Beatriz narrando Fiquei um tempo parada ali, depois da última mensagem dele, com o celular virado pra baixo na mesinha e a taça vazia na mão. O silêncio da casa parecia crescer junto com a bagunça aqui dentro. Eu respirei fundo, enchi a taça de novo. Uma. Duas. Três vezes. O vinho descia queimando gostoso, soltando as bordas da coragem que eu sempre seguro no peito. Quando finalmente peguei o telefone de novo, a tela acendeu e o horário piscou na minha cara: 3h12 da manhã. Qualquer pessoa “normal” estaria dormindo. Esposa exemplar estaria dormindo. Mãe responsável estaria dormindo. Eu não. Olhei pra Nina, desmaiada no sofá, língua de fora, zero preocupada com a minha crise moral. Suspirei, senti o peso do momento, e, antes que a parte sensata do meu cérebro acordasse, cliquei no nome d

