~04-

1062 Words
Arthur: Acordo num salto ao ouvir a Juju gritar. Corro para o quarto dela, cruzando com minha avó, que abre a porta com tudo. Ela está sentada, segurando o lençol com força, com os olhos arregalados e tremendo. -Dora: Filha, o que foi? Calma. -Juju: Vó tem sangue! Minha vó me olha, suavizando a expressão, como se não fosse nada. Eu tento chegar perto, mas a Juju não me deixa. — O que foi, minha vida? -Juju: Tenho medo. Eu não vou morrer? -Dora: Claro que não! Isso acontece porque você já está moçinha. Agora o Arthur vai à farmácia comprar medicamentos, e eu e você vamos ter uma conversa de mulher para mulher. Enquanto eu te dou um banho, ela fala com ternura, tranquilizando-a. — Estou indo, vó. Dora: Traz analgésicos, por precaução, caso ela sinta dor. — Tá, tá bom! — falo, já me colocando minha camiseta e havaianas. Faço minha higiene no banheiro e saio rumo à farmácia. Chegando lá, tinha um mundo só dessas coisas. Fiquei uns minutos tentando descobrir qual era a melhor. Suspirei, passando minha mão pelo rosto. -xx: Bom dia, posso lhe ajudar? Oi, bom dia! Eu precisaria de um... não sei como escolher, é a primeira vez dela e acho que nem ela sabe qual ela gosta. -xx: Posso lhe recomendar o tamanho médio, cobertura seca com abas. É ideal para meninas que recém começam. -Obrigado, pode ser esse mesmo. É um remédio para dor. Ela assente com a cabeça e eu vou para o caixa. Tem uns amendoins e ela gosta, nunca reclamou da textura. Vou levar também - e coloque o amendoim também, por favor. -xx: Tá certo. Efetuo o pagamento e saio direto para minha casa. Chegando lá, fui para o quarto. Minha avó estava banhando ela. Eu saquei o lençol manchado de sangue e pacei um pano no colchão. Ele tem um cobre colchão plástico porque, se tratando da Juju, pode acontecer de tudo. Limpei com álcool e coloquei lençóis roxos com bolinhas brancas, o favorito dela. Também coloquei o cobertor de ursinho que ela ama. Imagino que hoje ela não estará de bom humor e, prova disso, ela saiu chorando do banho -Oi, minha vida, não chora. O que foi? -Juju: Estou estranha, não gosto de usar isso. Juju, é normal, as mulheres passam por isso. Quer que eu busque outro modelo pra ver se fica confortável? -Juju: Não, eu tenho que me acostumar, só não gostei só disso. Pode ficar comigo todo o dia. -Dora: Júlia, tu sabe que ele trabalha e tem que botar comida aqui dentro. A Juju umedeceu os olhos e meu coração se partiu. Eu não consigo... Calma, vó hoje, a Lívia não vai sair do morro, vai no salão e demora muito. Eu levo ela comigo. Eu termino de falar isso e a Juju abre um sorrisão. -Dora: Não é arriscado? Não vó, ela não sai do carro. Arruma ela que eu passo com a Lívia aqui pra pegar ela. Tá bom, Juju, te comporta. -Juju: Não demora, te amo. -Eu saio sorrindo, minha vida está crescendo. Subo na moto e já fecho a cara só de ter que ir lá naquela casa. Meu humor muda. Chegando lá, a livia esta p**a comigo. -Lívia: Tu tá atrasada, ela fala, batendo o pé. Foi m*l, tive um problema com a Juju, sobe aí. -Lívia: Ela está bem? Sim, só está crescendo. Tu te importa se eu passo a buscar ela pra ela ir comigo? Ela não está legal hoje. -Lívia: Tá bom, que é um peido pra quem já tá cagado. Valeu, te devo essa. Vou até minha casa e ela estava toda sorridente, pronta pra sair. Saio do carro e seguro a mão dela. Ela enxerga, mas no clarão do dia é meio difícil. Está usando o aparelho auditivo que ela pintou de rosa, uma trança no cabelo castanho claro, um vestidinho rodado lilás, uns tênis brancos e uma bolsinha de crochê. Ela é uma princesa. -Juju: Tchau, vó. . -Dora: Te conporta, tchau. Ela fez uma cara quando olhou pra Lívia, deu vontade de rir, mas né, fingi demência. Coloquei o cinto nela, a Lívia está na parte de trás do carro, a Juju só sorrisos. -Lívia: Passa buscar a Debora, ela atrasou também. Eu só aceno com a cabeça e a Juju faz cara de nojo. Segurei a mão dela e ela aperta a minha. Chegando na rua da Débora, de longe, eu vejo ela já pronta pra subir na frente. Quando se dá conta que está a Juju, fica com cara de raiva. Eu nem olho, porque se ela chegar a falar algo da minha Juju, eu vou perder a linha, sério. Ela senta e cochicha algo com a Lívia, que dá de ombros, e eu sigo meu caminho. A Juju, toda serelepe, olhando tudo. Chegamos no salão e as madames se acham. -Débora: Ela não vai vir no salão? -pergunta, apontando pra Juju- -Lívia: Não, ela não vai. Vamos que já estamos atrasadas. A Lívia percebeu na hora que eu ia mandar longe. Respiro fundo e falo: Vida, vamos tomar sorvete?. -Juju: Não sei se eu gosto. Se tu não experimenta, tu não sabe, né? -Juju: Ehh, - falo pensando. - -O que foi que tu ficou assim? -Juju: A Lívia é bonita e a amiga dela também. Que tem isso? -Juju: Nada, não. Acho que tô boba hoje. A vó tem razão, eu sou muito criança. Não, tu é uma mulher. Já olha só, hoje me diz tá doendo? -Juju: Não, só fiquei pensando. Sabe, eu sou normal pra algumas coisas, mas pras outras eu não sou. Gostaria de ser normal em tudo. Juju, tu é especial, uma joia rara, minha joia rara. Não quero que tu penses assim. Se tu não tivesses esses problemas, eu não estaria com você. -Falo beijando a mão dela.- -Juju:E, mas tu vai achar uma namorada e... Que te disse isso, Juju? -Juju: A vó me disse que é normal um homem ter namorada e que eu não posso estar tanto tempo abraçada. Não, eu não quero namorada, Júlia. Olha para mim, eu não quero ninguém. A minha promessa que eu te fiz há dez anos atrás, tu lembras? -Juju:Tu nunca vai me abandonar. É isso mesmo, nunca. Eu vou ser o melhor por e para você. Agora vamos comer sorvete vem..
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