☆ Capítulo 17☆

2005 Words
☆Mason Miller ☆ — Trouxe o que me pediu, senhor Miller. — a voz de Lívia ecoa outra vez pelo escritório, firme, controlada… profissional demais. O tom ainda formal me faz cerrar os dentes por um segundo, uma pontada irritante de culpa atravessando meu peito pela forma como falei com ela minutos atrás. — Está tudo bem aqui? Chloe disse que ouviu… — Está tudo bem, gatinha. — Christopher corta antes que eu possa responder, sua voz suavizando instantaneamente, quase como se ele vestisse uma máscara sob medida para ela. Seus olhos voltam para mim por um breve segundo, carregados de provocação, antes de se fixarem nela outra vez. — Mason e eu estávamos apenas… ajustando algumas coisas para os próximos dias. A forma como ele fala “ajustando” me faz querer rir. Ou quebrar algo. Talvez os dois. Lívia volta o olhar para mim, e há algo ali — analítico, silencioso, quase como se ela estivesse tentando montar um quebra-cabeça do qual eu sou a peça central… e a mais perigosa. Seus olhos passam por mim com cuidado antes de retornarem para Christopher, como se decidisse, em um segundo, que ele é a opção mais segura. — Certo então… — Ponha o café sobre a mesa, senhorita Carter, e aguarde alguns minutos. Christopher já está de saída. — digo com firmeza, cada palavra saindo medida, controlada, ainda que algo dentro de mim esteja longe disso. Observo meu irmão revirar os olhos, o canto dos lábios se erguendo naquele sorriso desafiador que sempre antecede alguma merda. — Isso ainda não terminou, Mason. — a voz dele ecoa com uma confiança que ele definitivamente não tinha minutos atrás. Ele se vira para Lívia, e então… lá está de novo. O sorriso doce. Falso. Calculado. Irritantemente eficaz. — Te vejo mais tarde, gatinha. Te busco às sete, tudo bem? Lívia pisca uma, duas, três vezes. O suficiente para denunciar que ele conseguiu o que queria: desestabilizá-la, ainda que só um pouco. Ela encara Christopher, e então… sorri. Um sorriso gentil. Leve. Quase… bonito. Meu estômago revira. Ela nunca sorriu assim para mim. Na verdade… ela nunca sorriu para mim. — Às sete está ótimo. — responde, e há uma suavidade na voz dela que me atravessa como uma lâmina lenta, precisa, irritantemente limpa. Por um segundo, penso seriamente em expulsar os dois do meu escritório. Ou jogar Christopher pela janela. Viro-me de costas antes que qualquer uma dessas ideias se torne tentadora demais e sigo em direção às grandes janelas, o vidro frio refletindo minha expressão fechada enquanto observo a cidade abaixo. Miami ferve de vida, independente do horário. Luzes, movimento, caos… tudo segue, tudo pulsa. E ainda assim, ali dentro, o ar parece pesado demais. Denso demais. Só quando ouço a porta do escritório sendo fechada — firme, definitiva — e o som dos saltos de Lívia ecoando contra o piso polido é que me viro novamente. Ela está parada próxima à minha mesa. Impecável. Tablet em mãos, postura ereta, expressão neutra… como se nada tivesse acontecido. Como se aquele sorriso não tivesse existido segundos atrás. — Senhor Miller… — ela começa, e aquele maldito tom profissional retorna, frio, distante, seguro. Seguro demais. — Sobre sua agenda, preciso que me confirme quais reuniões deseja manter e quais devo adiar. Temos a reunião com o… — Para onde vão essa noite? — minha voz corta o ar antes que eu possa me impedir. Ela para. Imóvel. Os olhos finalmente se erguem para os meus. — Você e meu irmão… — continuo, dando um passo à frente, sentindo a tensão crescer, se arrastar entre nós como algo vivo. — Para onde ele está planejando levá-la essa noite, Lívia… e por que diabos eu não sabia disso? O silêncio que se instala não é confortável. Nunca é, quando se trata dela. Ela pisca algumas vezes, como se tentasse raciocinar o significado das minhas palavras, como se cada sílaba tivesse chegado até ela de forma desalinhada, desconexa, ou simplesmente absurda demais para ser compreendida de imediato. Seus lábios se entreabrem, hesitantes, e por um breve segundo ela parece genuinamente perdida, o que só torna tudo ainda mais irritante. — Como... o que você quer dizer com... — Não se faça de boba, Lívia. — minha voz ecoa, mais cortante e firme do que eu gostaria, carregada de uma impaciência que já não faço questão de esconder. Dou um passo à frente, sustentando seu olhar sem hesitar. — Que palhaçada é essa de você aceitar sair com o meu irmão? Por acaso enlouqueceu? Esqueceu que eu já falei inúmeras vezes? Eu não a quero perto de Christopher. Meu irmão não é uma boa pessoa para você e... — Quem você pensa que é para se meter na minha vida, Mason? — a voz dela me corta com força, alta demais para ser considerada apenas irritação, atravessando o ambiente de forma brusca e inesperada. Aquilo me faz travar por um segundo, não pelo conteúdo das palavras, mas pela intensidade com que ela as diz. — Que diabos, primeiro me repreende por algo que nem faz sentido, e agora quer dizer o que posso ou não fazer da minha própria vida? Você é meu chefe, Mason, não meu pai. Há algo diferente nela, algo que pulsa por baixo da superfície controlada que ela sempre mantém, e é exatamente isso que faz algo dentro de mim se contrair de forma incômoda. — Não, amor, eu não sou seu pai. — respondo, e dessa vez minha voz sai mais baixa, mais controlada, quase perigosamente calma, como se cada palavra estivesse sendo cuidadosamente medida antes de ser dita. — Sou seu futuro esposo, e estou dizendo que não a quero saindo com o meu irmão. Você é minha, Lívia. Achei que já tivesse entendido isso, mas pelo visto, seu cérebro se recusa a processar essa informação. Os olhos dela se estreitam imediatamente, e o desprezo que surge em sua expressão é quase palpável. — Você deveria parar de usar o que quer que esteja usando, Mason. — ela diz, e o desdém escorre por cada palavra de forma lenta e intencional. — Está afetando seu cérebro. Vamos pular esses jogos de provocação e ir direto para o trabalho. Sua agenda está cheia hoje e eu ainda preciso que confirme quais... — Saia comigo, Lívia. — a interrompo antes que ela possa continuar, as palavras escapando sem filtro, sem cálculo, quebrando o ritmo controlado que eu vinha mantendo até então. Dou mais um passo à frente, reduzindo ainda mais a distância entre nós. — Me dê a chance de provar que não sou esse i****a, babaca, egocêntrico e seja lá quais outros apelidos você me deu ao longo dos últimos anos. O silêncio que se instala é curto, mas denso o suficiente para pesar no ar entre nós. — Senhor Miller... — ela começa, e o retorno imediato ao tom formal faz algo dentro de mim se tensionar de forma irritante. — Essa atitude é inadequada de sua parte. Reviro os olhos, sentindo a frustração crescer de forma quase sufocante, como se cada palavra dela fosse um empurrão direto contra o pouco controle que ainda me resta. Eu não penso, não analiso, não pondero, apenas ajo, e em questão de segundos estou diante dela, a poucos centímetros de distância, próximo o suficiente para sentir o calor do seu corpo e a leve alteração em sua respiração. Ela não recua. Não hesita. Seus olhos encontram os meus com aquele mesmo olhar analítico, atento, como se estivesse me desmontando peça por peça, tentando entender até onde pode ir, até onde eu vou permitir que ela vá, ou talvez até onde eu mesmo sou capaz de ir. Não há fraqueza ali, não há submissão, apenas confronto, puro e direto, e isso me atinge de uma forma muito mais profunda do que deveria. O cheiro dela me envolve de imediato, doce, marcante, hidratante de frutas vermelhas, e por um instante absurdamente breve minha mente vacila, meu corpo responde antes da razão, e é exatamente nesse ponto que percebo o problema com uma clareza incômoda. Não é Christopher. Nunca foi. É ela. E o fato de que, quanto mais me enfrenta, mais impossível se torna manter qualquer distância. 》☆☆☆《 ☆ Lívia Carter ☆ A proximidade de Mason se torna perigosa no exato instante em que sinto o frescor de sua colônia me envolver, algo forte, intenso, menta com um toque amadeirado que se mistura a um leve cheiro de álcool, sutil, quase imperceptível, mas ainda assim presente o suficiente para denunciar que ele não está tão no controle quanto tenta parecer. É sufocante de um jeito errado… e ao mesmo tempo, absurdamente difícil de ignorar. Seus olhos azuis me encaram com algo estampado neles, algo cru, desorganizado, uma mistura quase caótica de frustração, desejo e um toque de culpa que ele claramente não sabe esconder. Sua respiração desacelera aos poucos, como se estivesse tentando se conter, como se estivesse lutando contra si mesmo… e falhando. — Uma vez, Lívia… — a voz dele ecoa novamente, mais baixa agora, contida, quase íntima demais, como se estivesse dividindo um segredo que não deveria existir. — Uma noite… deixe-me provar que sou capaz de fazer de tudo para que seja minha… Engulo em seco, sentindo o peso daquelas palavras se acomodar dentro de mim de forma desconfortável. — Eu não sou um objeto, Mason… — minha voz sai mais firme do que me sinto, ainda que um leve tremor ameace se infiltrar entre as palavras. — Não sou sua… não posso ser… — Sim, você pode… — ele responde imediatamente, sem hesitar, como se aquilo fosse uma verdade absoluta. Ele dá um passo em minha direção, invadindo ainda mais o pouco espaço que restava entre nós, e seus olhos… seus olhos dizem tudo aquilo que seus lábios não conseguem formular. — Você pode ser minha, Lívia. Meu coração falha uma batida. — Eu me ajoelho, se você quiser… — continua, a voz mais baixa, mais intensa, cada palavra carregada de uma entrega que não combina com quem ele é. — Te entrego meu império… qualquer coisa para tê-la só para mim por uma noite. Eu posso fazê-la a mulher mais feliz do mundo… tudo o que você quiser, Lívia… eu posso te dar tudo o que você quiser, é só pedir… qualquer coisa… — Mason, eu… Ele não me deixa terminar. Não me dá tempo. Não me dá escolha. Em um segundo ele está diante de mim, próximo demais, e no seguinte, sua presença me envolve por completo, seus lábios encontrando a curva do meu pescoço, deslizando lentamente até minha nuca com uma intensidade que me faz prender a respiração. O toque não é brusco… mas também não é gentil. É urgente. É carregado. É como se ele estivesse tentando marcar algo que nem ele entende. Suas mãos encontram meu corpo sem hesitação, firmes, quentes, percorrendo cada curva por cima do tecido do vestido, como se estivesse memorizando cada detalhe, como se desenhasse mapas invisíveis sobre a minha pele. Meu corpo reage antes que eu possa impedir, um arrepio involuntário me atravessa quando ele se aproxima ainda mais, quando sua respiração se mistura à minha, quando tudo se torna próximo demais… intenso demais. A lembrança de semanas atrás surge sem aviso, vívida, insistente, invadindo minha mente com a mesma força com que ele invade meu espaço agora, e o calor do corpo dele contra o meu só piora tudo, só torna tudo mais real, mais difícil de ignorar. — Mason… — o nome dele escapa dos meus lábios em um sussurro baixo, quase um pedido, quase um erro. — Uma noite apenas, Lívia… — ele murmura próximo ao meu ouvido, a voz rouca, carregada, enquanto suas mãos descem lentamente até a barra do meu vestido, pairando ali como uma promessa… ou uma ameaça. E é nesse momento que percebo, com uma clareza perigosa, que o problema não é só ele. É o fato de que, por um segundo… eu não me afasto.
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