Capítulo 5 Quem Resiste ?!

1873 Words
Dia seguinte... —Bom dia !! —Bom dia Maria Kátia, não dava pra colocar um short ao menos, veja se estou desfilando de box? —Qual é Queóps; deixa de ser chato, logo de manhã já enchendo o saco! —Não vou te falar mais nada! Sua cabeça é sua sentença. —Vou fazer café! Gosta forte ou fraco? —Sou homem de tomar café ralo? Vê se deixa à água ferver direito. —Aí que você se engana! Não é necessário que ela chegue a 100° me bem! —É, pelo visto...”Katinha também é cultura”. —Hum, eu queria mesmo era um bolo . Essa casa mais parece uma igreja, tem nada! Deixa uma grana aí que vou fazer compras. —Sou teu marido não Kátia, vê como fala! —Mas tem uma hóspede em sua casa, devia tratar melhor. —Você está num treinamento, um teste; não à passeio. —Treinamento não sei de quê?! Não te pedi nada. —Então, pega sua muchilinha e vaza da minha casa! – katinha se levantou e foi com o dedo bem na cara dele, ficando a centímetros de seu rosto: —Escuta aqui seu traficante de merda; não sou uma de suas putas que você humilha. Vou sair do seu pardieiro, e dessa vez, sem volta !- ela se afasta indo em direção ao quarto pra pegar suas coisas. —Espera! Espera aí Kátia. Quem pensa que é pra falar assim comigo ? —É o quê bahiano? Falo do jeito que quiser; não sou seu capacho. Nem sei porquê estou aqui?! “ Katinha menção de ir embora; mas é contida por bahiano que a pega de jeito e a beija loucamente. Suas mãos passeia pelo corpo dela fazendo -a tremer, mas o desejo é correspondido com trocas de carícias, até que ele se dá conta... —Que merda foi essa... Kátia? Você é um... demônio! —f**a-se pro que passa na sua cabeça. Se seu corpo me deseja, isso é o que importa! —Garota, isso não tá nada legal! —Você é um homem e eu sou uma mulher; pra quê resistir?! Deixa de complicar as coisas pro nosso lado Queóps, eu quero você. Sinto que você me quer também. Vamos parar desse jogo de gato e rato e curtir, até dizer basta!- ele a olha com desejo e paixão, fica em silêncio por alguns segundos... —Nós dois não temos futuro juntos. Eu devia te odiar! —Mas quem está falando de futuro aqui? É só curti. E não sei os motivos pra me odiar. s*******o cara essa conversa. —Esquece! As vezes eu falo sem pensar. Vamos comer, deu uma fome louca agora. —Ainda posso ficar aqui essa semana? Pelo visto quebramos às regras. —Fica. Não sou tão ordinário quanto imagina . —Não te entendo! Primeiro me escurraça; depois pede pra que fique. Mas sabe de uma coisa... Eu não me importo! “ Queóps se aproximou; a olhava com paixão, saboreava seu pãozinho com geleia de damasco sem piscar os olhos. “ —Cara, me olhando assim! - risos —Eu adoraria ver isso, mas não dá pra entrar nessa onda, eu tenho mais com que me preocupar. —Sacana! Continua desse jeito. Vai acabar me perdendo. —Ahh garota, você só tem dezenove anos. Quando você nasceu, eu já estava no primário. —Deixa de bobagem. Não me faça sentir inexperiente. São alguns aninhos à frente . —Se fosse só isso Kátia... Mas tem tanta coisa envolvida; não sou homem pra uma garota como você. —Deixa eu ficar só essa semana e te farei esquecer todo o resto. -ela o beija suave e quente sorvendo cada gota de sua boca como se quisesse matar uma longa sede. —Eu preciso ir agora Kátia, tenho muita coisa pra resolver hoje. Você fica aí de boa, pede seu almoço. Não sei se venho. A gente se fala mais tarde. —Independente da quebra de regras e de ter sido desclassificada por sua culpa, eu vou fazer o que me comprometi. Quero ver como funciona a comunidade. —Não ande sozinha. O bocadillo vai está contigo. —Ah Queóps, isso é realmente necessário? Uma sombra atrás de mim? Já basta a minha. —É necessário sim, e não questiona. Aqui temos inimigos ocultos. Eu sou responsável por está aqui. Estamos combinados? —Está bem. Por você eu aguento. —Agora vou esquentar esse café que já gelou! —Vou pra ducha, já venho. “ Queóps não era essa fortaleza toda que aparentava. A garota tinha um ímã que o atraía. Não deu outra; aquela desculpa de testes nunca que daria certo. Uma novinha cheirosa e manhosa no seu habitat, era presa certa. Mas acho que ele é que foi fisgado.” ... Na comunidade —Escuta só, bocadillo; eu não quero que dê palpites até eu pedir. Deixa eu me movimentar na minha, sacou? —Saquei, patroa —Não sou sua patroa —Positivo e operante, Pati —Eu desisto! Tende misericórdia de mim ó pai! —Já tá pedindo ajuda ao santo antes mesmo de subir a escadaria? —Tá de s*******m né? Só pode! —Foi m*l. Melhor fechar a boca pra não entrar abelha. —É mosca bocadillo, não abelha. —Faz diferença não, Pati, tudo é animal. — São precisamente, insetos voadores. Guarde isso! — Pra mim não sendo gente, dá tudo igual. —Bocadillo, mudando de assunto: Aquela galerinha ali de moleques, eu vou chegar junto. —Chegar junto pode, mas vai perder seu tempo. Eles vão tentar te dar algum golpe. Bahiano já tentou levar pra escola mas eles fogem, aí deixamos de mão. Sonham em ser soldados do tráfico. —Não custa nada tentar! —Vou ficar mais afastado senão eles caem fora. Vai lá Pati. Ops! Katinha “ Os meninos não tinham mais que treze anos; haviam dois que no mínimo tinham sete, no meio dos maiores aprendendo o que não presta. —E aí galera, tudo bem? Vocês podem me ajudar?– a molecada nada respondeu, dois até ameaçarem ir embora. —Manda ver. Tá querendo qual bagulho pra hoje? —Bagulho?! Não, não; sem bagulhos. É que sou nova aqui, tô querendo alugar uma sala legal pra dar curso de capoeira. – os moleques que estavam mais afastados vão se juntando —Qual é tia, capoeira tipo do Besouro, aquele do filme? Pô, me amarrei naqueles golpes! —Hum, muito bem lembrado! Mas eu ensino o passo a passo até se formar em mestre. —Mas tia, a galera do Vidigal não tem grana pra bancar uma parada dessa não! -fala o mais velho que não passa dos quatorze anos. —Olha, eu só tenho 19 anos, dá pra me chamar de Katinha. Tá bem? —Na boa katinha, se irrita não. Tia, é que nem prof; nois tá vendo que tú é novinha – caem na gargalhada —Tá, tá! Mas como eu ia dizendo: O projeto é gratuito, não vai ser cobrado nada. Vamos escolher uma turma pra poder participar. Mas haverá algumas regras, já que nada vão gastar pelo curso. – Bocadillo vem se chegando de fininho com a mania de escutar. —E aí boca, escuta aqui o que a Katinha tá falando. Tú conhece ela? —Conheço de vista, já vi no fluxo. Qual é de mermo dessa parada? —Eu estou falando pros garotos que vou selecionar um grupo pra aulas de capoeira e os que se destacarem seguirão até alcançar níveis mais altos. —Vamo te ajudar a encontrar um lugar bom. Eu sei de um galpão que era depósito da Cleusa, ela fechou. Pode querer alugar. – diz um menor —E que mais a gente tem que fazer pra ser um capoeira? Pô já pensou desarmar os intrusos com meus golpes que nem o Besouro ? —Saiba que capoeira é defesa, não é pra sair por aí atacando o primeiro que encontrar. E disciplina é importante. Vocês vão ter que falar com seus pais e assinarem um termo de responsabilidade que vão voltar às aulas. Só assim poderão entrar na turma. Tirar notas boas,no mínimo razoáveis. Não se meterem em atividades de adultos, sabem do que estou falando. Terão alimentação distribuído no curso e cesta básica mensal pra família de vocês. Haverá uma pequena mesada, uma graninha pra vocês que mais se destacarem. —Tú é papai Noel é?- todos se cutucam rindo. —Mas novinha; o bahiano não vai gostar disso! Tem que pedir permissão a ele. —Já me entendi com o rei do morro. Ele acha boa a idéia alguém se ocupar de vocês. —Eita c*****o! Vou ser um capoeira malandro! Vou dar cada vôo de fudê no ar- fala um dos meninos maiores —Vai devagar. Bem devagar. É preciso treino e disciplina, já disse! Agora, vai dando os nomes de vocês pra poder fazer uma lista ... —WM, Vini, malote, Bradoc... —Pera...Eu disse nomes, não apelidos. —Ah tá, desculpa aí. É que a gente nem lembra mais do nosso nome – gargalhada geral “ Enquanto isso, a Wanda observa de longe o movimento. Ela não esqueceu da rasteira sofrida na noite anterior. Os garotos riem pra se acabar. Essa patricinha do asfalto tava se espalhando demais!” —Aê katinha, tú vai levar a maior bronca de todos os tempos. Como tú pôde fazer promessa pra queles ratos? Não quero tá na hora que bahiano souber disso. —Com o bahiano me acerto. Seu papel é falar com a tal da Cleusa e agilizar o galpão. Essas aulas não podem demorar. Ou eles desistem! —Tá bom. Mas vou logo avisando que não me chame pra pintar nada nem limpar porcaria de deposito cheio de ratos, baratas. —Não imaginei que tivesse medo de baratas!? —Não tenho medo de nada, tenho nojo pô. Se liga, barata fede! —Entendi. Agora me fala um lugar pra comer que não seja muito movimentado. —Segue aí direto, depois vira pra direita . Lá tem a “Marmita da Consul”; é um barzinho que serve almoço. É tudo limpinho e tem um lugar na laje legal pra comer. Tô indo, qualquer coisa , tamo aí. —Quer ir não? Vamos almoçar. —Vou não. Valeu! Já fuuui Titanic “ Katinha entrou no pequeno barzinho, porém aconchegante. Subiu pro terraço e vislumbrou uma vista privilegiada do são Conrado, Leblon; tudo isso em contraste com o ir e vir dos rapazes nas motos empunhando fuzis no morro. Pensou consigo: Será que a vida já perdera seu valor ? Ver jovens preferindo matar ou morrer sem garantia de um futuro por opção. Sim, era uma opção desde que podia-se escolher entre o bem e o m*l. Independente da vida que levavam; como esses meninos, que ela tentaria salvar das garras do tráfico. Sentiu que era feliz e não sabia. Seu mundo quase perfeito, não cabia ali. Mas ela não faria nada somente pra mostrar ao homem desejado que era mais que uma linda garota tatuada, tinha idéias, projetos e força pra executar. Faria a parte dela; ele teria que aceitar seus métodos.”
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