Capítulo quatro - Só uma saída

2278 Words
Eu fecho os olhos e volto a abrir segundos depois para ter a certeza que isso não é um sonho. Para o meu azar, é real. Grant Coleman está mesmo aqui. Na casa do Vladimir. Fecho a porta na cara dele, mas ele impede com o seu pé, empurra a porta e entra. Só espero que Vladimir não venha para cá agora e nem que Grant demore aqui. Parece que está procurando a sua própria morte. — É aqui que você mora, Mia Summer?! Esse lugar é um pouco sinistro. — Ele senta no sofá. — Pode trazer uma limonada para mim? — Grant, porquê você está aqui? Você não devia ter feito isso! — Fico na frente dele. — Calma! — Ele sorri. — Você sempre diz que não posso me aproximar de você, que não posso falar nem olhar para você, diz que vou me arrepender. O que isso significa? — Significa que você está se metendo com a pessoa errada. — Digo. — Vai embora, por favor! — Seguro o seu braço para que levante. — Não saio daqui se não dizer o que está acontecendo. Porquê não posso me aproximar de você? — Isso não te diz respeito! Porque tanto interesse? Você não tem mais nada para fazer? Porquê me persegue? — Isso não é perseguição. É apenas curiosidade e muito interesse. Você é misteriosa e isso chama a minha atenção. — Ele sorri. — Parece que é um jogo. Eu adoro jogos. — Grant, por favor! — Sento ao seu lado. — Eu vivo aqui com o meu tutor e ele não gosta que eu traga homens em casa. — Minto. — Não quero que se machuque. — Ele não vai saber. E eu não tenho medo. Que idade tem ele? — Pergunta. — Idade suficiente para ser capaz de muita coisa. — Não estou brincando, mas Grant ri. — Eu também sou capaz de muita coisa. Segui você até aqui, não é? Sou perigoso! — Ele diz a última parte num sussurro. Suspiro. — O que eu tenho que fazer para que vá embora, Grant? — Vejamos! — Ele pensa um pouco. — Você pode sair comigo hoje a noite. — Não posso. Tenho coisas para fazer. — Amanhã então. — Porquê quer tanto sair comigo? — Eu não entendo. — Quantas vezes vai me perguntar isso? — Ele levanta e observa cada canto. — Grant! — Gosto de ouvir meu nome saindo da sua boca. — Ele olha para mim. — Vai sair comigo ou não? — Claro que não! Ele cai no sofá novamente. — Então eu não saio daqui. Também estou curioso para conhecer o seu tutor. Eu levanto. — Grant, por favor! Ele pega na almofada e cobre o rosto, depois volta a olhar para mim. Meu Deus! Ele é bem louco! — Agora está me vendo! — Ele sorri. — Agora não está! — Cobre o rosto com a almofada. Eu rio. — Você é muito infantil! — Consegui fazer você sorrir! — Ele levanta e fica na minha frente. Cara a cara. — Vai embora, Grant. Eu estou falando sério. — Me afasto. — Está bem. Eu vou, mas amanhã eu volto se não sair comigo. — Ele diz e finalmente sai. Já não sei o que fazer para que ele me deixe em paz. Ele parece piolhos. Volto para a cozinha para comer a minha lasanha. Também preciso pensar no que fazer com Grant. Ele disse que volta aqui se eu não sair com ele. Mas como vou fazer isso sem Vladimir saber? Vladimir me deixa no portão da universidade e vai embora depois de dizer aquelas coisas que sempre diz para mim. Eu entro na universidade e vejo o carro do Grant. Ele deve ter vindo cedo por minha causa. Estou ferrada! Ontem ele já me seguiu. Não sei o que mais vai fazer dessa vez. Parece que ele está gostando e achando que isso é uma brincadeira. Se ele soubesse, nunca mais olharia para mim sequer. Caminho para dentro e encontro apenas Grant na sala de aulas, ouvindo música com os olhos fechados e cantando muito alto. Eu tento não rir, mas é inútil. Começo a rir da sua voz h******l, mas parece que ele percebe, porque abre os olhos e olha para mim com um sorriso lindo. — É a segunda vez que faço você rir. — Ele levanta e vem ficar na minha frente. Ele está com um casaco de couro, jeans e sapatos. E eu estou usando o que uso sempre. Jeans, blusa e ténis. Não sei o que ele acha de interessante em mim. — Olá, Grant! — Endireito a minha mochila. — Está pronta para sair comigo? — Segura a minha mão e me afasto imediatamente. — Como assim? — Pergunto. — Você quer sair comigo agora? Lembra do que eu disse ontem? — Grant, eu não posso perder nenhuma aula. — Porquê? Max passa os apontamentos para mim e depois eu passo para você. Simples! — Coloca as mãos nos bolsos. — Se eu sair com você, vai me deixar em paz? — Pergunto. — Deixo. Não vou mais na sua casa e nem olho mais para você. — Ele pega na sua mochila. — Então, vamos? — Ele me dá a sua mão. — Vamos. — Suspiro e seguro a sua mão. Ele me leva para fora e saímos para encontrar o seu carro preto. Ele abre a porta para mim e me deixa entrar. É diferente quando é outra pessoa fazendo isso. Não estou acostumada. Ele entra no carro também e olha para mim com o rosto impassível. Eu olho pelos vidros do carro para não ter que olhar para aqueles olhos. É só uma saída. Só para salvar a pele dele. Eu esperava que ele fosse me levar para qualquer lugar, menos num restaurante. E o pior é que é um restaurante muito caro. Não vão me deixar entrar vestida desse jeito. Grant abre a porta para mim. Eu saio e sigo ele para dentro do restaurante. Ele entrelaça as nossas mãos sem vergonha alguma e ocupa uma mesa para a gente. Não sei porquê, mas sinto um desconforto quando as nossas mãos se separam. Então, eu disfarço para que ele não perceba. — Porquê me trouxe nesse lugar, Grant? — Pergunto. — Para você relaxar, para a gente conversar. — Ele coloca o celular por cima da mesa. — Está bem. — Seu celular? — Ele pergunta. — Eu... eu não tenho. — Olho para baixo. — Não faz m*l. — Ele levanta o meu queixo para que eu olhe para ele. — Porquê você não gosta de estar perto das pessoas? — Porque eu sou assim. Ele franze a testa e fica lindo quando faz isso. — Eu sempre fui um garoto que se mete em confusões. — Ele sorri. — Quando tinha oito anos, eu bati num colega e fui expulso do colégio. Aos doze, também fui expulso de um colégio interno. E sabe porquê? — Não. — Porquê ele está me contando isso? — Porque eu fazia justiça com as próprias mãos. E também fazia isso para chamar atenção dos meus pais. Foi aí que eles passaram a prestar mais atenção em mim. — Ele olha para mim. — Fui para outro colégio e aprendi a me comportar. — E porquê eu tenho que saber da história da sua vida? — Pergunto. — Porque eu quero que confie em mim. Não sou tão r**m como você pensa. O garçom vem até nós e me olha de um jeito estranho. — Bom dia! O que vão querer? — O que você vai querer, Mia? — Grant pergunta. — Eu posso escolher? — Escolha o que você quiser. — Ele sorri. Um sorriso tão lindo que me faz lembrar do sorriso do meu pai, quando dizia que eu podia fazer o que eu gostava. Tenho tantas saudades! Olho para a ementa. — Eu quero café e waffles, por favor. Waffles com chantilly. — Pode ser chá de limão e uma fatia de bolo de laranja para mim. — Grant diz. — Sim, senhor. — Ele vai embora depois de anotar nossos pedidos. — Porquê você é amigo da Chloe? — Pergunto. — Porque ela é namorada do meu melhor amigo. Assim como a Sophie. — Ele passa a mão pelo cabelo. — E porquê você não tem namorada? — Porque eu não encontro a pessoa certa e porque algumas vezes, eu duvido desse tipo de sentimentos. — Responde. — Mas você gosta de mulheres?! — Adoro! — Ele apoia os braços sobre a mesa e seu rosto fica mais próximo de mim. — Principalmente mulheres misteriosas. — Eu não sou misteriosa. — Digo revirando os olhos. — É sim. Porquê acha que estou atrás de você? — Está perdendo o seu tempo. Há tantas garotas bonitas como a Kathleen e muitas outras... — Você também é muito bonita, Mia Summer. Só que você está esperando um momento para descobrir isso. Você está presa num casulo e não quer se transformar numa borboleta. — Ele diz. — Assim como as borboletas também estão relacionadas com a teria do caos. — Respondo. — Você tem sempre a resposta na ponta da língua, ou isso é só quando está comigo? — Ele arqueia a sobrancelha. Não respondo. — Você age como se confiar em alguém fosse custar a sua vida. — Eu não podia ter dito melhor, mas é o contrário. — Eu gosto de estar sozinha. — Olho para as outras pessoas no restaurante. Garotas vestidas como a Chloe, mulheres bem vestidas também. Dá um pouco de vergonha olhar para mim ou passar na frente delas. Ainda bem que é um restaurante. Espero que não prestem atenção em mim. — O que aconteceu com os seus pais? — Grant pergunta, me pegando de surpresa. O garçom trás o nosso pedido e coloca para cima da mesa. Grant agradece e ele vai embora ainda olhando para mim. Eu sei que estou vestida como uma pessoa pobre, mas não precisa olhar assim para mim. — Eles morreram! Não gosto de falar sobre isso. — Como o waffles. — Desculpa. Eu não quis machucar você. — Ele parece arrependido. — Você não sabia. — Deve ser chato ter um tutor. — Ele diz. — Ele te trata bem? — Porquê tanto interesse na minha vida? — Pergunto. — Já expliquei umas mil vezes, Mia. Porquê você não confia em mim? Você podia ao menos confiar nas outras pessoas. — Não confio em ninguém. Eu não consigo. — Ontem quando eu fui para sua casa, eu percebi que estava em pânico. — Ele bebe o seu chá. — Eu só não queria confusão. — Respondo com a boca cheia. — Eu entendo. — Não, você não entende. Não volte a fazer o que você fez. — Olho para ele. — Não se preocupe! — Ele sorri. — Viu como eu posso fazer as coisas se me pedir com jeitinho? Reviro os olhos e sorrio. — Obrigada por me trazer aqui. — Não precisa agradecer! Estou tentando me acostumar a ver seu lindo sorriso. — Ele toca a minha mão. — Não fique presa num casulo. Você pode se libertar do que quer que seja. — Você não me conhece! — Desvio o olhar. — Eu adoraria conhecer você. É uma pena que essa é a última vez que a gente vai trocar palavras. Eu vou fazer o que você me pediu. — Ele sorri e beija a minha mão. Olho para ele. Ele tem toda a razão. Eu não posso deixar que Vladimir destrua a minha vida. Durante esses anos, ele tem me controlado e me obrigado a fazer o que ele quer. Mas não tem de ser sempre assim. Eu não posso fazer sempre o que ele diz. Pelo menos, não na frente dele. Há pessoas que querem estar perto de mim e ser minhas amigas, mas eu tenho me afastado simplesmente porque é a vontade dele. Eu quero poder ter alguém para confiar. Não faz m*l se eu tiver duas vidas, eu preciso arranjar um jeito de sair desse pesadelo. Eu tenho que conseguir isso. Depois da comida deliciosa e com direito a sobremesa, Grant paga a conta e me leva para fora do restaurante. Ele abre a porta do carro para mim. Eu apenas olho para ele. É um pouco estranho a gente estar aqui. Principalmente, depois do conselho que ele me deu. Grant não é tão i****a como eu pensava. Fazemos sempre um m*l julgamento das pessoas mesmo antes de conhecê-las. Não devia ser assim. Eu não devia fazer isso, pois as pessoas que não me conhecem acham que sou psicopata. Não devia agir como elas. — Grant, muito obrigada por isso. — Agradeço. — Não precisa agradecer. Na verdade, precisa. Depois disso deixo você em paz. — Ele passa a mão no meu cabelo. — Você não precisa fazer isso. — Toco a sua mão. — Obrigada pelo conselho. — Que conselho? — Ele pergunta. Eu abraço ele. Indiretamente, ele estava me pedindo para que eu vivesse a minha vida. E eu vou fazer isso. Sem que Vladimir saiba, mas vou viver a minha vida. — Obrigada. — Não precisa agradecer! — Ele olha para mim. Grant avalia cada parte do meu rosto e pára nos meus olhos como se estivesse perdido. Ele pode não estar, mas eu estou. Estou perdida nos seus olhos quase amarelos, seus lábios carnudos e suas covinhas. Se eu fosse uma garota normal, eu provavelmente me apaixonava por ele, mas eu não sou. Essa possibilidade está totalmente descartada.
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