O silêncio era ensurdecedor. A música tinha acabado, minha respiração desacelerava, e eu só conseguia ouvir os ecos da minha própria alma. Sentada no chão da sala, com o robe cobrindo os ombros e as pernas pressionadas contra o peito, eu olhava pro espelho à minha frente como se ele fosse me responder. Mas ele só devolvia o reflexo de alguém que eu já não reconhecia. Eu tinha dançado. Só pra ele. Mesmo sem vê-lo, mesmo sem saber se estava ali. Mas no fundo... eu sabia. Meu corpo sabia. Meu coração sabia, eu sentia. Eu até ouvir o som do outro lado. Dois toques, baixos e secos, como se ele tivesse me chamando de tras do vidro. Olhei na hora. Não havia ninguém do outro lado. Nada. Só o espelho. Mas eu senti ele. Senti de um jeito que arrepiou até a alma. Era como se ele tivesse estad

