Dias horríveis

1423 Words
Os dias iam se passando e todos nós íamos nos acostumando gradualmente com a dor da perda. Muitas vezes a saudade do meu avô batia forte, mas Deus ia nos dando forças para superar essa perda. Então, diante do decorrer dos dias Eduardo estava frequentando minha casa aos fins de semana para estarmos namorando. Foi uma alegria muito grande ter finalmente vencido essa etapa inicial. As vezes ele ia na minha escola me encontrar e ficar comigo até que o meu ónibus chegasse. A cada dia eu estava cada vez mais apaixonada por ele. Ele me tratava com carinho e amor. Em cada gesto e em cada olhar era possível notar. Já eu... estava cada vez mais feliz. Sempre escrevia cartas para ele, que eu o entregava quando ia me visitar e nos despedíamos. Certa vez, em um dos dias que eu ia dormir com minha avó na casa dela, Eduardo foi me visitar, ficamos, junto com a minha avó e um primo, na varanda casa conversando. Eduardo estava encostado na varanda, me abraçando por trás ouvindo minha avó contar suas aventuras com o meu avô quando eram mais jovens. Estávamos todos felizes sorrindo com as histórias dela. Der repente eu percebi em meio a escuridão, encostado no muro de uma casa próxima, escondido, o tal tio que vivia me assediando, vigiando de longe. Foi inevitável o meu arrepio naquele momento. - Vó, está vendo alguém escondido ali? - Disse eu apontando enquanto chamava a atenção de todos para o local onde ele estava escondido. - Que estranho! Parece o seu tio. O que será que ele está fazendo ali no escuro? - disse a minha avó, inocentemente. Imediatamente ele sumiu em meio a escuridão. "Desgraçado, não tem coragem de mostrar a cara. O que será que ele fazia escondido ali? Será que estava me vigiando?" Algum tempo depois, Eduardo se despediu de todos e eu fui acompanha-lo até o portão. Ele se despediu de mim com um delicioso e apaixonado beijo. Observei ele indo embora e quando ele dobrou a esquina e eu ia me virar, ouço um barulho e ao olhar, assustada, pude ver claramente o desgraçado que se diz meu tio, de calças arriadas em minha direção. Naquele momento revivi tudo que eu vivia até pouco tempo atrás e tranquei o portão e corri para dentro de casa. - O que foi menina, que cara é essa? - perguntou minha avó. - Vi alguém escondido na escuridão e sai correndo com medo. - contei apenas meia verdade, pois, como eu poderia contar a verdade? Ainda mais sendo o desgraçado, filho da minha avó. Pouco tempo depois meu primo também se despediu e foi para casa dele. Certo dia, quando o meu pai voltou de uma visita à casa da minha vó, ele me chamou na sala para conversarmos e pelo seu tom de voz já imaginei que algo havia acontecido e que iria sobrar para mim. — Sim, papai. — disse eu, me apresentando em sua frente. — Eu não quero mais que Eduardo vá te ver na casa de sua avó, ouviu bem? - Mas porque pai? - Meu irmão disse que ele estava lá na casa de sua avó semana passada e que vocês dois ficaram sozinhos até tarde namorando sozinhos no escuro, na varanda. Eu não quero saber disso. Se coce me desobedecer eu vou te dar um coro para você nunca mais esquecer ouviu bem? — Mas pai não fizemos nada disso. Ele foi lá me ver sim, mas, vovó e o meu primo Mateus estavam connosco na varanda o tempo todo e quando ficou de noite ele foi embora. Em momento algum ficamos sozinhos, muito menos no escuro. — Não quero mais saber. O recado está dado. — Pode perguntar vovó. Inclusive o Mateus saiu bem depois dele. — Está encerrado o assunto! Depois desse sermão, fui direto para meu quarto chorar como a dias não chorava mais. Como pode, o desgraçado tentar a todo custo destruir a minha vida. Senhor, livre-me desse homem. Faça com que ele esqueça que eu existo. Por favor, Senhor. Implorava eu, de joelhos no meu quarto chorando. Como pode alguém querer destruir a vida da própria sobrinha desse jeito. Como pode existir pessoas assim no mundo. Naquela noite eu custei a dormir, de tanto pensar e chorar. No dia seguinte, quando acordei, fui para escola morrendo de dor de cabeça. Não tinha ânimo nem para tomar um remédio. Passei a aula toda isolada no meu canto. Na hora do recreio, uma colega de sala veio conversar comigo e infelizmente acabei desabafando um pouco, justamente com a pessoa errada. Acabei contando que um primo meu e que um dos meus tios ficavam me assediando. Ela, mas que depressa, foi contar justamente para a namorada desse meu primo. Ela ficou furiosa e veii tirar satisfação comigo. — Porque você está espalhando mentira sobre o meu namorado? - Eu? Que mentira? — Você falou para Nina que meu namorado fica tirando a roupa em sua frente e te assediando. Porque você está fazendo isso? Nesse momento entrei em choque. Simplesmente parei de pensar. Então, respondi. — Nina deve estar doida. Quando eu disse isso a ela? De onde ela tirou isso? A minha única reação foi mentir. Eu não poderia deixar que tudo isso chegasse aos ouvidos dos meus pais, nunca, pois, poderia virar morte. Não poderia, nunca mais, me deixar levar pela minha fraqueza e acabar desabafando com pessoas erradas. Que saudade da minha amiga Margarida. Como eu me sinto pequena diante de tudo isso. Eu sei que Deus cuida de mim. Fiquei sem fala diante dessa situação mas, sei que Deus me conhece e foi Ele que tomou providencia diante disso tudo pois, Ele sabe o perigo que seria se essa história vazasse. Sei que Deus me ama e está sempre perto de mim e que posso descansar em seus braços. sei que Deus enviou Eduardo para minha vida e que ele poderá sempre me proteger e me amar. ... O sábado chega e com ele o dia de ir ao culto. Como amo estar na casa do meu Pai eterno.Glorificar a Deus pelas vitórias e até mesmo pelas lutas, pois, sei que elas me fortalecem. Passei dias horríveis mas, eu venci. Deus deu-me forças para sobreviver a esses dias. Minha mãe vive me perseguindo e ala chegou a me colocar para fora de casa. estamos a quinze dias sem nos falar. Na verdade, ela está a quinze dias me ignorando. Papai que não me deixou ir para rua. Ela simplesmente não aceitou que eu queimei o arroz e quando eu resolvi me defender ela se revoltou. - Mãe, toda vez a senhora não vê tudo que eu faço. Eu estudo, limpo toda a casa, lavo a minhas roupas porque a senhora lava de todos menos as minhas, cozinho e ainda ajudo a cuidar do sitio e nada está bom. Só porque o arroz queimou a senhora vem me batendo e gritando. - disse a ela chorando. - Já que é assim, junta as suas coisas e vai embora! - Como assim? está doida mãe? - Eu estou mandando. Pode ir embora. E quando seu pai chegar eu vou contar tudo para ele. - Senhora vai contar somente o que te convém né? Não adiantava o que questionar. Ela parecia estar fora de si. Então, saí e fui andando até o portão do sítio e me sentei na beira da estrada aguardando o meu pai chegar para falar com ele antes dela, pois, conhecendo bem, sei que ela irá orar muito as coisas para o meu lado. Nesse dia Eduardo estava me visitando e ainda bem que ele estava comigo. Quando papai chegou. Ele olhou para minha cara de choro e olhos inchados e já sabia que algo estava acontecendo. Contei a ele tudo e ele me abraçou. - Não precisa chorar minha filha. Pode deixar que papai vai conversar com a sua mãe e vou resolver tudo. Venham! Então papai entrou no sítio e foi em direção a nossa casa conversar com mamãe. Eu não tive coragem de ficar ouvido os absurdos que ela diria, mas, foi possível ouvir os gritos dela com o meu pai. Der repente ele veio até mim e disse: - Tenha paciência com a sua mãe minha filha. Entra. Essa casa é sua também. Me despedi de Eduardo e então entrei. Então, foi-a assim que ela ficou quinze dias sem falar comigo. Ela sempre foi orgulhosa e nunca admitia quando agia de forma errada.
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