Voltamos para casa a pé, eu e a Lou fazemos quase todo o caminho em silêncio.
— Estás chateada comigo? — pergunto sem olhar para ela.
Ela pára de repente e fica a olhar para mim.
— E porque havia de estar chateada contigo? Não foste tu que me fizeste m*l, mas sim aquelas três otarias.
— Eu sei, mas elas metem-se contigo, porque tu andas comigo. — digo triste.
— Elas são umas parvas, continuo a dizer que tu lhes devias fazer frente, mas elas não vão parar com a merda que fazem. Elas se acham as melhores, porque são filhas de pais ricos e bem influenciados e nós não, não somos ricas, mas somos de famílias de classe média e somos importantes. Podemos não ter nem metade do que elas têm, mas acredita, que somos muito mais felizes, Maggie. Elas são umas riquinhas inúteis, que com toda a certeza nem limpar o r**o sabem. — ela fala irritada. — Aposto que a maior parte das vezes têm até a calcinha cheia de merda.
Aquilo me faz rir e acabamos por rir as duas.
Chegamos à porta da minha casa e nos despedimos.
Lou mora na casa em frente à minha com os seus pais.
Vivo aqui em Santa Mônica desde sempre, os meus pais são divorciados e eu vivo com a minha mãe aqui, o meu pai depois do divórcio, mudou-se de malas e bagagens para Olympia, a capital do estado de Washington, isso foi há 10 anos atrás.
O meu pai voltou a casar e tenho uma meia irmã que tem agora 2 anos, a Catherine ou Cathy, como carinhosamente a chamamos.
De vez em quando estamos juntos, mas não tanto como gostaria.
Entro em casa deixando a mochila e os sapatos ali mesmo no hall de entrada e vou direto para a cozinha.
Espreito no frigorífico o vejo um ovo cozido, faço uma sandes com ele.
Encho o copo de sumo de laranja natural e sento-me a saborear o meu lanche.
Depois de acabar, coloco a louça suja na máquina e vou tomar banho.
Depois do banho, enrolo-me na toalha e olho para o meu reflexo no espelho.
Não admira que a Daisy e as amigas me gozem, sou mesmo completamente sem graça. Não sou magra, sou um pouco para o cheinha, o meu cabelo é encaracolado, sou ruiva, tenho sardas e olhos extremamente verdes. Talvez se me cuidasse mais, podia ser até uma garota bonitinha, mas só quero passar despercebida, ser invisível para todos, então uso sempre o cabelo amarrado em coques, uso roupas largas que não me favorecem em nada e uso óculos com armação preta. Estão só a ver a minha figura, certo?
Visto o meu pijama amarelo e deito-me na minha cama. A minha mãe é médica e hoje vai fazer o turno da noite, por isso hoje já não a vejo.
As Minhas Cadelinhas Amestradas
Narrado por Daisy
"A maldade não está no pensamento, está sim no coração"
— Vocês viram bem a cara daquelas duas antas quando se viram cheias de lixo? Ahahaha, foi do melhor.
Rimos ao lembrar da cena, foi realmente hilário.
— VAMOS, DÁ CABO Dele, Ryan! — grito das bancadas para o melhor jogador da escola.
Ryan é o capitão da equipa de futebol americano da nossa escola, a "Santa Monica High School".
Além de ser o capitão é também o melhor jogador.
Ele é o típico garoto lindo, sarado e gostoso e como é óbvio, é o meu namorado, só podia ser namorado da melhor, mais linda, mais rica e mais perfeita de todas as garotas do liceu, pois claro, não podia ser de outra maneira.
O jogo acaba e ele vem até mim, tira o capacete, e o protetor bucal e me dá um beijo arrebatador.
Humm, como ele é maravilhoso.
— Gostaste do jogo? — ele pergunta.
— Sempre gosto, tu és maravilhoso.
Ele sorri, dá-me um selinho e vai a correr para o balneário.
— Nos vemos depois.
— OK! — grito para ele.
— O Ryan está caidinho por ti Daisy. — Sarah diz.
Olho para trás por cima do meu ombro.
— E quem não estaria? Eu sou maravilhosa, linda, como ele não haveria de gostar de mim! — falo toda pomposa. — Vá, vamos embora, está a ficar tarde e eu tenho que ir para casa.
— Vais fazer o quê com essa pressa toda? Fazer o jantar?
Às vezes a minha vontade é bater nestas duas parvas, mas elas dão-me jeito, para fazer as minhas merdas.
É mesmo como aquela parva da Lou disse, elas são as minhas cadelinhas amestradas e tenho que as manter por perto, mas não as deixo abusar, senão esta merda vira uma zona.
— O que disseste, Sarah? — falo chegando mais perto dela.
Óbvio que ela se assusta com a minha proximidade, porque percebe que não estou a brincar e que não gostei minimamente do que ela falou.
— Estava a brincar, Daisy — ela fala amedrontada.
— Mais uma gracinha estúpida dessas e vais passar para o lado daquelas inúteis das sebosas, é isso que tu queres, Sarah? Passares a ser a Sarah sebosa? — pergunto bem séria.
Vejo ela engolir em seco.
— Que ideia Daisy, claro que não, já te disse que estava a brincar, eu hein! — ela se desculpa toda incomodada com a ideia.
— Acho bem, Sarah, eu sou lá garota de ir fazer jantar ou qualquer merda de casa. Tenho empregadas para isso. Vamos deixar de conversa fiada e vamos mas é embora.
Pareço Invisível
Narrado por Daisy
"Um caos disfarçado de calmaria"
Chego em casa, uma enorme mansão, sou rica, muito rica.
O meu pai é dono de uma cadeia de bancos e a minha mãe não precisa de fazer nada, passa o dia a mandar nos empregados, a ir ao clube, manicure, cabeleireiro e por aí vai.
Tenho um irmão mais velho, o Tom, tem 23 anos e está a acabar a faculdade para ir trabalhar para um dos bancos do meu pai.
— Oi mãe! — cumprimento ao chegar.
Ela está ao telefone.
— Espera um pouco. — diz para a pessoa com quem ela está ao telemóvel.
Olha para mim com cara de zangada e já sei o que aí vem.
— Quantas vezes já te disse para não me interromperem quando estou ao telemóvel? — ela me repreende.
— Mas mãe, só te quis cumprimentar! — me defendo.
— Não interessa o que tu queres menina! Agora vai, estou a resolver uma coisa importante.
Faz sinal com a mão como se tivesse a enxutar uma mosca.
A resolver uma coisa importante! Sei, deve ser a escolha da cor das unhas.
Pareço invisível nesta casa.
Vou para o meu quarto, ao menos aqui sinto-me eu.