Jasmine...
"Ele me rodopia. Instantaneamente me arrancando risadinhas. Isso está tão... Natural. Como se o passado simplesmente fosse inexistente.
- Feliz aniversário, senhorita Radmon! - Sussurra.
Um arrepio sobe por todo o meu corpo.
- Obrigado. - agradeço tímida. - Bom, precisamos voltar. A aniversariante sumir da própria festa não è uma coisa muito aceitável. - Sorrio e acrescento. - Além do mais, sua namorada não vai gostar de no ver juntos... você sabe.
Subitamente sua risada rouca preenche nosso espaço. Respiro fundo me afastando.
Não é algo com o qual me sinta confortável e, espero que ele vá embora.
É egoísmo, mas não sei se conseguiria vê-lo com outra pessoa, tão perto mas ao mesmo tempo tão longe.
- Tem razão senhorita. Se por um acaso eu tivesse uma namorada, ela não iria gostar nada.
O quê?
Pisco repetidas vezes imaginado ter ouvido errado.
- Oh! Desculpe, é que... a...
Sinto meu rosto esquentar e me amaldiçoo por isso.
- Sem problemas. O seu namorado também deve estar se mordendo agora. Vamos voltar.
Abro a boca pra dizer que Damian não è meu namorado porque, obviamente, se refere a ele, e que eu não possuo um, mas opto por ficar quieta.
O caminho até a casa foi feito em um silêncio totalmente bem vindo. Muito bom... nos dando tempo para pensar em algumas coisas.
- Foi um prazer revê-la, Jasmine."
(...)
NÃO me leve a m*l, mas eu queria, queria muito morar sozinha.
Acordo, interrompendo a maravilhosa lembrança de ontem a noite, com a minha irmã gritando do outro lado da porta.
Eu a amo muito, muito mesmo, mas não tem santo que aguente essa gritaria.
Em geral eu sou uma pessoa extremamente e pacientemente calma, por assim dizer. Mas em hipótese nenhuma, a não ser que a casa esteja pegando jogo ou uma ameaça de apocalipse esteja rodando, nem mesmo sob tortura me acorde.
- Jasmine, abre a porta. - Continua gritando. — por favor...
- Quem sabe se você gritar um pouco mais alto talvez eu não escute. — sugiro ironicamente.
Tenho certeza que ela revira os olhos do outro lado.
- Papai e mamãe estão te esperando lá em baixo. Se arruma e desce. - avisa e ouço os seus passos se distanciando.
Sou obrigada a rir do seu jeito mandão. Aos dez anos Alina já tem esse jeito característico do papai, sério, a garota é o clone perfeito dele.
Arrasto os pés até o banheiro e vou direto pro box. Escovo os dentes debaixo do chuveiro mesmo. Eu definitivamente não funciono antes das nove, principalmente depois de ter ido detar tarde.
APÓS vestir uma calça rasgada e uma blusa de alça, fiz um r**o de cavalo totalmente m*l feito e sai do quarto.
Meus pais e Alina estão sentados no sofá da sala, ansiosos. Sei pelo frenético balançar de pernas da minha mãe e meu pai. Assim que apareço na sala ele levanta em um rompante.
- Já não era sem tempo. Bom dia princesa. - Beija a minha testa.
-Bom dia. — Respondo sem entender esse comportamento.
- Temos uma surpresa pra você. Aliás, tudo graças a sua mãe. - Solta um riso nervoso. — Você sabe, não sou muito bom com essas coisas.
Fico sem reação alguns segundos e então logo sorrio. Eu pensei que a festa já tinha sido o presente. Balanço a cabeça para os lados. Até parece, quando se trata da família, pra o meu pai, nunca è suficiente.
Em pensar que ele só mudou realmente quando minha mãe apareceu. Acredite, meu pai não foi lá um exemplo de presença. Ele se dedicava sim, mas para crianças restritas de afeto materno nada era o suficiente, mas aí chegou a babá, e mudou nossa vida.
Ultrapassamos os carros e vamos em sentido a um condomínio de luxo. O quê?
Eu sou a primeira a descer, meus olhos questionadores encontram os da minha mãe. Os seus tão afetuosos que eu decido não perguntar nada e apenas espera ansiosa. Apenas esperar...
Minha mente viaja à dez anos quando eu, uma pobre e ingênua garota achava que a vida era muito mais fácil na fase adulta. Se em uma chance eu pudesse visitar o passado, voltaria.
"Não se engane querida. Adultos é sinônimo de dor de cabeca e problemas"
Digo a mim mesma e rio da minha pequena loucura.
O elevador abre quando meu pai digita um código, não demora muito para chegarmos e então dou de cara com... Uau.
Meu Deus!
Minhas pernas se movem sozinhas pelo amplo salão.
Telas e mais telas espalhadas pela sala. Espelhos, quadros de pintores famosos, eu nem sei como descrever de tão surpresa que estou. Engulo seco.
- Como? - Sussurro.
- À um tempo sua mãe descobriu alguns dos seus desenhos. - Arregalo os olhos, eu não tinha idéia de que ela sabia sobre os meus desenhos.
Ela dá de ombros como se pedisse desculpas.
- Então eu, inocentemente, comentei com o seu pai, e fizemos isso aqui pra você. Um lugar só seu. Onde você pode se expressar. Também é um ótimo refúgio para quando quiser ficar sozinha. È seu. Feliz aniversário... De novo. - Completa minha mãe dando um sorriso característico dela, e um olhar que diz:
"Não se preocupe. Seu segredo está a salvo."
Mas como eu a conheço bem o suficiente. Bem no fundo, quase escondido ela fala.
"Quero saber de tudo. Mocinha."
- Obrigado. - Articulo sem som pra ela.
Exploro todo o lugar que tem direito a: uma cozinha, banheiro, um quarto muito espaçoso com direito a uma vista incrível, devido a parede de vidro do chão ao teto.
- Eu amo vocês. Sem medida. - Soluço.
- Sem medida. - Repete, minha irmã e eles.
Observo a minha família e em como eu não poderia está mais feliz. Mesmo o Joan não estando aqui, eu o sinto perto. Mesmo que ele tenha decidido se afastar e ir estudar longe. Somos uma família.
CHEGO em casa exausta. Depois que saímos do apartamento, decidimos ir ao shopping. A festa de ontem era a mais falada entre os sites e páginas de fofocas.
"A HERDEIRA PRIMOGÊNITA DO IMPÉRIO RADMOM, COMPLETA VINTE E DOIS ANOS. COM DIREITO A FESTA COM OS MAIS ALTOS DA SOCIEDADE. INCLUINDO O MAIS NOVO ARQUITETO COBIÇADO DO MOMENTO. OLIVER MAYCON."
- Princesa. Você pode me acompanhar até o escritório. Quero tratar de um assunto sério que inclui Oliver. - Fala meu pai, fazendo meu coração errar uma batida.
Assunto sério e Oliver não fica bem na mesma frase. Não quando essa frase sai dos lábios de Alex Radmon.