O tempo passou sem que Júlia percebesse que estava vivendo uma mentira cuidadosamente encenada. Naquela tarde, ela tinha saído para a rua, fazer compras. Sacolas nas mãos, pensamento longe, quando viu ele se aproximando. O mesmo rosto. O mesmo corpo. A mesma voz. — Amor… — ela sorriu automaticamente. Ele se aproximou e a beijou, um beijo firme, íntimo, como sempre fazia. — Olha, amor… — ela disse — achei que você não iria conseguir me acompanhar hoje, eu vim só resolver umas coisas rápidas. — Eu vim pra te acompanhar agora — ele respondeu, natural. — Tá bom… então vamos. Andaram juntos, conversaram, riram. Tudo parecia normal demais. Perfeito demais. Depois de um tempo, ele parou, olhou pra ela com aquele olhar que sempre a desarmava e disse vamos num hotel um pouquinho , fazer alg

