42. Elena

933 Words

O sol da manhã cortava a poeira do quarto quando a governanta deixou o café na mesa de cabeceira. O cheiro amargo misturava-se ao que ainda restava do perfume caro de Dante no travesseiro ao lado. Vazio. Como sempre. Levantei devagar, cada músculo reclamando das noites m*l dormidas, da tensão que virara segunda pele. As roupas que ele mandara comprar estavam arrumadas sobre uma poltrona, um vestido cor de vinho, simples mas com um corte que gritava dinheiro. Material macio que escorregava entre os dedos como água. No fim da manhã, me vestir em silêncio, me encarando no espelho enorme. O reflexo parecia de outra pessoa. Mais fina, mais dura nos cantos dos olhos. O vestido caía bem, justo nos lugares certos, mas era uma armadura, não roupa. Faltava o zíper nas costas. Estava tentando alca

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