Uma Ida à Praia

1286 Words
Isabela entrou na cozinha, onde seus pais estavam sentados à mesa, conversando. Eles a olharam com um sorriso acolhedor, e ela sentiu um alívio momentâneo. Era mais fácil falar com eles do que lidar com os próprios sentimentos turbulentos em relação a Filipe e Susana. — Posso sair depois do jantar, com o Filipe? — perguntou Isabela, com a voz suave, mas tentando manter a confiança. — Ele queria dar uma volta no carro, só nós dois. Sei que confiam nele, então achei que seria uma boa oportunidade para nos divertirmos um pouco fora da herdade. Os pais de Isabela trocaram olhares e, depois de um breve silêncio, o pai dela sorriu. — Claro, minha filha. Sabemos que ele te trata bem. E além disso, precisa de se despedir de ti antes de ir para a universidade. Aproveitem o Verão. Isabela sorriu, grata pela confiança, e deu um rápido abraço a ambos antes de sair da cozinha. O plano estava definido. A ansiedade no seu peito parecia diminuir, mas uma sensação de apreensão ainda estava ali, especialmente pensando em como Susana poderia reagir. Ao sair da cozinha, Isabela encontrou Susana na sala de estar, com um copo de água nas mãos, distraída. Mas ao perceber que Isabela estava se aproximando, ela rapidamente se endireitou, pronta para falar. — Eu também vou com vocês, não se esqueçam! — Susana disse com um sorriso animado, sem perceber o que estava por vir. Isabela, sentindo a tensão aumentar e a necessidade de afirmar seu lugar, não hesitou. — Não, Susana. Desta vez, vai ser uma saída de casal. Só eu e o Filipe. — A voz de Isabela saiu firme, mais firme do que pretendia, mas com um tom claro de que não estava aberta a discussões. Susana ficou surpresa, o sorriso se desfazendo momentaneamente. Ela parecia não esperar essa resposta tão direta e firme, mas, antes que pudesse reagir, Isabela já estava virando as costas, apressada em contar a Filipe que a saída estava confirmada. No momento em que Isabela entrou na sala onde Filipe estava, ele sorriu ao vê-la. — Então, está tudo certo? Podemos sair? — perguntou ele, sem esconder o alívio. Isabela olhou-o, um pouco mais relaxada agora, mas com um leve sorriso de quem estava a lidar com suas emoções. — Sim, podemos. Só nós dois, depois do jantar. — Ela pausou, os olhos de Filipe procurando por mais explicações, e então completou: — Eu pedi permissão, e meus pais confiam em ti. Então, vamos aproveitar. Filipe deu-lhe um sorriso quente, tocando suavemente no ombro dela. — Claro, Isabela. Só nós dois, como antes. Vai ser bom. Eu prometo. Ela sentiu um calor subir ao peito com a promessa dele, a insegurança aos poucos se dissipando. Sabia que era esse o tipo de momento que ela queria, uma chance para se reconectar com ele, longe de tudo o que estava a acontecer ao redor. Isabela ficou alguns segundos olhando para ele, o coração batendo um pouco mais rápido. Ele sabia como a tranquilizar, mas também sabia que precisaria mostrar, ao longo daquela noite, que ela ainda era o seu centro. Ela estava disposta a acreditar nisso, por mais que as dúvidas e ciúmes a assombrassem. Mal o jantar terminou, ambos pediram licença para sair. A noite estava quente e iluminada pelas estrelas, no carro, um elegante modelo conversível, Filipe não podia deixar de sorrir enquanto olhava para o volante, o som do motor que finalmente responderia às suas mãos. Isabela estava radiante ao seu lado. Ela nunca tinha sido tão entusiasta de carros como Filipe, mas havia algo de excitante em ser conduzida por ele, algo que a fazia sentir-se especial. O vento bagunçava seus cabelos enquanto ela se acomodava no banco do passageiro, a sensação de liberdade fazendo-a sorrir de orelha a orelha. Eles cantavam músicas que ouviram juntos em tantas ocasiões, a familiaridade da canção preenchendo o silêncio de uma maneira confortável. — Onde vamos, Filipe? — perguntou Isabela, sua voz curiosa, mas com um brilho travesso nos olhos. Filipe sorriu, olhando para ela antes de voltar os olhos para a estrada. O carro se deslocava por uma estrada estreita que se abria para uma praia isolada, longe do burburinho da cidade e da preocupação dos pais. Ele sabia que ela adorava a praia, o som das ondas e a paz que esse lugar proporcionava. — Um lugar onde podemos estar sozinhos — respondeu ele com um sorriso de complicidade. O caminho até a praia foi repleto de risos e conversas descontraídas, com os dois compartilhando memórias da infância e expectativas para o futuro. Eles estavam em sintonia, como sempre estiveram, mas agora havia algo a mais no ar, uma tensão sutil que aumentava à medida que a praia se aproximava. O vento que batia nas árvores e o som distante das ondas do mar preenchiam os momentos de silêncio. Chegaram à praia e Filipe estacionou o carro perto da entrada de um pequeno caminho de pedras que levava até o mar. Ele olhou para Isabela, que já estava ansiosa para sair do carro. Ela não podia deixar de notar o brilho de emoção nos olhos dele, como se aquele fosse o início de algo novo. — Vamos — disse ele, com um tom de empolgação. — O mar está perfeito. Isabela sorriu e, sem dizer mais nada, saiu do carro. Ela correu até a areia, sentindo a textura fina sob os pés descalços. Filipe a seguiu, e os dois foram caminhando em direção às águas calmas, deixando para trás a preocupação com o tempo, com os pais e com o futuro. A praia estava vazia aquela hora e a quietude do lugar os envolvia, e o único som era o das ondas quebrando suavemente na beira da praia. Eles estavam sozinhos, completamente livres para aproveitar aquele momento. Filipe puxou Isabela pela mão e a conduziu até a água, onde ela sentiu o frescor do mar tocar sua pele quente. Eles riram, a água fria contrastando com o calor da noite. Filipe a abraçou por trás, o que a fez sorrir. Isabela se virou para ele, seus olhos brilhando com uma mistura de alegria e algo mais profundo, uma conexão que só ela e ele podiam entender. Eles estavam crescendo juntos, descobrindo mais sobre si mesmos e sobre o outro a cada dia. Quando ele a olhou nos olhos, ela sentiu uma onda de emoção invadir seu peito. — Eu adoro estar assim, com você — ela murmurou, a voz suave, mas carregada de significado. Filipe sorriu e a beijou, com a suavidade de quem sabia o que queria e, ao mesmo tempo, estava tão perdido naquelas emoções quanto ela. Os dois se perderam naquele beijo, na i********e daquele momento, onde o mundo lá fora parecia não existir. Não havia mais as expectativas da família ou a pressão do futuro, apenas eles dois, o mar e a sensação de que tudo era possível. Eles se deitaram na areia, num lugar mais abrigado pelas rochas, Filipe tinha o braço sobre os ombros de Isabela, e ela descansava a cabeça no peito dele, ouvindo o ritmo calmo de sua respiração. — O que vai ser de nós, Filipe? — Isabela perguntou, um pouco hesitante. — O que vem depois disso? Ele olhou para ela, seu rosto iluminado pela luz suave das estrelas. — O que vier, vamos enfrentar juntos. Sempre juntos. Ele a beijou novamente, como se quisesse selar a promessa, e, naquele momento, eles se sentiram mais unidos do que nunca. O futuro podia ser incerto, mas naquele instante, tudo o que importava era o agora, a certeza de que estavam juntos, aproveitando a liberdade e a paixão que o verão lhes oferecia.
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