Capítulo 17

1210 Words
Por um momento me esqueci da raiva, o toque dele sobre minha pele, me fez estremecer, mas então ele se afastou e sorriu. — Posso dá mais que beijos, posso beijá-la em outros lugares, apenas peça Liz. — Eu podia ver em seus olhos, o desejo, mas havia algo ali. — Não vou implorar por s**o Marcos. — Me afastei dele. — Não vou implorar por você. — Sempre orgulhosa Liz. — Ele fala se virando para sair, me deixando com o insulto na língua. Eu iria embora daquela casa nem que fosse andando, eu e Marcos não podemos ficar no mesmo teto e claro que ele estava querendo me seduzir, queria me ver implorar por ele, mas isso eu não iria fazer. Entrei em meu quarto, peguei uma pequena mala, e arrumei as coisas mais básicas que eu poderia. Eu iria falar com meu tio, tenho certeza que ele ao contrário da minha madrinha daria um jeito de me tirar daqui. Sair com a mala na mão e o primeiro a me ver é Luan, ele me avalia por alguns segundos e dá de ombros. — Estou indo para a cidade, vou tomar um banho e tirar um cochilo, não precisa sair fugida. — Ele fala entrando no quarto dele, sem esperar por minha resposta, eu odiava Luan e o jeito soberbo dele de ser um sabe tudo. Mas era uma solução tão fácil que me sentia tola de não pensar nisso antes. Não demorou muito para minha mãe entrar pela porta do meu quarto, ela tinha a própria tempestade no olhar , e eu sabia que para ela era totalmente ofensivo eu não obedecer minha madrinha. — Como ousa? — Ela pergunta. — Marcos não precisava da minha companhia. — Falei dando de ombros. — Acha que está sendo esperta dando ele de bandeja para aquela…. — Bianca é a mulher que ele escolheu, não somos crianças, não podemos nos obrigar a sermos amigos. — Vai perdê-lo para ela. — Minha mãe fala de maneira indignada. — Naquele dia, eu tomei uma decisão. — Minha mãe me avaliou. — Eu nunca pensei que fosse covarde! Eu fui contra seu pai, contra todos, correndo o risco de perder minha melhor amiga, mas não te abandonei, quando todos viram as costas para você Elisabete apenas eu fiquei do seu lado, e entendi sua decisão. Porque eu não criei uma covarde e respeitei sua decisão. — Você me mandou voltar de imediato e implorar pelo perdão de Marcos. — Ela é inacreditável. — Porque eu sabia que o amava, mas admirei sua coragem, mas agora vejo que é fraca. — Porque não estou lá brigando pela atenção dele? — Porque prefere perder quem ama, para manter esse seu orgulho. — Eu tentei…. Eu já tinha escrito uma carta e pedido perdão, uma carta nunca respondida, uma carta a qual decidi esquecer e acredito que ele também. — Pediu perdão a ele? — Minha mãe se sentou na cama. — O que ele respondeu. Eu por um tempo achei que a carta não tinha chegado a ele, mas em uma cidade pequena, correspondência se perder é impossível. — Nada, o que ele quer de mim é que eu me humilhe, e isso não farei. — As palavras dele soavam em meus ouvidos “ a orgulhosa Liz.” — Você destruiu o orgulho dele ao deixá-lo no altar. — Minha mãe fala se levantando. — Acha mesmo que foi fácil para ele ser a chacota da cidade? — Eu implorei para você, eu implorei para ele. — Eu disse está confusa na noite anterior ao casamento, mas eles falaram que era normal que eu estava nervosa, eu tentei dizer que não queria mais me casar, mas fui silenciada com um ‘ não seja tola, você se casará com Marcos de Oliveira, não tem como ficar confusa sobre isso” — Noivas ficam nervosas, Liz não achava que iria escapar pela janela vestida de noiva. — Minha mãe fala revirando os olhos. — Eu sei que me veste como sua vilã, mas o que São Paulo lhe trouxe de bom? A pergunta que eu sei é que ela queria jogar na minha cara no mesmo instante que pisei nesta cidade, a verdade é que voltei fracassada, não conseguir virar uma grande estrela, não conseguir estrear em grandes palcos, a vida de atriz não é tão glamurosa quanto as revistas mostravam. Respirei fundo, poderia argumentar qualquer coisa, mas para minha mãe um casamento bem sucedido não era algo a ser arremessado aos ventos. — Vou para a cidade com Luan, pode me entregar a chaves de casa? — Perguntei sabendo a resposta. — Não vou te entregar coisa alguma, vai voltar quando seus pais voltarem, até porque o que vai fazer naquela casa sozinha? — Pensar e aqui não tenho paz para isso. — Sei bem onde seus pensamentos te levam, mulher que pensa muito Liz, não faz boas escolhas de inteligência demais é defeito, já te falei isso. — Está presa no século 19 mamãe? — Não me chame de velha, minha avó pensava assim, minha mãe pensava assim e eu penso assim, porque fui colocar no mundo uma criatura que não pensa o mesmo. — Ela resmungou olhando para o céu. — Casamento não tem que ser sobre dinheiro. — Minha mãe me olha ofendida. — Por acaso estou pedindo que fique com quem não ama? Por acaso pedi que amasse Marcos? Nunca mandei em seus sentimentos, mas o bom Deus o colocou no caminho certo. — Chega! — Falei já sem paciência. — Vou embora hoje, e não ouse armar nada e quando voltarem quero saber exatamente o que foi feito com o dinheiro da família. Minha mãe me olhou de forma ofendida, e saiu do quarto respirei fundo, eu não queria mais discussões uns dois dias longe deles seriam um paraíso. Não demorou muito Luan bateu na porta, ele sorriu quando eu abro. — Minha herança está ameaçada, então melhor que não tenha mudado de ideia. — Ele entra no quarto e olha para as minhas malas. — Porque tinha que falar que eu irei te levar? Tive que ouvir que sou um péssimo irmão. — Você é um péssimo irmão. — Falei sorrindo, ele revirou os olhos. — Minha mãe não precisava saber disso, minha herança corre risco. — Ele sorrir. — Eu te amo, sabia. — Falei dando um beijo em seu rosto enquanto ele carregava as malas. — Isso não compensa minha herança. — Ele fala saindo do quarto. — Não se coloca preço no amor. — Falei indo pegar minha outras malas. — Estranho ouvir isso vindo de você. — Escuto a voz de Leila, e me viro para vê-la na em pé na porta. — Não conseguiu seduzir um, corre para o outro? Eu apenas me virei, não valia a pena responder e eu não queria brigar com ela, não queria mais brigar com ninguém. — Não consegue negar? — Não sabe do que está falando. — Falei passando por ela com as minhas malas. — Eu não permitirei que o machuque novamente. — Ela fala, mas não me virei para responder, o melhor era eu apenas sair daquela casa e se possível nunca mais voltar.
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