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1463 Words

Natan narrando A laje tava daquele jeito que eu gosto: vento batendo de leve, som lá debaixo estourando em alguma viela, cheiro de churrasquinho perdido no ar e a Rocinha inteira brilhando embaixo de mim. Era fim de tarde virando noite, aquele momento que o morro começa a acordar de verdade. Acendi meu baseado encostado no murinho, só de bermuda e chinelo, peito cheio de cordão. Traguei fundo, soltei a fumaça devagar, olhando as luzes se acendendo lá no asfalto. Mas, em vez de bater a brisa, bateu foi a neura. A p***a da boate não saía da minha cabeça. — Tem alguma coisa errada nessas casa do velho, mano… — murmurei sozinho, mexendo o beck entre os dedos. — Como é que eu nunca pensei nessa merda antes? Eu sempre fui mais morro do que Barra. Meu corre é aqui em cima, onde o povo chama

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