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1933 Words

Caterine narrando Eu perdi a noção do tempo ali dentro. No quarto não tinha janela, só aquelas luzes embutidas no teto, frias, que não mudavam nunca. Podia ser madrugada ou meio-dia, eu não tinha como saber. O que eu sabia era que o ar estava pesado, o peito doía e minha cabeça rodava entre o rosto da minha mãe e a lembrança da voz da Olga dizendo “dívida”. Em algum momento, as lágrimas secaram por cansaço. Fiquei só com os olhos ardendo e a garganta arranhada de tanto engolir choro. Levantei da cama enorme, as pernas trêmulas, e fui até o banheiro pequeno que tinham colocado ali dentro. Pia branca, espelho grande demais, luz clara demais. Abri a torneira e joguei água no rosto como se isso pudesse me acordar de um pesadelo. A água estava gelada, mas nada dentro de mim esfriava. Apoiei

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