Alanna estava deitada na cama, ainda sentindo os efeitos da explosão de prazer que Kael a havia feito experimentar. Seu corpo estava tenso e relaxado ao mesmo tempo, os dedos tocando suavemente as manchas de suor que se formaram sobre sua pele. Ela estava leve, mas, por dentro, uma confusão de sentimentos a dominava. Era uma sensação que nunca tinha experimentado antes: prazer sem comprometimento, desejo sem promessas.
Ela ainda não sabia o que exatamente o que ele queria dela, nem o que ela mesma queria dele. A verdade era que ela se sentia estranhamente exposta, vulnerável, mas ao mesmo tempo, desejava mais. O que, na sua cabeça, era uma verdadeira contradição.
Ele se levantou, deixando-a no silêncio do quarto. Ele parecia tão calmo, tão em controle, que aquilo a deixava ainda mais inquieta. Como poderia se sentir assim, tão consumida e ao mesmo tempo tão distante? Não estava acostumada a esse tipo de relação — sem expectativa, sem compromisso. Mas a resposta dela para ele, antes de sair da cama, veio sem que ela pensasse.
— Você não pode ir embora agora — ela disse, de forma abrupta, sentando-se na cama. Sua voz estava firme, mas os olhos traíam a insegurança. — Temos que deixar as coisas claras.
Kael parou na porta, olhando para ela com uma expressão de curiosidade, como se soubesse que ela estava tentando entender a si mesma enquanto falava.
— Eu gosto de ver você assim — ele disse, a voz baixa e cheia de intenções. — Preocupada, tentando controlar tudo.
— Não estou tentando controlar nada — ela respondeu com um sorriso tenso, se levantando e caminhando até ele. — Mas, por mais que você tenha me mostrado o que não esperava sentir, eu preciso entender os limites disso. Precisamos estabelecer algumas regras.
Ele arqueou uma sobrancelha, um sorriso provocador surgindo em seus lábios.
— Regras? Você quer jogar o jogo, mas com limites?
Alanna o olhou nos olhos, seu coração acelerando, o desejo novamente pulsando dentro dela, mas, dessa vez, a razão estava tomando a frente. Ela queria mais do que o prazer selvagem e instantâneo. Queria, no fundo, saber até onde ele poderia ir e o que ele realmente queria dela.
— Sim — ela disse com firmeza. — Você e eu, Kael, podemos brincar com isso, mas eu preciso de um acordo. Nenhum de nós se envolve emocionalmente. Prazer sem cobranças. Sem expectativas. Só nós dois, quando quisermos, sem promessas.
Ele a olhou por um momento longo, como se estivesse pesando as palavras dela. Seus olhos estavam intensos, como sempre, mas havia algo mais ali. Algo que ela não conseguia identificar.
— Você está dizendo que quer isso sem mais nada? — ele perguntou, a voz grave. — Só prazer, nada mais?
Ela assentiu, mas, no fundo, sabia que estava tentando se proteger. A entrega que ele lhe proporcionava era viciante. Mas ao mesmo tempo, ela não queria ser mais uma das mulheres que caíam na teia dele. Não queria ser descartada depois de satisfazer seus desejos.
— Exatamente — ela respondeu. — Só prazer, Kael. Isso é tudo o que eu quero.
Ele a encarou por um longo momento, avaliando suas palavras, e, finalmente, se aproximou dela, uma mão tocando sua cintura, mas sem pressa.
— Você sabe que isso não vai ser fácil, certo? Eu não sou bom em seguir regras. E você também não é.
Ela sorriu, desafiadora, encarando-o diretamente.
— Eu sei o que estou fazendo — ela disse, quase sussurrando. — E se eu me perder nesse jogo, será porque eu escolhi jogar. Mas isso não vai mudar o que eu quero.
Kael deslizou a mão para o pescoço dela, suas palavras suaves, mas carregadas de uma ameaça velada.
— Você acha que pode controlar o que sente? Que pode apenas desligar o que acontece quando estamos juntos? Você realmente acredita que eu vou ser apenas uma diversão passageira para você, Alanna?
Ele não esperava uma resposta imediata. Ela sabia o que ele estava fazendo: ele estava tentando quebrar a casca que ela havia criado, tentando empurrá-la para uma resposta mais sincera. Mas ela não cedeu. Não ainda.
— Talvez — ela respondeu, com um sorriso desafiador, a voz quase inexpressiva. — Mas você também tem que entender que isso é o que eu quero agora. Apenas o prazer.
Kael a analisou mais uma vez, sua expressão mais séria agora. Ele sabia que ela estava jogando, mas também sabia que ela tinha algo mais por trás de sua fachada fria. Algo que ele ainda não conseguia entender completamente.
Ele se afastou um pouco, sem dizer mais nada. O silêncio entre eles era pesado, mas não desconfortável. Era o tipo de silêncio que vem antes de algo profundo acontecer, algo que nenhum dos dois podia prever. Algo que ambos queriam, mas que ainda não estavam prontos para admitir.
— Então é assim que será? — ele perguntou, mais calmo, quase com um sorriso. — Um contrato de prazer, sem envolvimento, sem compromisso?
Ela o observou atentamente, seus olhos brilhando com uma mistura de excitação e dúvida. Ela sabia que estava entrando em um território perigoso, onde nada estava garantido. Mas, de alguma forma, era como se o contrato estivesse sendo selado com o olhar deles. Não havia palavras suficientes para descrever o que estava acontecendo entre eles, e talvez isso fosse o mais emocionante.
— Exatamente — ela disse, sua voz firme, mas sem o mesmo ardor de antes. — Sem promessas. Sem promessas, Kael.
Ele sorriu, aquele sorriso enigmático que ela tanto odiava, mas ao mesmo tempo, não conseguia evitar. Ele se aproximou lentamente, suas mãos tocando o rosto dela, com um toque que era ao mesmo tempo suave e possessivo.
— E você acha que vai conseguir seguir as regras?
Ela não teve tempo de responder. Kael a puxou para mais perto, os lábios tocando os dela de forma intensa, cheia de urgência, mas sem a fúria de antes. Era um beijo que dizia tudo o que as palavras não conseguiam expressar. E quando ele finalmente se afastou, ela sentiu que o jogo realmente começava.
Ele a olhou com um brilho perigoso nos olhos.
— A única regra que importa aqui, Alanna, é que eu sempre ganharei.
Ela não teve tempo de contestar. Ele a puxou de volta para os braços dele, e o silêncio daquela noite se tornou mais pesado, mais íntimo, mais impossível de ignorar.