—Ô meu filho, que há contigo; tá meio com os pensamentos longe...?
—Sabe mãe; quando você pensa que tem o controle sobre determinada coisa, mas na verdade a coisa é que te domina? Meio louco isso!
—Quéops, Queóps...! Tem r**o de saía nessa indecisão. Pelo visto é alguém diferente de tudo que você já viu, né!?
—Ah mãe, você é a única mulher capaz de me ouvir e entender sem questionar. Mas... Tá rolando sim uma pessoa aí.
—Se ela te deixa pensativo assim, é porque não só eu te escuto e entendo.
—Não sei. É algo diferente, sem expectativas mas com uma força que mexe com minhas idéias. Não é algo passageiro. Quero estar perto, mesmo estando de longe. Meio doido!
—Se não vai te causar problemas, qual o motivo de não viver isso?
—Ela vai me causar problemas. Não por ela,mas por quem está por detrás dela.
—Não se mete em confusão filho. Nenhuma mulher vale o preço de noites m*l dormidas. Sabe; seu pai faz uma falta danada! Aa vezes eu sinto ele deitado ao meu lado. Me arrancaram ele cheio de vida, ainda no auge da maturidade. Eu não vou mais viver essa história. Te aconselho a repensar se vale a pena ficar assim desse jeito, meu filho.
—Com a vida desgraçada que eu escolhi, que mais de r**m poderá me acontecer?!
—Não digo que foi uma escolha. Mas foi se envolvendo e achando que podia ser diferente com você; do seu jeito. Mas não é. Ainda tentando... Mas sempre será um dono de Morro. No fundo, dono de nada! Nem da própria vida. O tráfico te escolhe; as pessoas te endeusam, jogam seus problemas e você se sente na obrigação de resolver. Mas nem sempre consegue. Aí, tudo se resolve na bala. Na guerra, na droga, no caos. Você é meu filho; eu te amo. Mas ainda pode sair disso tudo saindo desse lugar.
—Quer que eu deixe meu povo a mercê de algo inesperado? Posso não ser santo. Mas ainda tenho um olhar voltado para a comunidade.
—Sim. Aqui tudo tem melhorado. Mas continua alimentando o seu povo com o dinheiro da dor desse mesmo povo; não vê?
—Sou traficante, não cego. Que quer que eu faça; se em casa as famílias são as primeiras a induzir esses menores a se virarem? A escolha nem sempre é a mais fácil pra ninguém. Tem que ser rápida, tem que gerar frutos.
—Me sinto culpada por ter adoecido e fazer você aceitar ajuda deles. Se não fosse por isso não estaríamos tendo essa conversa.
—D. Adália, presta atenção! Eu fui meio que jogado no posto pelo povo. Ou era eu, ou coisa pior. Não era minha intenção, nunca foi. Mas achei que mudaria o esquema para outro tipo de negociação dentro da favela. Em dez anos, já vinha dando suporte e idéias para os caras executarem e eles viram que era uma boa. Quando houve a sucessão, eu vi que não mandava sozinho como imaginava. Esses pivetes vivem um sonho não sonhado. Não se importam se vão morrer amanhã; querem está com um tênis bom e caro pra ostentar. São obrigados a sustentar o vício dos próprios pais ou matar a fome dos irmãos. Não posso me justificar mãe. Só não me faça acreditar que posso sair. Eu posso tentar, mas o tráfico não sai de mim.
—Oh Queóps, não fica assim não meu filho. Tudo uma hora acaba. Aqui tem melhorado e muito! Vê se essa moça te trás um pouco de alegria. Não deve ser nada que não possa controlar.
—Ah...Se a senhora soubesse! Mas vamos deixar essa conversa pra lá. Eu quero saber se o Mikei está bem na faculdade, se tirou boas notas no semestre?
—Ele tá que não se aguenta! Arrumou uma garota na igreja que está se formando em enfermagem. Acho que em breve teremos noivado. Sobre as notas está indo muito bem. Ele tá se vendo doido com o TCC pra daqui dois meses. É a reta final.
—Ele será um excelente bioquímico. Eu vejo nele essa sede de pesquisa de buscar mais e mais. Se precisar de ajuda com o TCC é só me falar. Eu não perdi minha capacidade de raciocínio, apesar de tudo.
—É uma pena ter interrompido seu sonho. Mas ainda há tempo. Você tem muito chão pela frente.
—Não delira mãe. Nossa vida é curta, é só uma questão de oportunidade pra deixar de existir.
—Não fala assim filho. Eu sem você, morro em vida. Já perdi meu companheiro. Tenta ficar longe dos problemas, se é que isso é possível... Eu já não sou a mesma depois do AVC; m*l posso exercer certas atividades normais sem ajuda. Ainda bem que a mente está preservada.
—Você é forte n**a véia; dura na queda que nem eu. Já levei quatro tiros e nem parece.
—Nem me lembre disso! Por isso digo pra evitar está nesses bailes toda semana.
—O Fluxo sem o Rei, não é Fluxo. Mas agora eu preciso ir; me liga se precisar de algo. Diz pra tia Edilene que já consegui a cadeira de rodas elétrica pra vizinha dela. Manda falar com o centro comunitário. Eles vão fazer a entrega.
—Deus lhe pague meu filho.
—Deixa Deus fora disso, mãe. Fui!
...
Leblon...
—Mãe, tô indo passar uns dias na casa de uma amiga. Eu te ligo, se preocupa não!
—Mas essa amiga tem nome, endereço? Não é assim não Maria Kátia; entra e sai dessa casa feito hóspede. Toma jeito!
—É uma amiga de Petrópolis, você não conhece. Eu preciso um pouco de ar fresco.
—Petrópolis? Logo você que gosta de uma confusão! Cheia das mentiras. Seu pai vai saber disso.
—Mamis, muda o disco! Tô indo; não fica ligando toda hora nem manda áudio que lá o sinal é péssimo.
—A vida é sua. Depois não quero seu pai dizendo que fui uma mãe conivente com seus erros.
—Misericórdia viu! Quanta ladainha numa missa só. Beijos mamis, em uma semana volto.
—Mas só era uns dias, já virou uma semana. Seu pai vai ter que saber, vai mesmo!
—p**a merda, toda hora repete a mesma coisa: “seu pai vai ter que saber”!
—Que foi Katinha? Você e sua mãe não se afinam mesmo!
—Ela enche o saco Rege. Não aguento mais! Vou falar com o velho me dá a chave do apt. Que tava alugado. Vou me mandar pra lá. Mas depois a gente se fala. Vou sumir um pouco dessa agonia. Beijo
—Eu sei que você não vai pra Petrópolis. Mas eu não sou dedo duro. Faz de conta que não vi nada.
—Na boa, vamos fingir mesmo que não sabe. Será melhor pra todo mundo. Beijo
...
Vidigal
—Ora, pra; mas se não é a tatuada do chefe em carne e osso! Quer dizer: mas carne que osso.- ri, Chacal
—Pro seu governo, fica ligado que não sou de ninguém aqui. Quero subir.
—Xiiii, a Pati tá nervosa! Passagi liberada, aqui tu manda! Quer ajuda com a mochila?
—Não, obrigada. E pode deixar que já aprendi o caminho.
—O bom filho, a casa retorna. Chefia mandou avisar que a chave tá debaixo do tapete.
—Valeu, chacal.
“Katinha chegou ao Morro por volta das 19h30; foi direto para casa do bahiano. Ele ainda estava na atividade. Ela foi para ao quarto de hóspedes e colocou um som e se deitou para esperar. Pegou no sono quase de imediato. Ás 22:00 ele chega e vê que luzes estão acesas. Ela realmente estava lá. Mas o chacal não avisou. “
“ Chacal, por que não me disse que a garota havia chegado?”
“ Foi m*l chefia. Eu me distraí aqui com uma confusão na depósito de bebidas do Gomes. “
“ Sua função não é se distraí com brigas na comunidade. Pra isso tenho muitos de vocês por aí. Casa um no seu quadrado; estamos entendidos?!”
“ Na moral, foi m*l. “
“ Bahiano vai até o quarto de hóspedes. Katinha está de bruços dormindo com fones de ouvido. Ele se aproxima e senta na ponta da cama, pega uma mecha do seu cabelo e cheira por um tempo. Ela se move; ele solta rapidamente o cabelo e fica meio desconcertado ao vê-la sorrindo.
—Nossa, eu devo ter dormido muito. Que horas são?
—Dez e meia, mais ou menos. Você deve está faminta. Vou fazer o jantar.
—O quê, você vai cozinhar pra mim? Mas de jeito algum! Vamos pedir algo pra comer. Você deve está cansado.
—Kátia, eu sempre cozinho pra mim quando chego. Não gosto de ninguém na minha casa mexendo em minha comida. Não demora nada, você vai ver. É só o tempo de tomar um banho. Põe pra mim água pra cozinhar uma massa.
—Falou, é pra já chefia!
—E AÍ QUEÓPS? CIMO FOI O SEU DIA?
—Tá gritando por que? Quer que o morro todo saiba que está aqui?
—Tú é chato pra c*****o! Só gritei porque está no banheiro e eu aqui fora.
—Olha, meu dia nasceu com um sol forte, e anoiteceu com um belo luar. Satisfeita?
—Além de grosso é m*l agradecido.
—Sua opinião não me importa. Mas obrigação de responder pergunta que não lhe cabe, isso não tenho.
—Falta se assunto cara. Vê se relaxa um pouco. Estou na sua casa; não sei como me mover aqui. Ao que parece, não posso tocar em nada!
—Não ponha palavras em minha boca. Eu só falei do Jantar. Sua comida virá do restaurante do hotel. É só ligar e eles trazem essa semana.
—Hotel, no Vidigal?
—Sim. Temos pousadas, hotel e mais atrações que os turistas aguardam em fila de espera pra usufruir.
—Você é o dono do hotel?
—Não. Minha parada é outra. Mas sem minha permissão, nada aqui flui.
—Disso não tenho dúvidas! Quer mais alguma ajuda aí?
—Não, obrigado. Mas amanhã você tem tarefas a cumprir.
—Ôpa, já ia te perguntar!
—Quero que saía pelo vidigal e veja o que pode fazer com uma molecada que todo dia colam no meu pessoal. Não é muito longe daqui. Siga no mesmo sentido à quadra, eles batem ponto lá.
—São Jovens ou crianças?
—Os dois. Mas a molecada entre os 11 anos são a maioria. As mães ou estão dormindo ou trabalhando.
—E o que quer que eu faça?
—Essa é a sua tarefa: tenta descobrir o que eles tanto querem alí e veja se vale a pena. O resto é contigo.
—Então me deu carta branca?
— Carta branca pra você é tocar fogo no morro. Vá com calma. Se precisar comprar algo é só mandar dizer que fui eu e acerto depois. Mas não me ligue para nada, só se uma bala te atingir.
—Nossa, que humor n***o. Não quero ser alvejada. A não ser por outra coisa...
—Um míssil?
—Qual é Queóps! Relaxa comigo. Sou da paz.
—Relaxa você, leva tudo ao pé da letra. Estou fazendo humor, não vê?
—Com essa cara indexada? Veja a ruguinha que firma entre as sombrancelhas. Precisa sorrir mais. É tão bonito!
—Acha mesmo esse n***o bonito?
—Ah, eu te acho o máximo! É todo Charmoso, cheiroso, misterioso... Melhor eu parar senão posso falar o que não devo.
—Falar pode; o que quiser. Só não deve me tocar intimamente. Essa é a única regra.
—Sei não! Falar excita. Não acha não?
—Depende...
—Do quê?
—De como eu esteja aberto pra escutar... Vai que suas palavras entre e saiam sem surtir nenhum efeito!?
—Isso é o que duvido! Você não é tão duro na queda assim.
—E, posso não ser mesmo. Mas se quer ser desclassificada por incitar em mim desejos na hora do meu jantar; eu te meto o pé na b***a!
—p***a, você é broxante cara. Não tá mais aqui quem falou. Escolhe aí um tema de política pra gente desenvolver nesse jantar.
—Há Há há ha!-bahiano soltou uma gargalhada, que pela primeira vez; katinha viu o quanto ele era normal. Agora parecia um humano como outro qualquer.
—Realmente você é uma figuraça Maria Kátia . Broxante, essa foi boa!
“ Katinha não respondeu mais nada. Saiu da bancada da cozinha e foi pôr um som. Começou a dançar de costas pra ele de modo sensual num New Funk lento e provocativo. Estava vestida com numa mine saia, que a cada descida dava pra ver sua micro calcinha branca toda enfiada no bumbum. Queóps cortava os tomates em tempo de picar os dedos juntos. A vontade que tinha, era de pular a bancada e comer a katinha alí mesmo no meio da sala. Mas tentou não olhar, seus batimentos cardíacos já não se mantinham no ritmo. Ela então se vira de de frente, sensualizando ainda mais com suas mãos deslizando pelos s***s e entre suas pernas. Seus olhos estavam fixos nele. Só sendo muito macho pra resistir aquilo tudo sem sussurrar algo baixinho :
—Pra mim isso é covardia ! Essa garota tá me provocando. Desse jeito só mesmo partindo “ pro cinco contra um”- como o som estava um pouco alto, ela só percebia que ele resmungava algo de cabeça baixa.
—E AI QUEÓPS, ESSA MASSA SAI OU NÃO SAI?
—Abaixa o som, Maria Kátia!
—QUÊ, NÃO OUVI?
—ABAIXA A PORCARIA DO SOM!
—Aiii , que grosso! Era só chegar aqui e abaixar. Vou arrumar a mesa.
—Tá, vou no banheiro rapidinho.
“ Ele correu pra dá aquela esguichada no blindex. O cara tava que não se aguentava. A morena era uma prova de fogo, muito provocante. Eles terminaram o jantar conversando sobre filmes e jogos de games que ela curtia. Lá pela meia noite, cada um foi pro seu quarto dormir.”