Jasmine...
Atravesso os portões da universidade e, consequentemente, solto um suspiro.
Meredith acena a minha frente, falando algo que eu não faço a mínima questão de prestar atenção.
Nem se eu quisesse, não poderia, porque minha mente ficou lá, no escritório, onde meu pai assinou a minha sentença, por assim dizer.
E não é exagero. Queria eu estar exagerando.
" Eu sentei na cadeira a sua frente, esperando não tão paciente que ele comessasse logo a falar.
Me encontrava nervosa, temerosa por ele ter descoberto algo relacionado ao passado.
Mordi a pele interna da minha bochecha até sentir o gosto de ferro na língua. Eu poderia não está assim, afinal porque sofrer antecipadamente? Mas estou oras, e não posso fazer nada a respeito, a não ser responder o que ele perguntar.
— A partir de hoje quero que trabalhe com o Oliver. — Simples assim. Tão simples como dizer que a água é transparente. — Preciso que os dois se dêem bem, que entrem em concenço, enfim eu vi vocês dois no jardim e fiquei feliz que lembrava dele.
Como eu não lembraria? Como poderia esquecer?
— O... quê? - Gaguejo, um tanto aliviada e... Surpresa. Trabalhar? Juntos?
— Á alguns dias fechamos um contrato de um terreno. - Ele levanta. - Um projeto particular e secreto e quero você nele. Não que eu não confie nele. O cara é bom. - Sorri presunçoso. — Eu já vi do que ele é capaz e ele se supera.
Meu pai começa a caminhar pelo escritório, com a mão na cintura.
- Mas preciso de alguém, que vistorie, alguém que me conheça e conheça Liara. Que esteja presente para que saia tudo como eu quero. Qualquer coisa e ele está fora. - Me olha esperando que eu responda... O quê?
Pisco repetidas vezes e respiro fundo.
— E o que o senhor quer que eu diga, exatamente?
— Quero que você diga sim. - Fala como se fosse óbvio.
— Pai, do que se trata? E porque contratar a VM Arquitetura? Não sabemos se ele permanecerá na cidade.
— Porque são os melhores. E eu não quero menos que isso. E, você é boa no que faz. Com eu nunca soube disso? — Questiona mais pra si — Bom, e Oliver já está estabelecendo residência permanente na cidade, está abrindo o escritório, então ele irá ficar.
Prendo a respiração.
Qualquer pessoa que o ver agora, pensaria sem sombras de duvida que ele está louco.
Mas, saber que Oliver vai ficar na cidade me desestabiliza.
- Tudo bem pai. — engulo a seco — Mas quero que fique ciente de que o meu tempo...
- Isso não é problema, meu bem. - Me abraça visivelmente aliviado. - Obrigado.
O único "problema" é que ele não se deu conta do ponto inicial dessa conversa. O grande X da questão."
(...)
- Você está me ouvindo? O Eric vai fazer uma festinha particular na casa dele. E nós vamos. Não adianta dizer que não, eu já confirmei com ele. - Dou de ombros pouco interessada. Quem é Eric?
Meredith bate palminhas e seus cachos vermelhos voam a minha frente.
Então ela para abruptamente, a expressão em seu rosto muda e ela segura firme no meu braço.
- O quê? Eu já falei que vou pra essa droga de festa. - Me exalto.
- Caramba, fico bastante emocionada por ter presenciado seu primeiro xingamento, bastante orgulhosa até — Alça uma sobrancelha — Quem diria que a princesinha sabe falar essas coisas. - Debocha.
O motivo principal por Meredith ser minha amiga, é que ela sempre é sincera comigo. Mas eu a odeio quando joga na minha cara o fato de eu ter dinheiro e ser, pelas palavras dela, mimada. Meu pai trabalhou arduamente, então o dinheiro é dele e ele merece tudo que tem.
- Não comece. — alerto-a
- Tá. — faz pouco caso — Eu só queria te falar que aquele arquiteto gostosão está vindo em nossa direção. — Estanco no lugar — E, ai meu Deus, ophomem é o t***o em pessoa. - Suas bochechas coradas faz com que eu vire e olha na direção indicada.
E lá está ele, todo imponente, alto e... lindo.
Meu rosto esquenta quando o observo vestido tão simples e despojado.
Os olhares lascivos que muitas lançam são explícitos, já que não fazem a mínima questão de esconder, e não teriam o porque. Oliver faz jus ao que a tudo de bom
Porque ele tinha que ficar ainda mais lindo? Porque tinha que aparecer aqui agora quando meus pensamentos libidonosos em relação a ele não me abandonam? Porque meu corpo esta tendo esses... Formigamentos?
E o principal, porque sinto algo entre minhas pernas, algo pulsante.
- Boa tarde. - Olha o relógio, acrescentando em seguida - Vim buscá-la. Temos muito trabalho pela frente.
Então o X da questão entra em cena.
Me despeço da Mere que tem um sorriso malicioso brincando nos lábios.
- Não precisava vim até aqui. — Digo — E o horário marcado é daqui... - Olho o relógio, repetindo o que fez a pouco- meia hora.
Ele para em frente ao carro e me olha, faço o mesmo.
- Algum problema em eu vim buscá-la? - Levanta a sobrancelha. - Espero que não, porque vou fazer isso todos os dias. — Dá o veredicto — É bom se acostumar senhorita, trabalharemos juntos agora.
Abre a porta do carro e eu entro, então ele fecha porta e rapidamente dá a volta entrando no mesmo.
- Não é necessário. - Bufo.
- Sei que não. É acostumada com tudo a sua disposição mas pode dispensar o motorista que eu venho buscá-la
mesmo assim. - encaro-o, captando o mesmo tom que Meredith usa pra falar quando se refere ao dinheiro da minha família.
— Já que insiste. — Murmuro.
— Insisto. Muito.
— Pra onde iremos?
— Para o meu apartamento.
O carro ganha a via e eu me calo no mesmo instante.
Meu pai não sabe o que acabou de fazer comigo.
Não faz idéia de onde me colocou e eu não sei se rio ou choro por isso.
Sentir o cheiro de Oliver outra vez em tão pouco tempo depois de anos me dá uma certa esperança.
Talvez essa seja a minha oportunidade de saber se ele ainda se sente da mesma maneira comigo.