A primeira vez foi na madrugada, quando o morro inteiro dormia e só os cães ladravam para a lua.
Jaguar voltou à laje três noites seguidas. Não para reuniões — para ela. Cada visita era um pretexto: um problema na boca, um aviso sobre a guerra, uma desculpa esfarrapada. E toda vez, Larissa o recebia com sarcasmo na boca e fogo nas veias.
Naquela noite, a chuva finalmente desabou.
— Fica até passar — disse ela, sem olhar para trás, e sentiu o corpo dele entrar atrás dela.
Não houve conversa. Houve fome.
Jaguar a puxou pelo braço e a girou contra a parede, com as duas mãos cravadas na cintura dela. O beijo veio bruto, sem pedir licença, e Larissa respondeu com a mesma violência — mordendo o lábio dele, puxando-o pelo cabelo, arranhando a nuca. Era uma luta, não uma carícia. Dois animais que se reconheciam pelo cheiro.
— Você é impossível — ele rosnou contra a boca dela.
— E você é proibido.
As mãos dele subiram pela camiseta dela, ásperas, donas. Larissa arqueou o corpo, sentindo cada dedo marcar a pele. Ele a ergueu com uma facilidade que a fez perder o fôlego, e quando a encostou na mesa da cozinha, ela já estava sem roupa, sem defesa, sem querer defesa.
— Olha pra mim — ordenou ele, com os olhos verdes ardendo. — Quero ver você.
Ela obedeceu. E quando ele entrou nela, devagar, torturante, Larissa mordeu o próprio braço para não gritar o nome dele para o morro inteiro ouvir.
Foi rápido e foi eterno. Foi sujo e foi sagrado. Quando terminaram, ofegantes, colados um no outro, a chuva batendo no telhado de zinco, Larissa sentiu o coração dele batendo contra o dela — e soube que tinham acabado de assinar a própria sentença de morte.
— Isso não pode se repetir — disse ela, com a voz rouca.
Jaguar a olhou, e pela primeira vez, o gelo dos olhos verdes rachou.
— Então me manda embora.
Ela não mandou.