rafa. ― Estamos esperando mais alguém? ― Roger pergunta. ― Minha amiga está chegando ― Melissa explica. Dois minutos depois, uma loira com roupas de academia passa pela porta, deve ser a Deby. Uma voz rouca, mas forte, vem logo atrás. Outra loira linda em seu terno marrom, de saia e com pernas bem torneadas, fala ao telefone. Ela repreende alguém e nem repara na gente. Mel me olha e confirma ser Helena a recém-chegada, e me apresenta à Débora, mais conhecida como Deby. Observo Roger paralisado olhando a dama de ferro ao telefone. Divirto-me sobre o apelido, porém parece-me perfeito. Logo a seguir, perco o foco ao admirar as três figuras que acabam de chegar: Vitor, Cris (que o conheci no jogo) e Nando ― lindo com seu short de academia preto e regata branca. Estou perdida! Fui nocauteada. ― Boa noite, Betina! ― Beija o meu rosto encostando os lábios na minha bochecha. ― Boa noite, Nando! ― Repito o processo com Cris, e Vitor faz o mesmo. Helena, que desligou o telefone, vê o nosso pessoal e vem a nossa direção. ― Mel! ― Helena! ― Elas se cumprimentam. ― Deixe-me apresentar meus novos amigos: Roger, esta é a Helena. ― Tigrão está vidrado. ― Encantado, Helena. ― “Estamos numa cena de livro de época!”, penso comigo. ― Prazer! ― ela responde seca e acena a todos. ― A Betina está na mesma faculdade que a gente ― Deby fala. ― Tudo bem? ― me pergunta com simpatia. ― Sim, prazer. ― Sem falar mais nada, segue para o vestiário. Enquanto esperamos o início da aula, vamos acertando os tatames. O instrutor se aproxima e se apresenta. ― Tudo bem? Sou o Diogo, sejam bem-vindos! Espero que gostem da aula e, quem sabe, fiquem como alunos fixos. ― Ele faz as devidas recomendações de praxe quando se tem tantos alunos novos, pedindo para nos apresentarmos e questionando sobre os nossos conhecimentos da luta. Ao perceber que somos entendidos, decide que será em dupla, pois somos dez pessoas no total. Pede que esperemos a Helena para iniciar. A “Dama de ferro” vem toda de preto com um r**o de cavalo, colocando os acessórios. ― Lena, vamos de dupla, o que você acha? ― Deby pergunta. ― Por mim, tudo bem. Eu, Mel e Deby ajeitamos para Helena começar com o Roger, eles vão para o tatame. Ela não tem dó, detona com o tigrão. Quando ele percebe a sua força, começa com os golpes e assim ficam. Comecei com o Cris, a Deby com o Nando, depois todos estavam no rodízio. Agora estou com o Vitor. ― Impressão minha ou está desconcentrada? Qual o problema? ― Vitor pergunta. ― Nenhum. Só não estou bem para o treino hoje. ― Ou seria certa pessoa que não está te deixando bem? ― É só cansaço. ― Chega minha vez com o Nando. Ele é só sorriso, não retribuo. ― Dormiu bem? Sonhou comigo? ― O cretino percebe o meu m*l humor. ― Teve beijo? ― Se diverte com meu silêncio. ― Não sonhei. ― Tem certeza? Eu sonhei contigo. ― Levo um golpe. ― Reage Betina! ― adverte ― Solto um golpe de direita, pegando-o desprevenido. ― Está brava comigo? ― Por que estaria? ― A minha humilhação de como sua presença ofusca tudo ao redor só não é maior por que a raiva desperta algo, e assim consigo golpeá-lo algumas vezes. ― Sei lá, vai saber? ― Por que não liga pra sua amiga, Ingrid? Com certeza teria beijo, e nem precisaria ser em sonho. ― Ah Betina, sua burra! Para quê falar isso? ― Lembrou o nome dela? É muito observadora. Ingrid vai estar em casa quando chegar. ― Ordinário! Acerta-me de novo. ― Foco bravinha. ― Que raiva! ― Está me atazanando com sua libertinagem. ― Solta uma risada zombando de mim. Sou mesmo uma i****a. ― Libertinagem? Acabou de me incentivar a procurar a Ingrid. O que tem de libertino nisso? ― Realmente nada, e nem é da minha conta. ― Então qual o motivo de sua braveza? ― Os golpes não param de nenhum dos lados. ― Não tenho motivos. Por hoje chega desse trem. Vou embora. ― Esse homem me faz perder a linha. ― Está fugindo, Betina? ― Aproxima-se mais, sinto seu perfume. ― Gosto quando seu sotaque mineiro predomina, te deixo nervosa? ― Quanta petulância! ― Deixa de ser pretensioso. ― Às vezes busco por Roger, vendo se está prestando atenção em nossa conversa, mas para minha sorte ou azar, meu irmão só tem olhos para Helena. ― Então por que a pressa? ― Sem saber como responder, uso meus irmãos como escape. ― Não quero causar problema entre você e meus irmãos. ― O problema seria o Roger, Betina. Mas com ele me entendo. ― Por que o safado faz isso comigo? ― Sabe que isso ― Nando acena para nós ― é atração. ― Fico sem fala, como ele é direto. Mel nos observa e se dedica a distrair o Rafa. ― Atração nada! Obrigada pelo treino. ― Betina, não fuja! ― Vitor percebe a tensão entre nós e fica nos olhando. ― Nando, se apresse. Tem uma siliconada te esperando. ― Ele ri alto. ― Siliconada? Você está com ciúmes. ― Meu coração dispara. Nem sei o que me fez agir assim. ― Não viaja! m*l nos conhecemos. ― Vamos corrigir essa falha. Quero muito conhecê-la, pois não sai da minha cabeça. ― Somos dois, querido. Porém, existe alguém a sua espera. ― Depois da noite que vai ter hoje, passa. ― Saio sem ouvir sua resposta. ― Rafa, você pode levar a Mel? ― Desnorteada com minha postura, só quero sumir. ― Sim princesa, aconteceu algo? ― Não, só estou cansada. ― Fujo de seu olhar avaliador, dirigindo-me a minha amiga. ― Mel, a gente se fala amanhã. Quando estou de saída lembro-me que estou de carona com ela, rio de mim mesma. Voltando para falar com eles, Nando está vindo em minha direção. ― Aconteceu algo? ― Saber que em minutos ele estará com outra em sua cama, deixa-me irritada. Como posso estar com ciúmes de um cara que acabo de conhecer? Indignada com as batidas fortes em meu peito, misturada com uma dor estranha, respondo com grosseria. ― Não é da sua conta. ― Tento controlar minhas emoções. ― Está me seguindo? ― Não. ― Estava indo embora, mas estou de carona com a Mel. ― Eu posso levá-la? ― Confusa, discuto comigo mentalmente se devo aceitar. Embora a irritação fale mais alto em minha mente. ― Não se atrase por mim. ― Só de pensar nele com aquela loira, meu sangue ferve. Alguém me pare, por favor. ― Vamos? ― Aceno aceitando, depois de concluir que sou um caso perdido. No estacionamento, para na frente de um BMW branco, abre a porta para mim e depois entra no lado do motorista. O gato de olhos verdes tem bom gosto e sabe ser cavalheiro. ― Ainda zangada. ― Não estou. Fico m*l-humorada quando estou com fome. ― Você fica linda brava. Vamos para minha casa? Quero falar contigo. ― Ele quer me levar para sua casa? O meu mau humor é mais com seu sorriso safado, trazendo as lembranças do sonho dessa madrugada em que suas mãos exploravam cada canto do meu corpo. Fecho olhos, buscando o momento exato quando o meu c******s foi tocado com tanta ousadia, pela boca e dedos. Deixo escapar um gemido. ― Tudo bem? ― Sua amiga não está te esperando? ― Tento mais uma vez mudar o foco. ― Não. Só falei porque tocou no nome dela. Deve ter prestado atenção em minha conversa no restaurante, mas isso não quer dizer que tenho uma mulher a cada dia na minha cama. ― Tenho dois irmãos, sei como isso funciona. ― Maldito de um gostoso. ― Nem todos os dias. Elas são parceiras com quem buscamos sexo sem compromissos, sem mensagens e telefonemas. ― A Ingrid quer mensagem e ligação. ― Ingrid é uma companhia de algumas noites, só isso. Sou para ela o mesmo que é pra mim: parceira de sexo. Temos algumas particularidades, nem todas as mulheres gostam. ― Particularidades? Explique. ― Percebo sua relutância em responder. Enquanto dirige, observo tudo pela janela. Não quero ficar encarando-o neste short, onde as suas coxas e o seu m****o estão evidentes. A paisagem lá fora consegue tirar um pouco da minha atenção no homem ao meu lado. Não reconheço o caminho pelo qual estamos indo. Passamos pelo Shopping Tamboré; parece bem convidativo, faço uma nota mental em ir conhecê-lo algum dia desses. Sai da marginal e entra numa avenida com alguns prédios bem charmosos. Longos segundos passaram, até ter a sua resposta. ― Particularidades, preferências e peculiaridades, este sou eu. ― Tipo t*****r com várias mulheres sem querer ter um compromisso? Isso todos os homens fazem. ― Mais que isso. ― Sair com mulheres casadas? ― Ele ri. ― Às vezes elas me procuram, insistem e faço. ― É tão frio quando fala das mulheres. ― Fico dividida em minha opinião sobre seu modo de ser. ― Depende do ponto de vista. Nunca menti sobre como gosto. ― Fico tentando entender quem é este cara. ― Nessa nossa atração, onde me encaixaria? ― Não tenho como saber, você me confunde. Penso em várias coisas para fazer contigo, e isso pode nos gerar muitos problemas... meu pai, seus irmãos, seus pais. ― Que bairro é este? ― Mais uma vez, mudo o assunto. Nando deve ter razão, sobre eu estar fugindo dele, mas a verdade é que fujo dos sentimentos controversos. ― Barueri, gosta? ― Sim. Eles não precisam saber. ― Nando sorri. Respiro fundo e cubro-me de coragem para falar sobre uma ideia inusitada. ― Escuta, tenho uma proposta pra fazer. ― O safado solta uma gargalhada. ― Uma proposta? ― Se continuar rindo, vou fazer você bater este trem chique ― falo irritada ― Mineirinha brava. Fale sobre esta proposta. ― Mesmo curioso, continua atento ao volante.
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