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LEONARDO
Entrei no carro e esperei que Aurora entrasse para o lugar do pendura. Olhei para o telemóvel. Uma mensagem do Zane. "Leo, tenta saber mais coisas sobre a Aurora primeiro. Não a magoes sem motivos. Vemo-nos amanhã de manhã na tua casa?". Escrevo rápido, em resposta: "Sim, encontrámo-nos amanhã de manhã.". E envio. Penso na mensagem de Zane e volto a responder. "Estás muito preocupadinho... Eu vou vergar a Aurora!".
Aurora abre a a porta do carro e entra. Guardo o telemóvel no meu bolso. Pelo canto do olho, vejo-a a pôr o cinto. Está calma, agora. Ela olha para mim.
_Estás à espera do quê? - Pergunta-me com rispidez.
Coloco uma mão sobre a perna dela, enquanto me inclino para o seu lado. Nenhum de nós desvia o olhar.
_Que me mostres o caminho. - Digo.
Ela coloca a sua mão na minha e puxa-a para o interior das suas pernas. Com a outra mão, vai subindo pelo menu braço e pára na gola da camisa. Puxa-me para si. Respira profundamente ao meu ouvido, fazendo-me arrepiar.
_Se voltas a tocar-me, não terei ninguém para proteger. - Sussurra-me ao ouvido calmamente.
Tirei o cinto com a minha mão livre, e fazendo o banco dela deslizar para trás, coloquei-me à sua frente. Os meus lábios estavam a centímetros do dela. E a minha mão continuava no interior das suas coxas.
_Isso quer dizer que aceitas a minha proposta? - Soei mais ansioso, do que o que devia.
_Não. Ainda tenho tempo, certo?! - Apertei-lhe uma coxa. Ela inspirou fundo.
_Um dia vais-me pedir que te volte a tocar.
_Hoje ainda não é esse dia.
O meu telemóvel vibra com uma mensagem. Ela contorce-se com o vibrar. Tiro o telemóvel do bolso.
_Hoje... - Digo e volto para o meu lugar.
"Leonardo, o que estás a fazer?" - Leio. Outra vez Zane. Respondo. "A ser um bom samaritano e a levá-la a casa".
_Muito bem Aurora, o caminho...
Ela reposiciona o banco e dá-me instruções para a levar a casa.
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AURORA
Eu fazia tudo o que podia para tirar aquelas imagens da cabeça. Mas o Leonardo, para além de perigoso, era extremamente sexy e atraente. A razão dizia-me para fugir para bem longe. Porém, o meu corpo, queria ser dele. E era a primeira vez que sentia isto. Eu queria seguir a razão, mas o seu toque era quente, elétrico e provocante. Sempre que tinha um pingo de estabilidade, eu afastava-o. Tentava dominá-lo, mas sentia-me sempre dominada no fim. Ele conseguia dar-me sempre a volta. Aquele aperto na minha coxa, fez-me molhar as cuecas. Eu estava encharcada. Só queria chegar a casa e afastar-me dele. "Acho..."
O resto do caminho, foi feito em silêncio. Unicamente quebrado para dar indicações.
Ao virarmos a esquina, vejo a luz da garagem da casa da Clara a apagar. Só esperava que fosse ela, são e salva.
_É aqui. - Digo, apontando para a casa.
Ele para o carro, mesmo em frente da casa. Eu estou a sair do carro, quando ele me agarra pelo pulso. Olho para ele.
_Sim, eu sei. Não te posso tocar. - Revirou os olhos. - Aurora, tens até amanhã à noite para me dares uma resposta!
_Sim, eu sei. - Imito-o, também revirando os olhos.
Fecho a porta do carro e bato à porta. Rezei baixinho para que Clara abri-se a porta e não os seus pais. Não sabia se tinham regressado ou não. É ela quem abre a porta. Comportava-se de maneira estranha. Percebeu que tinha um carro atrás de mim. Colocou os braços à volta do meu pescoço e puxou-me para dentro.
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CLARA
Após puxá-la, verifico pelas janelas para ver se o Leonardo tinha ido embora.
_Mas que raio, Clara?!
_Desculpa, Aurora! Olha eu tenho muita coisa para te contar, mas deixa-me só...
_Confirmar se ele já se foi embora? - Olho para ela.
_Exato. - Ela olha para mim. - Tens o lábio inchado.
_Isso não é o pior. Tens um estojo de primeiros socorros?
_Sim. - Vou à cozinha buscar o estojo e, juntas, subimos para o quarto.
Aurora começa a tirar a roupa e percebo que tem algumas marcas nos braços. Continuo a olhar para ela. "Como consegue estar tão calma?" Entra na cabine de duche e com cuidado lava o cabelo. Quando vejo a água em tom de vermelho a cair da cabeça dela, percebo que está ferida.
_O que te aconteceu? - Pergunto aflita, tentando ver de onde vinha o sangue, já com a porta da cabine aberta.
_Nada demais, Clara. Podes preparar-me uma toalha, compressas, soro,...? Tens aqueles curativos de pontos falsos?
_Sim, acho que tenho tudo no estojo de primeiros socorros.
_Ótimo. Vou precisar da tua ajuda. Não consigo fazê-lo sozinha.
Quando saiu do banho, ajudei-a a secar o cabelo. Ela tinha uma ferida aberta na cabeça. Ainda sugeri levá-la ao hospital, mas ela recusou prontamente. Tratamos da ferida, enquanto contávamos uma à outra o que tinha acontecido. Contei-lhe como saí do bar, como fiquei trancada, como Zane me ajudou a voltar para casa, antes que ela chegasse, mas omiti a atração que senti por ele.
_O que vais fazer, Aurora? Vais trabalhar para ele?
_Eu não sei, Clara. Não quero essa vida para mim, mas duvido que ele cumpra o que disse, e que simplesmente aceite o que eu decidir.
_Oh, amiga. - Lamentei. O Leonardo colocou-a numa situação impossível. Uma falsa escolha.
_Seja como for. Amanhã, vou apresentar-me na PrimeShares. Depois decido o que fazer. - Disse, sonolenta.
Aurora adormeceu e eu preparei-me para tomar um banho. Tirei a roupa e vi o número de Zane no meu braço. "Quase que me esquecia." Volto para o quarto e pego no meu telemóvel. Escrevo uma mensagem para Zane. "Desculpa, só agora consegui mandar mensagem. Ambas estamos em casa.".
Entro no banho e o telemóvel toca. Saio, já molhada e atendo.
*Chamada telefónica*
_Zane? - Pergunto.
_Desculpa ligar, mas é mais fácil.
_Não há problema.
_Como está Aurora?
_Agora, dorme. Tem algumas marcas nos braços e uma ferida aberta na cabeça. Tratamos e coloquei-lhe aquelas tiras adesivas, tipo pontos. Penso que ficará bem.
_Clara, a ferida na cabeça é minha culpa! - Parece sentir-se culpado.
_Como é que é? - Começo a ficar irritada com este tipo.
_Calma! Deixa-me explicar. - Eu não digo nada, então ele continua. - O Leonardo fez-me sinal para o fazer. Se eu tivesse recusado, teria colocado Aurora numa posição mais complicada e a mim também.
_Ela não sabe que foste tu. - Disse-lhe.
_E prefiro que saiba por mim, senão importares-te.
_Ok.
_Ela contou-te o que aconteceu após me ter ido embora?
_Disse-me que o Leonardo lhe fez uma proposta para ser a chefe de segurança da equipa dele. Tem até amanhã à noite para lhe dar uma resposta.
_Merda! Isso é mau! Ele sempre consegue o que quer.
Começava a ficar com frio.
_E tu, Clara? Como estás?
_Mais descansada por saber que Aurora está bem.
_O Leo? Viu o meu carro?
_Não. Estacionei-o dentro da minha garagem, mesmo a tempo. Teria sido mais fácil arrombar o cacifo no bar, se tivesses vindo comigo.
_Não tinha tempo. Alguém me interrompeu o banho. - Disse a rir.
_Por falar nisso Zane, se não te importas, eu estava no banho...
_Claro, não te levo mais tempo. Achas que podes-me trazer o carro daqui a bocado?
_Daqui a bocado? Não era só amanhã de manhã que precisavas dele?
_Clara, já é amanhã. - Passei a noite toda acordada.
_Seria melhor se viesses cá a casa. O meu carro ficou no bar e, assim, íamos, no teu, buscá-lo. Se puder ser...
_Combinado. Manda-me a morada por mensagem. Vemo-nos às 8h00.
_Ok. - Desligo
* Fim de Chamada Telefónica.*
Mandei-lhe a mensagem com a morada, antes de me deitar a dormir. Ía dormir umas duas horas, apenas.
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