Cap.9 - Fechada no Quarto

1328 Words
----- CLARA Após recuperar-me do choque, tentei abrir a porta. Estava trancada. Fui até à janela, mas, embora ela abrisse, seria impossível fugir por ali. Desisti dessa ideia. Percorri o seu quarto, receosa que ele voltasse a qualquer momento. Procurei algo que me pudesse mostrar quem era aquele homem. Pelos objetos que estavam em cima da cómoda, percebi que era fã de desporto. Ao observar o seu closet, fiquei maravilhada com as suas roupas. Ele tinha bom gosto. Passei para a casa de banho que tinha no quarto. Nada estava desarrumado. Ele tinha muito cuidado consigo. Tinha bastantes produtos de higiene. Reparei num perfume, numa prateleira, que imediatamente cheirei. Adorei! No armário, vi uma caixa de preservativos, praticamente no fim, mas outra cheia mais ao fundo. Com certeza, ele gostava muito de sexo. Voltei para o quarto. Na mesinha de cabeceira, dentro da gaveta, estava um livro. Comecei a ler a sinopse. "Um romance?". _Vejo que estás mais calma. - Uma voz atrás de mim. ----- ZANE Aurora tinha todos os motivos para estar desiludida daquela maneira comigo. Será que ela sabia que tinha sido eu a bater-lhe na cabeça. Tinha sido uma "ordem" de Leonardo. Nunca tive a intenção de a magoar, e estava realmente preocupado com ela. Tive de a deixar com o Leonardo, mas só esperava que ele não a magoasse. Mandei-lhe uma mensagem, enquanto dirigia para casa. "Leo, tenta saber mais coisas sobre a Aurora primeiro. Não a magoes sem motivos. Vemo-nos amanhã de manhã na tua casa?" Leonardo não respondeu. Estacionei o carro na garagem e subi para o meu quarto, enquanto me descalçava pelo caminho. Só queria um bom banho e afastar, por um momento a memória de Aurora amarrada àquela cadeira. Ía entrar no quarto, quando me lembrei que tinha fechado lá, a amiga de Aurora. Destranquei a porta e entrei no meu quarto. Vi-a a ler a capa de um romance. _Vejo que estás mais calma. - Digo e ela assusta-se. _S-Sim. - Responde e coloca rapidamente o livro na gaveta. _Podes lê-lo, se quiseres. - Ofereço, enquanto tranco novamente a porta. Vejo ela a observar-me. - Escuta, eu não te quero magoar. Na verdade, isto é para o teu bem. - Ela olhava-me nervosa. - Eu explico tudo, mas preciso de um banho primeiro. Eu volto já. Entrei na casa de banho e comecei a tomar banho. Agora tinha de pensar no que podia contar-lhe, como o fazer e sobre Aurora. Precisava de um banho bem longo. ----- CLARA Enquanto me dizia que me contaria o que se passava após o banho, reparei que guardou a chave no bolso das calças. Deixei-o abrir a torneira, e decorridos uns minutos, abri a porta da casa de banho, devagar. Sorrateiramente, entrei e alcancei a chave dentro do bolso. Ouvi algo a vibrar e assustei-me. Olhei para a cabine. Ele não ouviu nada. Procurei no outro bolso das calças e encontrei um telemóvel. O telemóvel vibrou novamente. Ele tinha duas mensagens. Abri-as. Eram da mesma pessoa. Um tal de "Leo". "Sim, encontrámo-nos amanhã de manhã.". A última mensagem, foi a que me deixou extremamente preocupada. "Estás muito preocupadinho... Eu vou vergar a Aurora!". A Aurora corria perigo. Sem pensar duas vezes, corri para a cabine, abri-a e gritei: _Quero saber tudo agora! Ele vira-se com os olhos arregalados, mas sem medo. Continuava a esfregar o champô, nada preocupado. Eu tapo os olhos e fecho a porta da cabine muito rápido. "Que burra! Devia era ter fugido". Demoro uns segundos a recuperar. "Ele é enorme!". Saio da casa de banho a correr e tento destrancar a porta, mas tremo demasiado para conseguir colocar a chave na ranhura. Ele levanta-me do chão e coloca-me na cama. Tem uma toalha à cintura e não teve tempo de tirar toda a espuma do banho. _Dá-me a chave! - Ordena-me. _É que nem penses. Ele tenta alcançar a minha mão, para me tirar a chave, mas eu afasto-a do seu alcance. Ele coloca-se em cima de mim, para que não me mexa, mas eu rapidamente desvio-me e, apercebendo-me que não conseguia fugir a tempo, coloco as mãos debaixo de mim e viro-me de barriga para baixo. Ele tenta tirar-me a chave, mas não consegue. Sai de cima de mim e dá-me uma palmada com força no r**o. _Ei! - Exclamo. Ele aproveita o meu momento de distração e vira-me. Consegue tirar-me a chave da mão. Eu puxo-lhe o braço para que ele não consiga fugir. Ele tem mais força que eu e está prestes a soltar-se, então coloco as minhas pernas em volta da sua cintura, impedindo-o. Ele perde o equilíbrio e cai por cima de mim. Ele leva uma mão às minhas pernas e tenta se soltar. Eu não deixo. Então, ele faz o impensável. Sobe a sua mão até à minha cintura, enquanto me olha profundamente. Eu arqueio um pouco as costas. Ele continua a subir e passa com a sua mão na lateral de um dos meus s***s. Sinto o bico a ficar teso. Ele sorri maliciosamente, antes de me fazer cócegas debaixo dos braços. Começo a rir e a mexer sem parar e perco a força nas pernas. Ele solta-se. Levanta-se e ri alto. O sorriso dele é tão agradável. Eu coro de vergonha. "Como caí num truque tão baixo?". _Como te chamas? - Ele pergunta-me. _Clara. E tu? - Já não tenho medo dele. _Zane. Nunca vi alguém tentar escapar correndo em direção ao vilão. _Pois Zane, eu também nunca vi um vilão a ganhar usando cócegas. _Pois este vilão aqui, ganhou! - E aponta para si, todo sorridente. Reviro os olhos. _Zane, por favor, não deixes o Leo fazer m*l à Aurora. - Ele fica nervoso. - Ele quer lhe fazer m*l. Eu vi a mensagem. _Que mensagem? - Zane fica inquieto. Ele pega no telemóvel inquieto. Senta-se na cama e lê as mensagens. Ele está de costas para mim, então coloco-me de joelhos para conseguir ver. Ele está a escrever uma mensagem em resposta. "Leonardo, o que estás a fazer?" - Leio. Não demora muito a ter uma resposta. "A ser um bom samaritano e a levá-la a casa". O meu coração aliviou-se, mas Zane continuava tenso. Coloquei a minha mão no seu ombro. _Isso é bom certo? - Perguntei. _É estranho e não gosto disso. _Como assim? - Começava a preocupar-me novamente. _Leo tem alguma na manga. - Ele diz, olhando-me. Estamos tão próximos agora. Dou por mim a olhar para os seus lábios. Parecem tão macios. Eu aproximo-me sem me aperceber. Continuo a olhar para os seus lábios e mordo o meu. _Clara, não faças isso. - Ele diz baixinho, com uma voz rouca. _Isso o quê? - Estou hipnotizada pelos seus lábios. Ele levanta-se de repente, afastando-se de mim. Saio do transe. Sigo o olhar e vejo uma saliência na toalha que Zane tem à cintura. Sorrio, sem desviar o olhar. "levá-la a casa". _Merda! - Digo rapidamente. _Tem calma. Não é caso para tanto, também. - Diz Zane, confuso. _Não é isso. - Digo rapidamente. - Zane, ele está a levá-la para casa. _Sim... E? _Ele está a levá-la para minha casa. Não está lá ninguém para lhe abrir a porta, se os meus pais ainda não voltaram. E a minha chave está no cacifo do bar. _Anda. - Ele agarrou na minha mão e puxou-me pelas escadas abaixo. - Sabes conduzir certo? - Confirmo com a cabeça. Ele deposita na minha mão, as chaves do seu carro. - Leva o meu carro e vai ao bar. Pega nas tuas coisas e vai para casa. Esconde o meu carro, para que Leo não o veja. _Então e tu? E o teu carro? _Não há tempo. - Procurou uma caneta num pequeno armário na entrada e escreveu o número dele no meu braço. - Vai! Manda-me uma mensagem assim que chegares a casa. -----
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