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AURORA
Saí da loja com um vestido, no saco de compras. Não havia como não o comprar. Ele realmente ficava-me muito bem.
Clara tinha prometido um gelado aos rapazes, então sentámo-nos numa mesa, num café do centro comercial. Conversamos e rimo-nos por um bocado, até a Clara decidir que queria ir comprar um livro e deixar-me na mesa com os rapazes. Um deles ocupou logo o lugar ao meu lado, deixado por Clara. No meio da conversa, ele tocou-me no braço ao gesticular e eu deixei cair o gelado em cima das minhas calças. Dei um salto, pois senti logo o frio na minha perna, assim que o gelado atingiu um dos rasgões das minhas calças. Ele desculpou-se imediatamente e ofereceu-se para limpar, o que só piorou a situação, pois espalhou a mancha pelas calças. Desculpei-me e saí da mesa, em direção às casas de banho. Ainda olhei para a livraria onde Clara tinha entrado para lhe fazer sinal, mas ela não olhava na minha direção, falava com uma rapariga. Decidi ir, sem avisar.
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ZANE
Chegamos à PrimeShares e o Leonardo informou-nos que subia sozinho, dizendo-me para levar Valentina ao centro comercial, que ficava do outro lado da rua. Ele iria ter connosco assim que a reunião com Vitor acabasse. E assim, o fizemos.
Valentina parecia uma criança cada vez que comprava um livro, sempre com uma vontade enorme, para começar a ler uma nova história. Eu, embora mais moderado, compartilhava desse gosto. Vi que ela conversava com uma rapariga e desviei-me para outro corredor para lhe dar alguma privacidade. Aproveitando, dei uma olhada nas novidades, no entanto, conseguia ouvir a conversa, por mais esforço que fizesse em contrário.
_ Já leste esse? - Perguntava Valentina.
_ Não. Não sou muito de ler. É para um amigo. - Respondeu a rapariga.
_ O teu amigo gosta de romances?
_ Eu penso que sim... mas estou super indecisa. Não percebo nada disto.
_ Se quiseres, posso aconselhar-te um.
_ Não me importo nada, pelo contrário. Agradeço a ajuda.
_ Este... É uma boa opção! Chamo-me Valentina.
_ Clara! Então, será este. Obrigada.
Assim que escuto o nome, espreito para o corredor e vejo que a Clara é a Clara com quem irei ao cinema mais tarde. Decido ir cumprimentá-la. Ela assim que me vê, coloca algo atrás das costas. Penso que seja o livro de que falava com Valentina.
_ Zane! - Exclama surpresa.
_ Olá Clara. - Cumprimento, enquanto me aproximo.
_Vocês conhecem-se? - Questiona Valentina.
_Sim. - Respondemos coordenados, mas nenhum de nós acrescenta nada.
Fica um silêncio estranho, que Clara corta.
_Valentina, mais uma vez obrigada. Vemo-nos por aí. Zane, passas o meu número à tua namorada?
_ Ela não é... - Ela não espera para ouvir a resposta. Pousa o livro, deixando-o para trás e sai apressada da livraria.
Eu não digo nada. Valentina olha para mim, mas opta por não comentar e retorna à sua busca pelo novo livro. Eu olho para a estante onde Clara pousou o livro e compro-o.
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LEONARDO
_ Bom dia, Vitor. - Cumprimento ao entrar no seu escritório.
_ Bom dia, Leonardo. - Ele levanta-se logo que me vê e, imediatamente, estende a mão para me cumprimentar. - Qual o motivo desta reunião? - Parece especialmente nervoso e suspeito.
_ Sei que estás a reforçar a tua equipa de segurança. Posso ver os novos contratados? - Não tenho tempo para dispensar a tentar perceber o que o está a pôr nervoso.
_ Sim, claro!. - Percebendo que o meu pedido não era um pedido.
Ele estende-me algumas pastas. Cada uma corresponde a uma pessoa. Abro-as. Sei que ele me olha curioso, mas não penso dar-lhe a entender as minhas intenções, então escolho três pastas e entrego-lhe as restantes.
_ Fica com estes e cancela estes três contratos. Vou precisar destas pessoas. Tem um bom dia. - Não lhe dou tempo para responder.
No caminho para o centro comercial, coloco duas delas no lixo. A única que me interessa é a da Aurora.
Quando chego ao centro comercial, sou atraído pelo som de gargalhadas que vêm de um café. Qual não é o meu espanto ao ver Aurora a conversar com dois rapazes. Fiquei a um canto a observar. Um deles, desajeitado, fez com que ela deixasse cair o seu gelado nas calças. Ela diz algo, procura por alguém e sai em direção às casas de banho.
Zane e Valentina, saem de uma livraria e eu faço-lhes sinal.
_Valentina, faz-me dois favores e compra-me umas calças para uma rapariga um pouco mais alta que tu, provavelmente um M.
_ Para que é que queres as calças?
_ O segundo favor é não me fazeres perguntas.
_ Está bem. Está bem.
_ Entrega-me na casa de banho das mulheres. Ali. - E aponto para onde Aurora se dirigiu.
_ Ok, mas depois quero saber mais, visto que são três favores, afinal. - E sai em direção a uma loja.
_ Zane, assim que a Valentina vier da casa de banho, vão para o carro e leva isto. Vou lá ter. - Digo, enquanto entrego o dossiê. Ele acena com a cabeça.
Sigo em direção às casas de banho. Abro a porta devagar e vejo Aurora num canto, a passar um papel molhado nas calças.
_ Precisas de ajuda?
_ Não, obrigada. - Responde, sem olhar para mim. - Eu sei que não fizeste de propósito. Está tudo bem.
_ Se tivesse feito algo, teria sido com alguma intenção.
Ela olha para mim, surpresa com a responda e, mais ainda, quando vê que sou eu e não o seu amigo i****a.
_ O que estás aqui a fazer? - Que audácia ela tem ao falar assim comigo, mesmo sabendo quem eu sou.
_ A ser um bom samaritano.
_ Sabes que esta é a casa de banho das mulheres, certo? - Desvia a sua atenção novamente para as calças e continua a limpar-se.
_ Ser bom samaritano não compensa. Nem um agradecimento? - Pergunto enquanto me lanço na sua direção, fazendo-a recuar.
Ela menospreza a atitude e continua a limpar as calças.
_ Sabes, agora que olho bem para essas calças, ele até te fez um favor.
_ Que m*l tem as minhas calças? - Começa a ficar irritada.
_ São compridas demais.
_ Como assim compridas demais?
Agarro-lhe as calças pelos seus rasgões e puxo com força. Ela fica sem reação, quando percebe que ficou com uma espécie de calção, na perna direita, e com apenas pouco de tecido, na esquerda, mostrando parte do r**o. Por momentos, apenas me olha intensamente. Não consigo decifrar no que pensa.
_ Leo, tenho aqui o que me pediste. - Diz a Valentina na porta.
Antes que ela entre, empurro Aurora para a cabine mais próxima, fecho a porta e tapo-lhe a boca antes que me pudesse dar uma das suas respostas tortas. Com a mão livre, faço-lhe sinal para fazer silêncio.
_ Deixo aqui, no chão. Espero por ti no carro.
Abro a porta devagar e vejo o saco à entrada.
_ Mas que raio! Eu começo a odiar essa tua maneira de...
_ A odiar? A sério?! - g**o com ela, interrompendo-a. Estendo o saco com as calças para que Aurora pegue nele.
_ Sim, a odiar. - Ela cruza os braços, não recebendo o saco.
_ Eu posso ser quem sou, mas preocupo-me com quem trabalha para mim.
_ Aí é que está. Eu NÃO trabalho.
_ Correção! AINDA não trabalhas.
_ Continua a sonhar...
_ Contigo? Podes crer! Ainda mais com uma visão destas. - E aponto para o seu r**o, parcialmente à mostra. - Aurora, ou aceitas, ou sais assim.
_ Vou sair assim, obrigada.
Ela alcança rapidamente a porta, decidida a sair assim. Puxo-a pela cintura, retiro o meu casaco e amarro-o à sua cintura.
_ Escuta, se não sais com aquelas calças, que pedi para comprarem especialmente para ti, leva o meu casaco. - Ela olha para mim com uma sobrancelha erguida. - Por favor. - E saio.
"Por favor" era algo que já não dizia desde que era novo.
À distância, e fora de vista, aguardo que Aurora saia da casa de banho, esperançoso de que, pelo menos, trouxesse o casaco à cintura. Quando a vejo, fico surpreso. Ela tem as calças vestidas e o casaco à cintura. E por um momento, esse gesto arranca-me um sorriso.
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