01 FÉRIAS QUE NÃO SAO FUGA
AVISO IMPORTANTE AOS LEITORES
Por motivos pessoais, o livro ficará pausado por 1 mês.
Sou mãe atípica e, no momento, algumas situações não estão acontecendo como o esperado, o que exige de mim mais atenção e dedicação à minha família.
Por esse motivo, preciso fazer essa pausa temporária para organizar tudo com o cuidado e a responsabilidade que esse momento pede.
📖 O livro retorna normalmente em fevereiro, com a mesma dedicação, carinho e compromisso de sempre com a história e com vocês.
Agradeço imensamente a compreensão, o apoio e o carinho de todos. 🤍
ERIK NARRANDO
Eu sempre fui bom em fugir. Fugir de conversas sérias, de responsabilidades emocionais, de qualquer coisa que exigisse mais do que dinheiro e decisões frias. Mas, enquanto o carro sobe a estrada que leva à mansão no Rio de Janeiro, eu sei que essa viagem não é exatamente uma fuga. É uma trégua. Curta. Calculada. Uma semana para respirar antes de voltar aos Estados Unidos e encarar o ultimato que meu pai deixou cair sobre mim como uma lâmina afiada.
Eu me chamo Erik Smith, tenho 28 anos. Sou moreno claro, tenho um metro e noventa e dois de altura. Forte, olhos claros e muito bem-sucedido. Sou herdeiro de um grande império..., mas que está me exigindo algo muito grande.
O céu é claro demais. O tipo de azul que parece uma afronta quando a cabeça está cheia de problemas. O mar surge ao longe, brilhando sob o sol, e por um instante penso em como tudo parece simples visto de fora. Luxo, férias, liberdade. Ninguém imagina o peso que carrego no peito.
Ou você se casa, ou perde tudo.
A frase de Eduardo Smith ecoa na minha mente com a mesma frieza com que foi dita. Meu pai não grita, não ameaça. Ele decreta. E quando ele decretou que o cargo de CEO não seria meu se eu continuasse sendo o homem que sou, eu soube que não havia espaço para negociação.
Augusto Jones. Meu primo. O sorriso contido, a ambição silenciosa, a paciência de quem sabe esperar o erro alheio. A simples ideia dele sentado na cadeira que deveria ser minha faz meu estômago se revirar.
A mansão surge imponente quando o carro para. Vidros altos, linhas modernas, isolamento suficiente para não ouvir nada além do vento e do mar. Exatamente como pedi. Um lugar onde ninguém me conhece. Onde ninguém me cobra.
Entro, jogo a mala perto do sofá e afrouxo a gravata. O silêncio é quase ensurdecedor. Por alguns segundos, penso que talvez eu pudesse simplesmente ficar aqui. Desaparecer. Mas sei que isso é fantasia. Meu sobrenome não permite esse tipo de luxo.
O interfone toca, quebrando o silêncio.
A empregada. A agência garantiu que ela falava inglês fluentemente e cozinhava bem. Foi um pedido prático, impessoal. Eu não queria esforço extra. Não queria conversas. Apenas alguém que fizesse o que fosse preciso.
Vou até a porta e abro sem pensar muito.
E então… paro.
Ela está ali, segurando uma bolsa simples, vestida com roupas discretas, mas limpas e bem cuidadas. O cabelo castanho escuro preso de forma prática, alguns fios soltos emoldurando o rosto. Os olhos se erguem lentamente, atentos, observadores. Não há deslumbre. Não há nervosismo exagerado. Apenas cautela.
Letícia — Good afternoon. Em Letícia Alencar. _ Ela me deseja boa tarde e se apresenta em inglês. O inglês é perfeito. Natural. Isso me surpreende mais do que deveria.
Fico em silêncio por um instante, avaliando. Jovem demais para alguém tão segura. Algo nela não se encaixa no estereótipo que eu havia criado.
Erick — You’re late. _ Eu digo que ela está atrasada. O tom é frio, direto. Não é um convite para explicações. Vejo o peito dela subir e descer lentamente antes de responder.
Letícia — I arrived exactly at the scheduled time. The intercom took a while to be answered. _ Ela explica que chegou no horário combinado e que demoraram para atender o interfone. Não se desculpa. Não abaixa a cabeça. Apenas expõe o fato. Sinto uma pontada de irritação… misturada com algo inesperado. Respeito? Curiosidade?
Erick — Fine. Come in. _ Dou passagem e sigo para dentro. Ela entra com passos contidos, observando o ambiente com discrição. Não há olhos arregalados, nem comentários. penas atenção silenciosa.
Erick — Você pode falar português.
Letícia — Obrigada. Facilita bastante. _ Quando ela muda para o português, algo na voz dela muda também. Fica mais firme. Mais segura. Viro-me devagar, cruzando os braços.
Erick — Regras básicas. Não mexa em nada que eu não peça. Não faça perguntas pessoais. E mantenha discrição absoluta. _ Ela me encara por alguns segundos. Longos demais. Não com desafio, mas com algo que parece… avaliação.
Letícia — Eu estou aqui para trabalhar, senhor Smith. Apenas isso. _ Não há submissão na frase. Há dignidade. E isso me incomoda mais do que qualquer afronta.
Erick — Ótimo. Comece pela cozinha. Estou com fome. _ Ela apenas assente e segue pelo corredor. Fico parado por um momento, observando suas costas desaparecerem. Aperto o maxilar, incomodado com a sensação estranha que se instala no meu peito.
Isso é só uma semana, eu me lembro. Nada além disso.
LETICIA ALENCAR NARRANDO
Assim que entro na cozinha, apoio as mãos na bancada fria e fecho os olhos por um instante. Respiro fundo. Uma. Duas. Três vezes. Só então deixo o peso do momento cair sobre mim.
Erick Smith. O nome ecoa como um aviso. A agência disse que ele era exigente, americano, rico. Não mencionaram o olhar arrogante, nem a forma como ele fala como se tudo fosse descartável. Como se pessoas fossem apenas funções.
Tudo bem. Eu já aprendi a engolir o orgulho quando necessário. Abro a bolsa e pegou o celular rapidamente. Há uma mensagem da cuidadora.
Minha mãe teve uma noite difícil, mas está estável. Sinto os olhos arderem. Engulo o nó na garganta. É por isso que estou aqui. Não é escolha. É sobrevivência. Cada diária nesse trabalho paga uma parte do tratamento que o plano não cobre. Cada dia conta.
Sou formada em Administração. Falo inglês fluentemente. Tinha uma carreira promissora antes da doença virar tudo do avesso. Mas agora, isso não importa. O que importa é manter minha mãe viva.
Começo a cozinhar algo simples, mas bem-feito. Massa fresca, molho leve, ingredientes de qualidade. Enquanto trabalho, sinto a presença dele mesmo sem vê-lo. Como se estivesse observando, avaliando cada movimento.
Quando levo o prato até a sala, ele está sentado à mesa, mexendo no celular, expressão distante.
Letícia — Here. _ Eu digo “aqui está” em inglês, colocando o prato à frente dele.
Erick — You can sit._ Ele diz que eu posso me sentar. A frase soa casual, mas carrega uma ordem implícita.
Letícia — Não, obrigada. Prefiro ficar em pé. _Vejo a surpresa atravessar o rosto dele por um segundo.
Erick — You don’t look like someone who needs this job. _ Ele diz que eu não pareço precisar daquele emprego. A frase me atinge como uma lâmina fina, precisa. Sorrio, educada, mantendo a postura.
Letícia — Aparências enganam, senhor Smith. _ Ele prova a comida em silêncio. Meu coração acelera, sem motivo lógico. Espero, com as mãos entrelaçadas à frente do corpo.
Erick — It’s… very good. _ Ele admite que está muito bom. O elogio parece arrancado à força.
Letícia — Fico feliz em ouvir isso. _ O silêncio que se instala é denso. Ele me observa como se estivesse tentando me entender, e isso me deixa desconfortável.
Erick — How long are you staying? _ Ele pergunta quanto tempo eu ficarei.
Letícia — Uma semana. Ou enquanto o senhor precisar. _ Ele se recosta na cadeira, pensativo.
Erick — One week. _ Ele repete, como se aquela informação tivesse mais peso do que deveria.
Sinto um arrepio percorrer minha espinha. Há algo naquele homem que não é apenas arrogância. É vazio. Ferida. E eu aprendi cedo demais que homens assim deixam marcas profundas.
Ainda assim, quando nossos olhares se cruzam novamente, há uma tensão invisível no ar. Algo que não deveria existir entre um patrão e uma empregada. Não sei o que ele pensa. Mas sei que essa semana não será simples.
E, pela primeira vez desde que aceitei esse trabalho, tenho a sensação clara de que minha vida está prestes a mudar de um jeito que eu ainda não consigo controlar.
OI. AMORES, AQUI INICIA MAIS UM LANÇAMENTO. ESPERO QUE GOSTEM E CURTAM CADA MOMENTO COM ESSA CASAL.