Capítulo 1
- Onde você pensa que vai, madame? - minha mãe ironizou e eu dei um sorrisinho falso.
- Relaxa, Dona Valéria, vai pra sua casa vai. - peguei minha chave, joguei dentro da bolsa, e fui fechando a porta com um sorrisinho. - Vou ali.
- Lua! - ela gritou vindo atrás. - Onde?
- Alemão. - falei rápido e passei a mão no cabelo.
- Tá ficando doida? - ela exclamou e eu ri.
- Ainda não, de noite talvez! - soltei com um sorrisinho e então olhei pra ela, que estava com cara de brava. Ô p***a. - Tô brincando cara!
- Por que você vai pra lá? A Beatriz não pode vir pra cá? - começou a enxurrada de perguntas e por sorte, o elevador chegou.
- Beatriz tá com muito dinheiro pra vir todo dia aqui né? - falei começando a me estressar, corri pra dentro do elevador e fechei a porta.
- Lua lua. - ela disse em tom de ameaça.
- Não fode mãe! - alterei um pouco o tom de voz quando o elevador, finalmente, fechou a porta.
- w******p -
Lua: tô saindo de casa gata.
Bia meu mel: ô Gloria!
Bia meu mel: qual a sensação de brotar no complexo?
Bia meu mel: tá com medo?
Lua: e eu tenho medo de alguma coisa?
Bia meu mel: isso garota! boa resposta.
- w******p -
Sai do elevador, cumprimentei o porteiro, e entrei no Táxi, agradecendo mentalmente pela paciência de me esperar.
- Pra onde moça? - perguntou me olhando pelo retrovisor.
- Complexo do Alemão. - respondi, e vi ele engolir em seco.
Ah! Nem era pra tanto. Ou era? Beatriz morou lá a vida inteira, e apesar das invasões, sempre disse que lá é bem tranquilo.
O táxi parou de repente, olhei pela janela, e vi uma barreira, com vários homens armados, paguei o motorista, e dei um sorrisinho. Desci do carro, e caminhei pra barreira, dois homens, os mais bonitos dali, se entreolharam e deram um sorrisinho, fechei a cara e os encarei.
- Vai pra onde Loira? - um deles perguntou, enquanto o outro ficou me olhando.
- Pra casa da Beatriz. - respondi um pouco mais ignorante do que eu queria.
- Cê sabe onde é? - o outro, que só estava me olhando até então, perguntou, neguei com a cabeça. - Te levo. - Então olhou pros outros homens. - Abre c*****o.
Os homens abriram, eu entrei, e eles logo fecharam a barreira, olhei pro homem, que por sinal eu não sabia nem o nome, ele se ajeitou na moto e me olhou.
- Qual teu nome? - perguntou.
- Lua. - respondi e ele arqueou uma sobrancelha.
- Lua? - perguntou e eu assenti.
- Igual aquela ali. - apontei pra Lua, que estava linda e ele deu um sorrisinho.
- Pode me chamar de Índio, ou Freitas, cê que sabe. - disse e eu assenti. - Esse ai. - e apontou pro que estava ao lado dele. - É o BN.
- Satisfação ai Loira. - me lançou um sorrisinho, que eu retribui. - Veio sozinha? - eu assenti e os dois se entreolharam.
- Tem medo não? - o tal do Índio perguntou.
- Deveria? - rebati e ele me olhou intrigado.
- Deveria. - respondeu ainda me olhando.
- Mas não tenho. - os dois continuaram me olhando, então ligaram as motos, e viraram em direção ao morro.
- Sobe ai gata. - Índio bateu a mão no banco da moto e eu suspirei. Seja o que Deus quiser.
Subi na moto e me segurei no ombro dele, que logo soltou um risinho, e colocou minhas mãos na sua cintura, ele olhou minha reação pelo retrovisor, mas fingi costume.
Ele ligou a moto e acelerou, apertei a cintura dele, que riu da minha reação, mas não era minha culpa se ele andava como se estivesse apostando corrida.
Fiquei olhando o morro, até que o Índio parou em frente a uma casa, muito bonita por sinal, desci de moto, seguida por ele.
- Oi gata! - Bia exclamou abrindo a porta com tudo.
- Oi amor! - e dei um abraço nela. Assim que nos separamos, ela notou os dois e me lançou um sorriso sapeca.
- Oi amor. - BN me imitou e ela fez careta.
- Ah, vocês são tão gentis! - ela ironizou colocando a mão no coração.
- Cê ajuda, e a outra ainda vem de deboche! - Índio soltou.
- Obrigada viu? - soltei e ele assentiu.
- Ces já sabem o caminho de casa né? - Beatriz disse apontando pra rua.
- Tá abusada hoje né? - BN rebateu e a Bia encarou ele. - Deixa você Beatriz.