LETÍCIA ALENCAR NARRANDO A viagem de volta acontece em silêncio. Não um silêncio r**m. Mas um daqueles que deixam espaço para pensamentos demais. A cidade passa pelas janelas do carro enquanto eu observo as luzes refletindo no vidro. Minha cabeça ainda está presa no jantar. Nas conversas. Nas negociações. Na forma como Erik domina qualquer assunto quando entra em modo trabalho. E talvez seja por isso que demoro alguns segundos para perceber que chegamos. O carro para diante da mansão. Erik desce primeiro. Eu faço o mesmo. O ar da madrugada está mais fresco. Mais tranquilo. Mas a paz dura pouco. Meu celular vibra dentro da bolsa. Franzo a testa. Porque a cuidadora não costuma mandar mensagens naquele horário. Meu coração aperta antes mesmo de abrir. E aperta ainda mais quando leio.

