A Minha Figura

1134 Words
Voltamos para casa a pé, eu e a Lou fazemos quase todo o caminho em silêncio. — Estás chateada comigo? — pergunto sem olhar para ela. Ela pára de repente e fica a olhar para mim. — E porque havia de estar chateada contigo? Não foste tu que me fizeste m*l, mas sim aquelas três otarias. — Eu sei, mas elas metem-se contigo, porque tu andas comigo. — digo triste. — Elas são umas parvas, continuo a dizer que tu lhes devias fazer frente, mas elas não vão parar com a merda que fazem. Elas se acham as melhores, porque são filhas de pais ricos e bem influenciados e nós não, não somos ricas, mas somos de famílias de classe média e somos importantes. Podemos não ter nem metade do que elas têm, mas acredita, que somos muito mais felizes, Maggie. Elas são umas riquinhas inúteis, que com toda a certeza nem limpar o r**o sabem. — ela fala irritada. — Aposto que a maior parte das vezes têm até a calcinha cheia de merda. Aquilo me faz rir e acabamos por rir as duas. Chegamos à porta da minha casa e nos despedimos. Lou mora na casa em frente à minha com os seus pais. Vivo aqui em Santa Mônica desde sempre, os meus pais são divorciados e eu vivo com a minha mãe aqui, o meu pai depois do divórcio, mudou-se de malas e bagagens para Olympia, a capital do estado de Washington, isso foi há 10 anos atrás. O meu pai voltou a casar e tenho uma meia irmã que tem agora 2 anos, a Catherine ou Cathy, como carinhosamente a chamamos. De vez em quando estamos juntos, mas não tanto como gostaria. Entro em casa deixando a mochila e os sapatos ali mesmo no hall de entrada e vou direto para a cozinha. Espreito no frigorífico o vejo um ovo cozido, faço uma sandes com ele. Encho o copo de sumo de laranja natural e sento-me a saborear o meu lanche. Depois de acabar, coloco a louça suja na máquina e vou tomar banho. Depois do banho, enrolo-me na toalha e olho para o meu reflexo no espelho. Não admira que a Daisy e as amigas me gozem, sou mesmo completamente sem graça. Não sou magra, sou um pouco para o cheinha, o meu cabelo é encaracolado, sou ruiva, tenho sardas e olhos extremamente verdes. Talvez se me cuidasse mais, podia ser até uma garota bonitinha, mas só quero passar despercebida, ser invisível para todos, então uso sempre o cabelo amarrado em coques, uso roupas largas que não me favorecem em nada e uso óculos com armação preta. Estão só a ver a minha figura, certo? Visto o meu pijama amarelo e deito-me na minha cama. A minha mãe é médica e hoje vai fazer o turno da noite, por isso hoje já não a vejo. As Minhas Cadelinhas Amestradas Narrado por Daisy "A maldade não está no pensamento, está sim no coração" — Vocês viram bem a cara daquelas duas antas quando se viram cheias de lixo? Ahahaha, foi do melhor. Rimos ao lembrar da cena, foi realmente hilário. — VAMOS, DÁ CABO Dele, Ryan! — grito das bancadas para o melhor jogador da escola. Ryan é o capitão da equipa de futebol americano da nossa escola, a "Santa Monica High School". Além de ser o capitão é também o melhor jogador. Ele é o típico garoto lindo, sarado e gostoso e como é óbvio, é o meu namorado, só podia ser namorado da melhor, mais linda, mais rica e mais perfeita de todas as garotas do liceu, pois claro, não podia ser de outra maneira. O jogo acaba e ele vem até mim, tira o capacete, e o protetor bucal e me dá um beijo arrebatador. Humm, como ele é maravilhoso. — Gostaste do jogo? — ele pergunta. — Sempre gosto, tu és maravilhoso. Ele sorri, dá-me um selinho e vai a correr para o balneário. — Nos vemos depois. — OK! — grito para ele. — O Ryan está caidinho por ti Daisy. — Sarah diz. Olho para trás por cima do meu ombro. — E quem não estaria? Eu sou maravilhosa, linda, como ele não haveria de gostar de mim! — falo toda pomposa. — Vá, vamos embora, está a ficar tarde e eu tenho que ir para casa. — Vais fazer o quê com essa pressa toda? Fazer o jantar? Às vezes a minha vontade é bater nestas duas parvas, mas elas dão-me jeito, para fazer as minhas merdas. É mesmo como aquela parva da Lou disse, elas são as minhas cadelinhas amestradas e tenho que as manter por perto, mas não as deixo abusar, senão esta merda vira uma zona. — O que disseste, Sarah? — falo chegando mais perto dela. Óbvio que ela se assusta com a minha proximidade, porque percebe que não estou a brincar e que não gostei minimamente do que ela falou. — Estava a brincar, Daisy — ela fala amedrontada. — Mais uma gracinha estúpida dessas e vais passar para o lado daquelas inúteis das sebosas, é isso que tu queres, Sarah? Passares a ser a Sarah sebosa? — pergunto bem séria. Vejo ela engolir em seco. — Que ideia Daisy, claro que não, já te disse que estava a brincar, eu hein! — ela se desculpa toda incomodada com a ideia. — Acho bem, Sarah, eu sou lá garota de ir fazer jantar ou qualquer merda de casa. Tenho empregadas para isso. Vamos deixar de conversa fiada e vamos mas é embora. Pareço Invisível Narrado por Daisy "Um caos disfarçado de calmaria" Chego em casa, uma enorme mansão, sou rica, muito rica. O meu pai é dono de uma cadeia de bancos e a minha mãe não precisa de fazer nada, passa o dia a mandar nos empregados, a ir ao clube, manicure, cabeleireiro e por aí vai. Tenho um irmão mais velho, o Tom, tem 23 anos e está a acabar a faculdade para ir trabalhar para um dos bancos do meu pai. — Oi mãe! — cumprimento ao chegar. Ela está ao telefone. — Espera um pouco. — diz para a pessoa com quem ela está ao telemóvel. Olha para mim com cara de zangada e já sei o que aí vem. — Quantas vezes já te disse para não me interromperem quando estou ao telemóvel? — ela me repreende. — Mas mãe, só te quis cumprimentar! — me defendo. — Não interessa o que tu queres menina! Agora vai, estou a resolver uma coisa importante. Faz sinal com a mão como se tivesse a enxutar uma mosca. A resolver uma coisa importante! Sei, deve ser a escolha da cor das unhas. Pareço invisível nesta casa. Vou para o meu quarto, ao menos aqui sinto-me eu.
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