Narração de Isabel O clima no morro tava carregado, como se o ar tivesse mais pesado, difícil de respirar. Eu tentava me concentrar no trabalho no posto, mas minha cabeça tava longe. Cada barulho mais alto me fazia pular, achando que os tiros iam começar a qualquer momento. Muralha tinha saído cedo, como sempre fazia quando precisava lidar com os "negócios". Ele me pediu pra ficar em casa, mas eu não conseguia. Não era só preocupação com ele, mas com todas as pessoas do morro que podiam acabar feridas por causa dessa guerra. Beatriz notou minha inquietação. — Isabel, você tá bem? — perguntou, enquanto terminava de enfaixar o braço de um garoto que tinha se machucado. Assenti, mas era mentira. — Só preocupada. Você sabe como é... Ela me lançou um olhar compreensivo, mas não insistiu.

