Os papeis em minhas mãos umedeceram. As letras ali pareciam se mexer entre as linhas retas. A tinta gasta intensificava sua cor, alternando entre o branco e preto. As coisas em minha volta rodavam e zumbiam. Tudo virara um caos. Um caos que aqui significa muito mais que desordem. Uma mistura de sentimentos ruins que eu absorvia ao longo dos anos. Posteriormente eu sabia que o caos permaneceria daquele mesmo jeito. Diferente e único, a incrível e caótica desordem da minha cabeça. E quando se há desordem, há mentira, traição. Naquela noite, a minha vida não era nada mais do que essas duas coisas. Aquele pequeno cômodo parecia imenso devido a minha perca de profundidade. Não enxergavam mais nada além daquela carta, que era mais do que um monte de papeis. Serviu como chave, destrancando toda

