Capítulo 3 — O segredo

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Ninguém no morro sabia que Larissa guardava mais de um segredo. O primeiro era o amor proibido pelo chefe. O segundo era mais antigo, mais pesado — e morava na boca de Tia Val, a única pessoa viva que conhecia a verdade sobre os irmãos. — Você não pode se apaixonar por ele — disse Tia Val, naquela tarde, enquanto ajudava Larissa a arrumar o salão. A velha tinha setenta anos, cabelos brancos e olhos que já tinham visto o morro nascer. — Eu não estou apaixonada — mentiu Larissa. — Eu conheço esse olhar, menina. É o mesmo olhar da sua mãe quando ela se perdeu pelo pai dele. Larissa congelou. — O que você está dizendo? Tia Val suspirou, e o silêncio dela pesou mais que qualquer palavra. Foi então que a porta do salão se abriu e Nina entrou, aos tropeços, com o rosto marcado de lágrimas. — O Cobra matou o Jéssica — disse Nina, com a voz quebrada. — A menina dos recados. Ele disse que ela era informante do Terceiro Comando. Larissa sentiu o mundo girar. Jéssica, quinze anos, os olhos que já tinham visto demais. A menina que entregava os bilhetes, que sorria para todo mundo, que sonhava em sair do morro. — Isso não pode ser verdade — murmurou. — É. E o pior: o Jaguar não fez nada. Ele deixou o Cobra fazer isso e não moveu um dedo. Naquela noite, Larissa olhou para o homem que amava e viu o monstro que ele escondia. E pela primeira vez, se perguntou se o segredo que ela guardava — o segredo que podia derrubar o comando inteiro — não era a única arma capaz de salvar o morro.
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