SOB O MESMO CÉU

1415 Words
Título da Primeira História: “Sob o Mesmo Céu”/ Saga Amores para a Vida. Sinopse: Clara é uma fotógrafa que vive entre voos, flashes e solidão. Após anos longe de casa, ela retorna para cuidar da avó doente e reencontrar as raízes que jurou ter deixado para trás. Mas tudo muda quando ela conhece Miguel, um ex-militar que trocou os campos de batalha por uma vida pacata numa fazenda. Ferido pelo passado e com segredos que o afastam do mundo, Miguel vê em Clara algo que ele julgava ter perdido para sempre: esperança. Em meio a paisagens rurais, pôr do sol dourado e noites sob o mesmo céu estrelado, nasce um amor inesperado — forte o suficiente para curar corações partidos… se ambos estiverem dispostos a enfrentar as verdades que evitam há tanto tempo. Capítulo do Elenco – "Sob o Mesmo Céu" Clara Albuquerque Fotógrafa premiada, 29 anos, viveu os últimos anos entre Europa e grandes capitais, fugindo do passado e de tudo que a fazia lembrar da cidade onde cresceu. Independente, determinada e sensível, Clara retorna à pequena cidade de Vila Nova para cuidar da avó doente — sem saber que o destino reservou muito mais que saudade para ela. Tem um olhar nostálgico e uma câmera sempre pronta para capturar a beleza que só os sentimentos revelam. Miguel Duarte Ex-militar, 34 anos. Após anos em missões internacionais e marcado por uma perda que o transformou, Miguel decidiu buscar paz numa fazenda herdada do avô. Reservado, silencioso e incrivelmente observador, ele vive afastado da cidade e do convívio social, até que uma nova vizinha surge com sua energia vibrante e olhos curiosos. Entre o trauma e a ternura, Miguel precisa decidir se está pronto para viver — e amar — novamente. Dona Iolanda Albuquerque Avó de Clara, 78 anos. Forte, espirituosa e dona de uma sabedoria encantadora. Foi ela quem criou Clara após a morte precoce dos pais. Apesar da saúde frágil, mantém o humor afiado e o coração aberto. Sua presença é uma ponte entre passado e futuro, e guarda segredos sobre a história da neta que nem Clara imagina. João Pedro “JP” Duarte Irmão mais novo de Miguel, 28 anos. Veterinário local, leve, divertido e o oposto do irmão em personalidade. Tenta constantemente “descongelar” o coração endurecido de Miguel, mas respeita suas dores. Cria momentos descontraídos na narrativa e será o apoio inesperado para Clara. Helena Prado Melhor amiga de infância de Clara, professora na escola da cidade. Um misto de sarcasmo e sensatez, sempre diz o que pensa. Não esconde o quanto está feliz com a volta da amiga e torce de maneira descarada por um romance entre Clara e Miguel. Daniela Queirós Vizinha da fazenda dos Duarte, tem interesse m*l resolvido por Miguel desde a adolescência. Não vê com bons olhos a chegada de Clara e faz de tudo para se manter presente onde não é chamada. Capítulo Um – O Retorno O calor seco da tarde batia no para-brisa do carro enquanto Clara guiava pelas estradas estreitas de Vila Nova. O rádio tocava uma música antiga, daquelas que sempre pareciam mais intensas quando a saudade apertava. O cheiro de terra quente e eucalipto invadia o carro pelas janelas abertas, trazendo com ele uma enxurrada de lembranças. Ela já não vinha ali há quase oito anos. Ao dobrar a última curva, avistou a placa da cidade com letras desgastadas: "Bem-vindo a Vila Nova — onde o tempo descansa e o coração encontra abrigo." Clara sorriu, amarga. Que ironia. Parou em frente à casa da avó. A mesma varanda branca, o mesmo portão de madeira com tinta descascada, as mesmas flores no jardim... Era como se o tempo ali tivesse se recusado a seguir em frente. — Clara, minha menina! — a voz de Dona Iolanda ecoou antes mesmo dela bater no portão. A idosa caminhava com dificuldade, mas com os braços abertos e um sorriso que atravessava décadas. Clara correu ao seu encontro e, por um instante, tudo parecia certo outra vez. Depois de se instalarem e trocarem as primeiras lágrimas e risadas, Clara saiu para uma caminhada. Precisava respirar aquele lugar de novo, se reconectar. Passou pela antiga escola, pelo coreto da praça onde dançou pela primeira vez num festival de verão… e então parou. À beira do campo, alguns cavalos pastavam tranquilamente. Um homem estava ajoelhado ao lado de um potro, tocando suas patas com calma e precisão. Ele se levantou — alto, moreno, com a postura de quem carrega peso demais nos ombros. O sol desenhou contornos dourados em sua pele e o vento soprou seus cabelos ligeiramente bagunçados. O olhar dele se cruzou com o dela por um instante. Intenso. Quase desconfortável. Ela não sabia quem era. Mas sentiu como se aquele olhar a tivesse despido de todas as suas defesas. Ele desviou primeiro e voltou ao potro. Ela seguiu o caminho, com o coração batendo mais rápido do que deveria. Ela ainda não sabia, mas aquele homem.. Era Miguel. E o destino tinha acabado de apertar o botão “começar de novo”. Capítulo Três – Entre o Chá e o Silêncio No fim daquela tarde dourada, Dona Iolanda começou a tossir mais do que o normal. Clara, sempre atenta, decidiu levá-la ao posto de saúde da cidade. O médico sugeriu repouso, muito líquido… e a velha receita que Dona Iolanda teimava em ignorar: chá de boldo fresco. — Mas onde eu vou arrumar boldo fresco agora? — murmurou Clara, olhando a pequena farmácia de ervas da avó, vazia. — Na fazenda dos Duarte. Tem um canteiro enorme nos fundos. Sempre tive acesso, se o Miguel não tiver virado bicho. Clara torceu o nariz. A ideia de pedir um favor ao vizinho ranzinza não a animava nem um pouco. Mas pelo bem da avó, foi. Caminhou até a porteira já familiar e, desta vez, bateu com mais firmeza. — Precisa de alguma coisa? — perguntou Miguel, abrindo a porta do galpão com um pano nos ombros e o rosto suado. — Boldo. Para minha avó. Ela está doente. E me disseram que você tem. Miguel a observou por longos segundos antes de responder, como se calculasse o que ela não estava dizendo. — Está nos fundos. Vou com você. Caminharam lado a lado em silêncio até o pequeno canteiro. Clara abaixou-se para colher as folhas, sentindo os olhos dele sobre ela. — Sua avó é uma das poucas pessoas que eu respeito nessa cidade. Ela olhou por cima do ombro. — E eu? Está me colocando na lista n***a, então? Miguel apertou os lábios, quase sorrindo. — Ainda estou decidindo. Clara se levantou devagar, encarando-o. — Bom saber. Vai levar quanto tempo para esse julgamento? Porque, sinceramente, Miguel... você parece ótimo em levantar muros. Mas péssimo em explicar por que os construiu. Miguel não respondeu. O olhar dele vacilou por um instante, e depois ele desviou. — Ela vai melhorar com o chá. Diga isso a ela. Clara foi embora sem olhar para trás. Mas por dentro, algo nela — e nele — havia mudado. --- Capítulo Quatro – O Convite Inesperado No sábado seguinte, Helena, a melhor amiga de Clara, surgiu na casa com a energia de um furacão. — Sábado à noite, festival na praça, comida boa, música melhor e muita fofoca para colocar em dia. Você vai, não discute. Dona Iolanda piscou para a neta. — Vai, sim. Você precisa se lembrar de como é se divertir. Clara foi. A praça estava linda, cheia de luzes coloridas, barraquinhas de doces, vinho quente, risos soltos no ar. E lá, encostado numa das barracas de artesanato, estava Miguel. Sozinho, com uma cerveja na mão, como se pertencesse àquela multidão e ao mesmo tempo, não. Quando seus olhares se cruzaram, foi inevitável. Os passos dela mudaram de direção. Os dele também. — Você veio. — disse ele, como se isso fosse surpreendente. — Pelo visto, você também. — Meu irmão me arrastou. Ele disse que o silêncio da fazenda já estava me engolindo. — E ele estava certo? Miguel sorriu, de verdade dessa vez. Era um sorriso raro, mas poderoso. — Talvez. Ficaram ali, lado a lado, observando a praça como dois estranhos que se conheciam por dentro, mas ainda não sabiam como. Helena os viu de longe e sorriu para si mesma. E sob aquele céu pontilhado de estrelas, o mesmo que tantas vezes havia testemunhado solidão, agora via nascer algo novo. Algo leve. Algo com futuro.
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